Pentecostes, união dos Cristãos e Copa do Mundo

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No domingo, 8 de junho, os cristãos celebraram a festa de Pentecostes. O termo de origem helênica indica os 50 dias a contar da Páscoa da Ressurreição. Na verdade, estes cinqüenta dias são tradicionalmente celebrados como se fossem um só dia de festa, o que se pode observar pelas vestes litúrgicas de cor branca e pelas orações e textos bíblicos que compõem a liturgia deste período. A concluí-lo, celebra-se a vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos, reunidos em Jerusalém, presente também a Maria, a Mãe de Jesus, e um bom número de outros discípulos e discípulas, conforme o livro dos Atos dos Apóstolos (Cf.At.1,12;2,1-13). A manifestação extraordinária do Espírito Santo era esperada, mesmo porque sua presença é uma realidade em todos os momentos por aqueles que crêem. A experiência de pentecostes é pascal, uma vez que no dia da ressurreição o Senhor o comunicou aos discípulos soprando sobre eles e dizendo: Recebei o Espírito Santo; aqueles a quem perdoardes os pecados lhes serão perdoados, aqueles a quem não perdoardes lhe serão retidos (Jo20,19-23). Tudo acontece numa grande unidade. Eis aí a grande palavra de Pentecostes: unidade. O Espírito Santo é unificador como expressa Paulo aos Coríntios em sua primeira carta: Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. (ICor.12,3-4). Após a descida do Espírito naquela manhã de Pentecostes, os Apóstolos perdem o medo, deixam a inibição e saem pregando a Palavra, anunciando Jesus Cristo como Filho de Deus feito homem que fora assassinado pelo poder constituído, ressuscitara, estava vivo e não pode mais morrer. Diz o livro Atos dos Apóstolos que sua pregação era tão convincente e eficaz que cada um, mesmo estrangeiro, os entediam em sua própria língua. É a linguagem unificadora do amor autêntico, aquele que vem de Deus. Com o Pentecostes, nasce propriamente a Igreja fundada por Cristo, sua pedra angular. O Senhor já havia previsto isto aos discípulos, quando, ressuscitado, sentou-se com eles à mesa mais uma vez e disse: recebereis o Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judéia e na Samaria e até as extremidades da terra. (At.1,8)

União dos Cristãos

Mas infelizmente, hoje, após dois mil anos, os cristãos vivem desunidos, organizados (ou desorganizados) em várias igrejas ou seitas. A realidade acaba provocando certa tristeza a cada um destes grupos, sem saber como sair desta situação. Porém, há um consolo. Hoje, os esforços em busca da unidade perdida são cada vez maiores, a compreensão e o diálogo entre as facções abertas à mútua compreensão é um fato. A semana que precede a festa de Pentecostes é celebrada com orações pela unidade dos cristãos e liturgias são realizadas em igrejas de diferentes tradições por católicos e não católicos. O Conselho Mundial das Igrejas Cristãs e os Conselhos Nacionais das Igrejas Cristãs, fundados por não católicos, conta com a participação efetiva da Igreja Católica e de várias outras Igrejas, num clima de serenidade e de expressivo amor cristão. Movimentos como a Comunidade de Tezé, Focolares e outros espalham o ideal da unidade desejada por Cristo, sempre com a humildade de reconhecer falhas humanas, mas muito mais voltados para o foco principal que são os inúmeros e fortes aspectos comuns que mantém, ao menos parcialmente unidos, os atuais discípulos do Senhor. Estes continuam celebrando Pentecostes na certeza de que sua força nunca se perderá totalmente, pois é obra do Espírito de Deus. No fim, o mal será vencido gloriosamente pelo bem.

A força do Espírito também garante aos cristãos que as adversidades provocadas pela iniqüidade humana não serão capazes de ameaçar a Igreja e muito menos a pessoa de Cristo, Filho de Deus Altíssimo, que não está mais sujeito a morte, mas está vivo entre nós. Ele afirmou: Eis que estarei convosco, todos os dias até a consumação dos séculos. (Mt.20,28) Já havia dito a Pedro, o chefe dos Apóstolos: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. (Mt.16,18) Vez por outra surgem na história vozes contrárias com objetivo de ofender, desvirtuar, agredir e não raro com o maligno desejo de desconstruir o ideal do amor projetado pelo Pai e anunciado e vivido por Jesus. São mistérios da iniquidade (mysterium iniquitatis) que não conseguirão destruir o mistério da Piedade (mysterium pietatis).

No corrente ano o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos foi tirado da Carta de Paulo aos Coríntios, no trecho que diz: Por acaso está Cristo Dividido?(1 Cor.1, 13). Em Juiz de Fora, tivemos a alegria de celebrar, em nível diocesano, além de outras atividades, duas belas liturgias com participação de Pastores de outros credos, que foram, a primeira no Seminário Santo Antônio e a segunda no Presídio Ceresp. Destaco a fiel participação da Igreja Metodista todos os anos, com as fraternas e simpáticas mensagens dos Pastores Messias, Moisés e, este ano, ainda do Pastor Jovanir Lage, recém chegado. Eles têm conosco uma bela amizade de verdadeiros irmãos em Cristo.

Copa do Mundo

Não posso deixar de suplicar ao Espírito Santo que nos dê, no corrente ano, a profusão de sua graça para a celebração da Copa do Mundo. Que seja um tempo de paz, de concórdia, de encontro de povos e culturas diferentes e não se reduza apenas à corrida atrás de um título. Para isto, convoco a todos, em nome do Movimento Fé, Justiça e Paz, para uma grande vigília de oração no dia 11 de junho, véspera do primeiro jogo, pedindo pela paz na Copa. Ponha em sua janela uma bandeira branca ao lado da bandeira do Brasil.

Um dos títulos do Espírito Santo é iluminador das mentes, luz dos corações. Seja ele, neste Pentecostes, a claridade para todos nós, a fim de que unidos propaguemos, o bem e seja o mal vencido para sempre.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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