Entre os dias 1º e 3 de maio de 2026, Belo Horizonte (MG) sediou o 5º Congresso Vocacional do Brasil – Regional Leste 2, reunindo padres, seminaristas, religiosos, religiosas e leigos na Casa Mãe Acolhedora para refletir sobre a cultura vocacional nas comunidades e aprofundar o estudo do texto-base do Congresso Vocacional Nacional, que acontecerá em setembro, em Aparecida (SP).
Com o tema “Comunidades Vocacionais: encontro, testemunho e missão”, o encontro regional se tornou espaço de partilha, formação e escuta, buscando fortalecer a consciência de que toda a Igreja é vocacionada e chamada à missão. O congresso foi encerrado no domingo, dia 3 de maio, com Missa presidida por Dom Evandro Campos Maria – Bispo Auxiliar de Belo Horizonte.
A Arquidiocese de Juiz de Fora esteve representada pelo Pe. Miguel Souza Lima Campos, Assessor Arquidiocesano da Pastoral Vocacional, pelo Pe. Elílio de Faria Matos Júnior, Formador do Seminário Santo Antônio, pelo Seminarista Antônio Gabriel e pelo Catequista Ricardo Parreiras, da Paróquia São João Nepomuceno.
Mais do que discutir vocações específicas, como o sacerdócio e a vida religiosa, o congresso buscou ampliar o olhar sobre o chamado de Deus presente em toda a vida da Igreja. A proposta central foi reforçar que a vocação está no coração da experiência cristã e deve ser cultivada em todas as pastorais, movimentos e comunidades.
O Pe. Miguel destacou que o principal objetivo do congresso foi incentivar uma verdadeira cultura vocacional dentro das paróquias e comunidades. “Não é uma preocupação apenas de fundar ou de que cada comunidade tenha uma equipe vocacional, mas vai além disso: que a paróquia e a comunidade sejam vocacionais. Que sejam pessoas que trabalham, servem e participam da comunidade, mas que também se reconheçam chamadas por Deus”, afirmou.
Segundo ele, o congresso procurou reforçar que missão e vocação caminham juntas. “A missão não existe sem vocação. É fazer com que essa espiritualidade e essa identidade do cristão, que é ser vocacionado e chamado à missão, aconteçam nas nossas comunidades”, refletiu.
O sacerdote também ressaltou a importância da participação da Arquidiocese de Juiz de Fora no encontro regional, especialmente pelo caráter de escuta e troca de experiências entre as dioceses de Minas Gerais. “Foi uma via de mão dupla. Nós demos a nossa contribuição, mas também recebemos muito. Nos grupos de partilha, escutamos trabalhos de outras dioceses e isso enriquece muito a gente. Não só pelas opiniões, mas pelas experiências práticas, pelas atividades que têm acontecido em outras realidades”, explicou.
O congresso contou ainda com reflexões conduzidas por especialistas na área vocacional, entre eles o Pe. Marcelo Ribeiro, membro da Comissão Teológica do V Congresso Vocacional do Brasil, e a Irmã Maristela Ganassini, Assessora da CMOVIC – Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada.
Formação, testemunho e acompanhamento

Para o Pe. Elílio, o encontro reforçou a compreensão de que a Igreja é essencialmente vocacional. “Foi uma experiência muito rica e fecunda, que ajudou a aprofundar a consciência de que a Igreja nasce do chamado de Deus e existe para colaborar com Ele na realização do seu Reino”, afirmou.
Ele ressaltou que todos os batizados são chamados a responder ao dom recebido de Deus em suas próprias vidas e destacou a importância do acompanhamento vocacional nas comunidades.
“Destacou-se a importância de a Igreja, como verdadeiro celeiro de vocações, saber acompanhar os fiéis em seu discernimento, oferecendo apoio, incentivo e espaços concretos onde possam escutar, amadurecer e viver sua vocação”, disse.
O Seminarista Antônio Gabriel, que neste ano atua na Pastoral Vocacional e cursa o 1º ano de Teologia, também partilhou os frutos da experiência vivida durante o congresso. Segundo ele, um dos pontos mais marcantes foi perceber a necessidade de cuidado e acompanhamento contínuo das vocações dentro das comunidades.
“Vocação que não se forma, se deforma. Então é importante sempre olharmos para a nossa vocação com amor, atenção e cuidado”, destacou.
Ele afirmou que o congresso fortaleceu ainda mais sua caminhada vocacional ao recordar que a vocação nasce do amor de Deus e deve gerar novos frutos. “A vocação é um chamado de amor, daquele que nos ama e nos chama para uma missão. Quando vivemos uma vocação fria, não cativamos ninguém. Por isso, precisamos cuidar da nossa vocação e da vocação do outro para que ela possa gerar novos frutos no coração das pessoas”, pontuou.
Antônio Gabriel também destacou a riqueza da comunhão entre as diversas dioceses presentes no encontro. “Foi muito bonito ver a união da Igreja. Dos diversos sotaques, realidades e modos de ser Igreja, estamos juntos, caminhando juntos nessa sinodalidade, partilhando juntos a Palavra e o pão”, afirmou.
Representando os leigos da Arquidiocese, o catequista Ricardo Parreiras ressaltou a importância do discernimento vocacional maduro e do testemunho cristão dentro das comunidades.
“A descoberta da identidade vocacional é fundamental para que a pessoa reconheça o seu dom e se veja nele. O apoio da comunidade de forma acolhedora faz toda a diferença para que aconteça o verdadeiro pertencimento”, destacou.
Ele também chamou atenção para o testemunho dado pelos próprios cristãos no cotidiano. “Nós, cristãos, que amamos a Igreja e pertencemos à comunidade, precisamos ser verdadeiras testemunhas, pois o nosso comprometimento se revela em nossas atitudes”, ressaltou.

Para Ricardo, o congresso também serviu como incentivo para fortalecer lideranças nas paróquias e desenvolver um trabalho de acolhida, escuta e acompanhamento das novas vocações.
O encontro regional integra a preparação para o 5º Congresso Vocacional do Brasil, que será realizado de 4 a 6 de setembro de 2026, em Aparecida (SP), reunindo representantes de todo o país para refletir sobre o papel das comunidades na promoção das vocações e da missão da Igreja.