Pentecostes: A força do Espírito Santo na Igreja

0

Ao final do tempo Pascal, celebramos a festa de Pentecostes que, no corrente ano, se dá dia 8 de junho. Tal festa litúrgica renova em nossos corações e mentes a realidade atemporal da ação do Espírito Santo. Não há limites nem de tempo, nem de espaço para sua atuação.

Quando o Concílio Ecumênico Vaticano II profetizou um novo Pentecostes na Igreja, talvez não tivesse a exata clareza do que aconteceria em seus anos sucessivos. A título de exemplo, podemos citar que surgimento de inúmeros movimentos eclesiais e de novas comunidades, dentro da unidade católica, comportando fraterno diálogo com irmãos de outras confissões cristãs, cresce hoje de tal maneira que não há mesmo como explicar com razões puramente humanas. Pude participar, em Assis (Itália), em outubro de 2008, do II Encontro Internacional de Bispos sobre as Novas Comunidades, cujo tema estampava em inglês, “The charisms in the life of the particular church”. O evento, sob o patrocínio do Pontifício Conselho para os Leigos, foi organizado pela Catholic Fraternity of charismatic Convenant Communities and Fellowhips. Bispos de várias partes do mundo participaram do evento, com pastores de outros credos evangélicos, simpaticamente abertos ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso.

Além das palestras de incontestável profundidade teológica e pastoral, o evento foi enriquecido com testemunhos de fundadores de novas comunidades que apresentaram o misterioso desenvolvimento qualitativo e quantitativo de seus grupos.

A marca geral nestas novas realidades eclesiais é a presença maciça de jovens, muitos convertidos do ateísmo ou de uma vida de frieza espiritual, que, ao contato com o carisma, passaram a ser verdadeiros apóstolos.

O Papa Bento XVI, hoje santamente emérito, fez pronunciamentos sobre o tema das novas comunidades, confirmando esta emergente realidade eclesial como novo pentecostes na Igreja, incentivando os Bispos a darem apoio, o devido acompanhamento e exercerem o necessário magistério para evitar qualquer perigo de desvio da ortodoxia.

Evidencia-se, assim, a atualidade do que está registrado na Constituição Conciliar Lumen Gentium, escrita há 50 anos: “Estes carismas, quer eminentes, quer mais simples e mais amplamente difundidos, devem ser recebidos com gratidão e consolação, pois que são perfeitamente acomodados e úteis às necessidades da Igreja.” (LG 33).

O Papa Francisco é um entusiasta da evangelização e um amoroso devoto do Espírito Santo. Ele vê na multiplicidade destas iniciativas a ação do Espírito Santo, como se pode ler na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (21 nov. 2013): É Ele (o Espírito Santo) que suscita uma abundante e diversificada riqueza de dons e, ao mesmo tempo, constrói uma unidade que nunca é uniformidade, mas multiforme harmonia que atrai. A evangelização reconhece com alegria estas múltiplas riquezas que o Espírito gera na Igreja. (EG 117).

Quem participou de alguma forma da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em 2013, não negará que ali o Espírito Santo soprou forte seu hálito renovador e animador no coração dos jovens e não jovens de várias partes do mundo.

Cresça a forma de Pentecostes entre nós para que possamos levar ao mundo a força benéfica do evangelho, na busca de um mundo mais humano, mais fraterno, menos violento, mais pacífico, afinal, mais aberto a Deus, pois sem Ele, a humanidade sucumbirá.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

Conteúdo Relacionado
X