Primeiro discurso do Papa em terras malgaxe: encontro com as autoridades

*Papa encontro com as autoridades (Vatican Media)
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Depois de ter visitado, por três dias, Moçambique, Papa Francisco foi acolhido, no Aeroporto de Antananarivo, em Madagascar, pelo presidente da República, Sr. Andry Rajoelina, acompanhado pela primeira-dama. Crianças com vestes tradicionais ofereceram flores ao Pontífice. Mais de 300 fiéis estavam no aeroporto para acolhida, animados por um coral de adolescentes. Não houve discursos.

O dia do Santo Padre teve início com a celebração da Santa Missa, em privado, na Nunciatura Apostólica em Antananarivo, capital de Madagascar. A seguir, o Papa se transferiu, de automóvel, ao Palácio Presidencial, a quase 20 km, para uma Visita de Cortesia ao Presidente malgaxe. Depois, no vizinho Centro de Cerimônias, manteve um encontro com as Autoridades, civis e religiosas, representantes da Sociedade Civil e de algumas Confissões Religiosas e o Corpo Diplomático.

Após a saudação do Presidente da República, Francisco pronunciou seu discurso, citando, inicialmente, o preâmbulo da Constituição do país, onde se destaca um dos valores fundamentais da cultura malgaxe: o fiha-vanana, que evoca o espírito de partilha, ajuda mútua e solidariedade, mas, também a importância dos laços familiares, da amizade e da benevolência entre os homens e para com a natureza. E o Papa continuou:

“Assim se revelam a ‘alma’ do seu povo e os traços peculiares, que o caracterizam, constituem e lhe permitem resistir, corajosa e abnegadamente, às múltiplas contrariedades e dificuldades que tem de enfrentar diariamente. Devemos reconhecer, valorizar e apreciar esta terra abençoada, pela sua beleza e inestimável riqueza natural, mas também a sua ‘alma’, que dá a força para se comprometer com a aina, a vida”.

Depois da independência, explicou o Papa, esta nação aspira à estabilidade e à paz, implementando uma alternância democrática positiva, que testemunha respeito pela complementaridade dos estilos e projetos. Isto demonstra que “a política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem, quando é vivida como serviço à coletividade humana”.

“Por isso, completou Francisco, a função e a responsabilidade política constituem um desafio permanente para os que têm a missão de servir e proteger os seus compatriotas, especialmente os mais vulneráveis, e promover as condições para um desenvolvimento digno e justo, envolvendo todos os atores da sociedade civil”. E exortou:

“Nesta perspectiva, encorajo-os a lutar, vigorosa e decididamente, contra todas as formas endêmicas de corrupção e especulação, que aumentam a disparidade social, e a enfrentar as situações de grande precariedade e exclusão, que geram sempre condições de pobreza desumana”.

“Daí, afirmou o Papa, a necessidade de se estabelecer mediações estruturais, que possam garantir uma melhor distribuição da renda e a promoção integral de todos, especialmente os mais pobres. Tal promoção não se pode limitar a uma mera assistência, mas requer uma participação plena na construção do futuro do país”.

“Mas, recordou Francisco, não se pode falar de desenvolvimento integral sem prestar atenção e cuidar da nossa Casa Comum. Não se trata apenas de buscar instrumentos para preservar os recursos naturais, mas soluções integrais para a única e complexa crise socioambiental”. A propósito, o Papa recordou:

“A linda ilha de Madagascar é rica de biodiversidade vegetal e animal, uma riqueza ameaçada pelo excessivo desflorestamento, em proveito de poucos. A sua degradação compromete o futuro do país e da nossa Casa Comum”. As florestas, ainda existentes, acrescentou o Papa, “estão ameaçadas pelos incêndios, a caça furtiva, a derrubada desenfreada de madeiras preciosas, o contrabando e as exportações ilegais. Por isso, é preciso criar condições para respeitar o meio ambiente e ajudar as pessoas a sair da pobreza”.

Por isso, afirmou: “Não pode haver verdadeira abordagem ecológica nem uma ação concreta de salvaguarda do meio ambiente sem uma justiça social, que garanta o direito ao destino comum dos bens da terra às gerações atuais e às futuras. Todos nós devemos nos comprometer neste caminho, inclusive a comunidade internacional”.

“A globalização econômica, cujas limitações são cada vez mais evidentes, frisou Francisco, não deveria levar a uma uniformização cultural. O próprio povo deve assumir, aos poucos, seu controle, tornando-se artífice do seu destino”.

O Santo Padre concluiu seu discurso, citando a Beata Vitória Rasoa-manarivo, beatificada por São João Paulo II, em sua visita ao país há trinta anos. Seu testemunho de amor pela sua terra e suas tradições, o serviço aos mais pobres, como sinal da sua fé em Cristo, indicam-nos o caminho que devemos percorrer. Por fim, o Papa referiu-se à obra da Igreja católica no país:

“Desejo reafirmar a vontade e a disponibilidade da Igreja Católica em Madagascar de contribuir, em diálogo permanente com os cristãos das outras confissões e religiões e com a sociedade civil, para o advento de uma verdadeira fraternidade, que valorize a promoção e o desenvolvimento humano integral de todos, sem nenhuma exceção e exclusão”.

*Fonte: Site do Vatican News

Veja Também