“Voz dos sem voz”: Papa agradece trabalho da revista “Mundo e Missão”

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O Papa Francisco recebeu em audiência nesta quinta-feira (13), os editores e colaboradores da revista “Mundo e Missão” do Pontifício Instituto de Missões Estrangeiras (P.I.M.E.), que comemora seus 150 anos de fundação.

Segundo o Papa, impressiona a atualidade, a modernidade, o horizonte dessa iniciativa, que desde o início expressa e promove uma Igreja “em saída”. “Sim, quando você sai você permanece jovem. Se você fica sentado ali, sem ir, envelhece rápido!”.

O Pontífice ressaltou que a revista foi criada para responder a uma necessidade do povo de Deus: muitos queriam ler as histórias dos missionários, sentir-se próximo deles e de suas obras, acompanhá-los com a oração. Também queriam conhecer os países e as culturas de uma forma diferente, com um olhar cristão, respeitoso e atento às “sementes” da verdade e do bem espalhadas por todo a mundo.

Francisco fez questão de homenagear a memória do padre Giacomo Scurati, primeiro diretor, e seus colaboradores. Segundo o Papa, eles compreendiam o valor da comunicação na missão, antes de tudo para a própria Igreja, para ser extrovertida e plenamente envolvida na evangelização, toda missionária, toda evangelizadora.

Um olhar amplo

“Desde o início, portanto, a revista foi portadora de um olhar amplo, aberto às riquezas de cada povo e de cada Igreja local. E esta continua a ser a vocação da “Mondo e Missione”, como foi “renomeada” em 1969, para assumir o espírito e os ensinamentos do Concílio Vaticano II sobre a missão das nações”, ressaltou o Papa.

Francisco afirmou que, por muitos anos, as cartas e crônicas dos missionários reproduziram fielmente os contextos e a vida das populações com as quais entraram em contato. Ainda hoje as reportagens e depoimentos diretos representam o personagem mais típico da revista, graças a histórias de lugares ou posições de que poucos falam: periferias geográficas e existenciais.

“As distâncias diminuíram, é verdade, mas os “costumes” ideológicos se multiplicaram. E então o desafio ainda hoje é ir até lá para dar a conhecer a beleza e a riqueza das diferenças, mas também as muitas distorções e injustiças de sociedades cada vez mais interconectadas e ao mesmo tempo marcadas por fortes desigualdades”, ressaltou o Papa.

Ser a voz dos sem voz

Francisco reiterou que ser a voz dos sem voz é uma tarefa primordial da revista, assim como outras iniciativas que o PIME tem promovido no campo da comunicação. Todas as formas de dizer ao mundo, colocando-se do lado daqueles que não têm o direito de falar ou não são ouvidos, dos mais pobres, das minorias oprimidas e das vítimas de guerras esquecidas. “As guerras esquecidas”, sublinhou o Papa.

“Hoje estamos todos preocupados, e é bom que esteja, de uma guerra aqui na Europa, à porta da Europa e na Europa, mas há anos que há guerras: mais de dez anos na Síria, pensem no Iémen, pensem de Mianmar, pense na África. Estes não entram, não são da Europa culta… As guerras esquecidas são uma pena, esquecê-las assim”.
Francisco também recordou aqueles que trabalham silenciosa e tenazmente “de baixo” para construir um mundo diferente, traçando caminhos de solidariedade e reconciliação em contextos marcados por crises ou violências.

A missão está no centro

Segundo o Papa, a revista missionária tem também outra tarefa específica que a caracteriza: a de ajudar a reconhecer que a missão está no centro. Trata-se de mostrar o Evangelho, encontrando diferentes povos e culturas, e levar todos os dias às pessoas novidade e frescor.

A revista também cria diálogo e amizade com aqueles que professam outras religiões, observou Francisco, reconhecendo-se como filhos do único Pai. Porque a realidade é melhor vista das periferias. Por isso, o Papa lhes agradeceu de uma forma particular.

Por fim, Francisco reiterou que, num mundo infelizmente marcado por tantas feridas, esta é a razão que depois de 150 anos leva a realizar ainda uma revista como Mundo e Missão: dar voz à esperança que o encontro com Cristo semeia na vida de indivíduos e povos. “Prossiga! Fiéis às vossas raízes, atentos aos sinais dos tempos e abertos ao futuro de Deus”.

Fonte: Site Vatican News

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