Marcas do Papa Bento XVI em nossa história

*Registro da entrega do Pálio pelo então Papa Bento XVI a Dom Gil Antônio Moreira, em 29 de junho de 2009
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Condoídos pelo passamento do nosso Papa Bento XVI, ao mesmo tempo, muito gratos a Deus pelo riquíssimo legado que ele deixa para os cristãos e para toda a humanidade, estamos todos muito unidos ao coração do amado Papa Francisco e de toda a Igreja, nesta hora significativa da história.

De forma sucinta e breve, podemos contemplar sua vida em três momentos, observando em cada um deles as bênçãos que Deus nos proporciona.

1º) O Teólogo;

2º) O Colaborador da Verdade como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé;

3º) O papado.

Durante 25 anos, antes de ser eleito bispo, Ratzinger foi eminente professor de Teologia em sua Alemanha. Estudioso profundo da fé, iniciou suas publicações que hoje correspondem a uma grande coleção de livros e artigos teológicos que podem ser classificados como as edições acadêmicas mais sólidas dos últimos tempos.

Dotado de uma inteligência privilegiada, e sobretudo de uma fé inabalável, vigorosa e exemplar, seus escritos acadêmicos, somados aos textos do seu Magistério Papal, correspondem alicerce para os ensinamentos da Igreja nos tempos atuais e futuros. Sua atuação como perito no Concílio Ecumênico Vaticano II foi básica para as renovações e atualizações da Igreja na época moderna.

Com sua competência, e ao mesmo tempo com sua humildade, serviu à Igreja de forma segura e serena como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé por 23 anos, durante o pontificado de São João Paulo II. Nesta ocasião, pôde auxiliar teólogos e reorientar aqueles que corriam perigo de equívocos ou excessos. Se alguma vez teve que aplicar penas medicinais previstas no Direito Canônico, o fez com suavidade, sendo motivo de críticas daqueles que o achavam brando demais. Seguro na doutrina, fidelíssimo na fé, deixa para a Igreja um enorme serviço neste importante ambiente.

Como Papa, foi Pastor admirável e missionário incansável. Falava, ao mesmo tempo, com profundidade teológica e simplicidade paterna. Enfrentou problemas difíceis e desafiadores do mundo moderno, sejam no âmbito da moral, sejam no campo teológico, mas nunca deixou de tomar medidas exatas para as soluções necessárias, sem se preocupar com sua própria imagem, mas apenas com a santidade eclesial. Sua única vontade era, de fato, ser fiel a Deus e aos ensinamentos da Igreja.

Seu gesto de humildade e coragem de renunciar no oitavo ano do pontificado fica na história como exemplo de quem entende a autoridade como um serviço que deve ser prestado até o momento exato de seus limites pessoais. Sua emeritude papal, longe de ser inerte, se tornou uma eloquente pregação pela mística de uma vida orante, na qual são evidentes o extraordinário amor eucarístico e a filial devoção a Maria, Mãe do Senhor e Mãe da Igreja.

Ficam também como exemplo modelar seu relacionamento fraterno e imensamente respeitoso com seu sucessor, o Papa Francisco, com quem mantinha autêntica amizade. Muitos outros aspectos poderiam ser lembrados. Outros o farão.

Quanto aos aspectos pessoais, tive a imerecida graça de ter sido nomeado arcebispo por ele e de ter recebido o palio de suas próprias mãos, na Basílica de São Pedro, em Roma. Pude estar pessoalmente com ele algumas vezes, destacando a audiência pessoal na Visita ad Limina de 2010 e os encontros informais ou litúrgicos na sua visita ao Brasil no ano de 2007, quando aqui esteve para a Conferência de Aparecida. Algumas vezes estive com ele nas audiências públicas em Roma, ocasiões privilegiadas para colóquios oportunos, ainda que rápidos.

Na Arquidiocese de Juiz de Fora, no tempo de seu pontificado, prestamo-lhe, ao menos, duas homenagens públicas, que foram a criação do Seminário Menor Bento XVI e a fundação do Coral Benedictus, cujo nome, em latim, foi dado por causa do Papa Emérito, também pianista.

Diante de sua vida rica de serviços à Igreja e à humanidade, diante de sua morte serena e santa, me curvo para agradecer por esse dom que nos ofereceu como base sólida para a fé e a prática do amor de Cristo.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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