Assunção de Maria ao céu

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Entre as verdades de fé sobre a Mãe de Jesus, está a sua assunção aos céus, em corpo e alma, ao final de sua vida terrena. Desde os primeiros séculos, os seguidores de Jesus criam nesta verdade como podemos ver em vários escritos da época. Até mesmo encontramos notícias em evangelhos apócrifos dos primórdios da Igreja que, mesmo não sendo incluídos na Bíblia, ajudam à pesquisa histórica no que diz respeito a costumes e crenças legítimas praticadas pelos primeiros cristãos. Os evangelhos apócrifos não são reconhecidos como revelados, porém certas afirmações neles contidas são expressões da verdade que podem ser comprovadas, estando estas em plena consonância com a Bíblia, ou seja, não a contradizendo. Porém, as fontes bíblicas são as mais importantes, e indispensáveis.

Diante disto, a Igreja tem o dever de se pronunciar para ajudar os fiéis a praticarem somente o que for realmente verdade de fé e não caírem em distorções da doutrina de Cristo.

Perdurando de forma esplendorosa, em todo percorrer da história, a fé na Assunção Gloriosa de Maria, a Igreja, para dirimir dúvidas sobre tal, no dia 1º de novembro de 1950, pela autoridade do Papa Pio XII (1939-1958), pronunciou como Dogma de Fé que Maria, ao encerrar seus dias na terra foi elevada aos céus. Tal pronunciamento ex-cathedra, se deu pela Constituição Apostólica, Munificentíssimus Deus… (O Generosíssimo Deus…), que transmite as palavras do Santo Padre Pio XII, em seu número 44, nestes termos: …pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.

Na verdade, sendo Maria “Cheia de Graça” (cf. Lc 1, 28), sem sombra de pecado, quis Deus associá-la à ressurreição de Jesus, respeitadas as proporções, uma vez que Jesus é Homem e Deus e Maria é apenas humana, embora com privilégios tão sublimes em vista dos méritos de Cristo.

O Dogma da Assunção se baseia ainda em Gn. 3,15, onde Deus promete a vinda de uma mulher cuja descêndia esmagará a cabeça da maligna serpente. A vitória total sobre o mal está também presente em várias partes da literatura paulina, como em I Cor 15,21-26.54-57, que justificam a preservação de Maria da corrupçao da morte.

O Documento não entra na questão se Maria morreu ou se foi arrebata em vida como aconteceu com Elias (cf. II Reis, 2,9-11). Apenas afirma que seu corpo não passou pela corrupçao da morte. Portanto, o costume de se realizar a festa do trânsito de Maria, ou seja, a solenidade de seu enterro, é legítimo e em nada contradiz a fé. E certamente belo tal costume, uma vez que a associa ainda mais de perto a Jesus que morreu, ressuscitou e subiu ao céu em corpo e alma.

A festa da Assunção de Maria é celebrada pelos católicos e ortodoxos a 15 de agosto e seu trânsito a 14 do mesmo mês, sendo que os ortodoxos a chamam de Festa da Dormição de Maria e dão-lhe ainda maior solenidade, jejuando durante os 14 dias que a precedem. Entre os protestantes, embora não incluam a Assunção de Maria em seu corpus doctrinarum, algumas correntes celebram o dia 15 de agosto como homenagem à Mãe de Jesus. Os anglicanos a têm como Dormição da Abençoada Virgem Maria. Os luteranos a horam, neste dia, como Maria, a Mãe do Senhor. Heinrich Bullingere, primeiro sucessor de Zuinglio na Suiça, acreditava na Assunção de Maria e pregava que ela foi elevada aos céus pelos anjos.

Ó Maria Concebida sem pecado, Senhora da Assunção e da Glória, rogai por nós que recorremos a vós!

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

Veja Também