Os títulos de Santo Antônio 

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Um dos santos que mais reúnem títulos na Igreja é Santo Antônio. Sua humildade e, ao mesmo tempo, grande capacidade intelectual, o fizeram teólogo e, sobretudo, grande estudioso das Sagradas Escrituras. Tendo nascido em 1095, viveu no tempo de São Francisco de Assis, cujo nascimento se deu em 1081.

Porém, nem Francisco e nem Antônio tiveram na pia batismal esses nomes. Francisco foi batizado como João Batista e Antônio, com o nome de Fernando. Esse recebeu o nome de Antônio quando se tornou franciscano, depois de ter feito um belo caminho entre os Agostinianos de São Vicente, em Portugal, com os quais estudou Filosofia e Teologia e foi ordenado presbítero. Encantado com a nova ordem fundada por Francisco de Assis, vendo seus frades vestidos de hábitos rústicos e simples, regendo-se por vida de muita pobreza e austeridade, e ainda por grande espírito missionário, o Padre Fernando de Bulhões, em acordo com seus superiores agostinianos, migrou para a Ordem Franciscana. Foi aí que recebeu o título de Antônio, em homenagem ao eremita Santo Antão.

Tendo se tornado o primeiro professor dos frades de São Francisco na Itália, dado o seu brilhantismo no magistério e sobretudo no ensino da Bíblia, recebeu do Papa da época, Gregório IX, o título “Arca do Testamento”. Como missionário incansável, viajou sem parar pelo norte da Itália e sul da França, pregando a sã Doutrina Católica, defendendo o povo contra heresias propagadas na época e, por isso, é conhecido também como “Martelo do Hereges”. Foi nesse tempo que, indo pregar contra as tais heresias na cidade italiana de Rimini e recebendo o desprezo dos infiéis, em protesto foi pregar ao léu, na praia e, por incrível que pareça, os peixes vieram à tona escutar suas palavras. Vendo esse grande milagre, os hereges se converteram e aderiram à genuína fé.

Sendo homem de grande sensibilidade social, não se cansava de distribuir pães aos famintos e a atender a todas as necessidades dos carentes, com muita caridade e presteza, o que valeu o título de “Pai dos Pobres”. Deste seu amor pelas famílias em dificuldade financeira, mais tarde, nasceu e se espalhou pelo mundo a Associação Pão de Santo Antônio, ainda existente em vários lugares. Em nossa Juiz de Fora, da qual é o glorioso Padroeiro, essa associação teve grande atuação no passado e adquiriu bem no centro da cidade o morro hoje conhecido por Morro do Cristo ou Morro do Imperador. De fato, sobre esse monte foi erguida, em 1906, uma bela imagem de Cristo Redentor, motivo da vida e da missão de Santo Antônio.

Popularmente, ele é conhecido como “Santo Casamenteiro”, por ter ajudado a um casal de jovens apaixonados, sendo o rapaz muito pobre e a noiva filha de nobres que exigiam, como era costume à época, um dote a ser oferecido pelo noivo. Não tendo este nenhuma condição de pagar tão elevada soma, recorreu a Frei Antônio, que, reconhecendo o verdadeiro amor deles, fez uma coleta entre o povo, pagou o mencionado dote e o matrimônio se realizou a contento dos dois amorosos jovens. Em 1946, o Papa Pio XII o elevou à condição de Doutor da Igreja, conferindo-lhe o título de Doutor Evangélico.

Hoje, em nossa Arquidiocese, podemos chamá-lo “nosso guia sinodal rumo à celebração dos 100 anos da Diocese, nos ajudando a proclamar o evangelho pelas ruas e sobre os telhados”.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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