O Senhor é meu Pastor; nada me faltará!

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O 4º Domingo da Páscoa é destacado pela Igreja como solenidade pascal do Bom Pastor. Lemos nesse dia o capítulo décimo do evangelho de São João, que mostra a parábola/comparação que Jesus usou para se apresentar como único e verdadeiro guia, verdadeiro salvador da humanidade e sua relação com os que n’Ele creem. A parábola é extensa e, por isso, é dividida em três partes, cada uma lida em um ano da atual organização litúrgica dominical, que é estruturada nos anos A, B e C. Em 2021, que é o Ano B, lemos a segunda parte (Jo 10, 11-18), em que Jesus se apresenta como o Bom Pastor que dá sua vida pelas suas ovelhas e expressa claramente seu desejo de unidade do rebanho.

A imagem do pastor é muito frequente no Antigo Testamento e era usada para destacar reis, sacerdotes e outros líderes. A Sagrada Escritura faz questão de dizer que Davi era pastor e depois se tornou Rei de Israel. A imagem era utilizada inclusive para Deus, como no belo salmo 23: O Senhor é meu Pastor, nada me faltará. Mas a Palavra de Deus mostra também que muitos pastores não foram bons, como nos demonstra Ezequiel 34, quando Deus repreende os maus pastores e Ele mesmo toma para si o cuidado do rebanho.

No evangelho de São João, Jesus se apresenta como Bom Pastor. Ele não é como os mercenários que trabalham por dinheiro, mas, pelo contrário, ama suas ovelhas de forma gratuita. Por isso diz: Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem (Jo 10, 14). Lembremo-nos que o termo “conhecer” na Bíblia não tem sentido apenas de uma compreensão intelectual, ou formal, mas vai além do intelecto e da formalidade para ser muito mais pessoal, ou seja, quem conhece ama e o amor mútuo é a perfeição do conhecimento. Não é um conhecimento racional, acadêmico, científico. É muito mais que isso. O conhecimento que Jesus tem de suas ovelhas é vivencial e integral, como uma inabitação. Nós seremos ovelhas de seu rebanho se O amarmos com o mesmo amor com que nos ama.

Nesta parábola, Jesus também revela seu desejo de que todos sejam unidos e não consintam em separações, quando diz: Tenho ainda outras ovelhas que não estão neste aprisco, e haverá um só rebanho e um só Pastor (Jo 10, 16). Esse mesmo desejo Ele expressa na longa oração registrada por São João no seu capítulo 17: Que todos sejam um, ó Pai, como eu e tu somos um (Jo 17, 21). A unidade do rebanho de Cristo é uma meta que não podemos perder de vista. Todos devemos estar humilde e corajosamente dispostos a unirmo-nos num único e indiviso rebanho.

Além disso, todos os anos a Igreja nos convoca para, neste dia, rezar especialmente pelas vocações, para que sempre haja maior número de pastores e que esses sejam bons e santos, para continuarem a obra de Jesus, o Bom Pastor das ovelhas. Os Papas, símbolos e construtores da unidade da Igreja, têm mandado nos últimos anos uma mensagem especial para esse dia.

A mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas de 2021, ano Josefino, refere-se a São José como modelo de resposta ao chamado de Deus. Homem bom e justo, ele pode ser apresentado como alguém que assimilou em sua vida as características de seu Filho Adotivo, Jesus de Nazaré, o Bom Pastor. O Papa, recordando os quatro sonhos de São José, narrados no evangelho de São Mateus, ainda destaca que toda vocação é um sonho: deve ser iluminada pela luz do alto, para se dispor inteiramente ao serviço do Bom Pastor e de seu redil.

Ouçamos o Bom Pastor, como nos indica São Gregório Magno, com corações ao alto. O Bom Pastor seja nosso guia, para que estejamos sempre alegremente unidos no seu único rebanho, para que nos conduza sempre por verdes pastagens e águas tranquilas.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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