A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou, de 15 a 24 de abril, a 62ª Assembleia Geral (62ª AG CNBB), no Santuário Nacional de Aparecida.
O encontro foi marcado por uma programação extensa que trouxe à pauta central a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), além de outros temas, informes e atividades da Conferência e dos organismos eclesiais.
Na manhã desta sexta-feira, 24 de abril, a presidência da CNBB concedeu entrevista coletiva aos veículos de imprensa. Na oportunidade, o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência, dom Jaime Cardeal Spengler, abordou o tema central da 62ª AG.
A corresponsabilidade com a missão da Igreja
Dom Jaime Spengler celebrou a aprovação novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE), que foram construídas ao longo de três anos com o trabalho intenso de uma comissão. Além disso, destacou que as propostas dos bispos enriqueceram o texto, que chegou ao final com cerca de 1,5 mil contribuições, emendas e sugestões.
“Chegamos a um texto que, eu imagino, reflete as necessidades da obra da evangelização hoje no território. O texto está dividido em seis capítulos. O primeiro, a igreja compreendida como tenda do encontro. A tenda acolhe todos. A tenda pode ser sempre de novo alargada de acordo com as necessidades”, disse.
O presidente da CNBB ainda lembrou que as novas DGAE estão alinhadas ao documento final do Sínodo 2021-2024 e são a marca da recepção do processo sinodal na Igreja Católica presente no Brasil. “O sexto capítulo expressa os nossos compromissos sinodais. Por que esse capítulo é importante? Porque havia uma decisão por parte não só da Assembleia, mas da equipe, de que estas diretrizes estivessem em sintonia com as decisões do Sínodo. Mas ainda, que elas expressassem a atuação do Sínodo nas nossas realidades locais. E aqui então tratamos dos três grandes compromissos sinodais: conversão das relações, dos processos e dos vínculos”, concluiu.
Brasil será sede de encontros nacionais e continentais
O arcebispo de Goiânia (GO) e primeiro vice-presidente da CNBB, dom João Justino de Medeiros Silva, detalhou a agenda de grandes eventos que serão realizados no Brasil. No ano de 2027, de 20 a 24 de julho, a diocese de Cachoeiro do Itapemirim (ES), vai acolher o 16º Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Dom João Justino detalhou a organização do 19º Congresso Eucarístico Nacional (CEN), que vai acontecer de 03 a 07 de setembro de 2027, em Goiânia (GO). Com o tema “Hóstias vivas no mundo, para a glória do Pai”, o evento reafirma a centralidade da Eucaristia na vida cristã. Ele ainda abordou o 7º Congresso Americano Missionário (CAM 7), agendado para novembro de 2029, em Curitiba (PR).
Com o tema “ América em saída, povo de Deus que anuncia e testemunha Jesus Cristo”, o CAM 7 terá a participação de delegações de 22 países. Dom João Justino pontuou duas ações que foram aprovadas episcopado na 62ª AG: a realização de um Ano Missionário Nacional entre novembro de 2028 e novembro de 2029, além de uma coleta para subsidiar o evento.
Mensagens da 62ª AG CNBB
O arcebispo de Olinda e Recife (PE) e segundo vice-presidente da CNBB, dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, apresentou as quatro mensagens aprovadas pela Assembleia: ao Papa Leão XIV, ao prefeito do Dicastério para os Bispos, ao povo de Deus, com destaque para a carta direcionada a todo o povo brasileiro, que aborda a complexa realidade sociopolítica do país.
“Tratamos das problemáticas sociais e damos um pouco de destaque ao tema das eleições, pedindo a ética na política, que se deve evitar compra e venda de votos e que se deve buscar, com critérios éticos objetivos, votar em pessoas que de fato possam melhorar o nível ético do nosso país”, salientou.
Dom Ricardo ressaltou a inovação e a logística da 62ª AG
O bispo auxiliar de Brasília (DF) secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, ressaltou o desafio logístico de gerir o maior episcopado do mundo e as inovações tecnológicas implementadas nesta 62ª AG. Ele abordou o uso de dispositivos digitais para votações e a criação de um centro de dados para a Igreja no Brasil.
“Demos um passo na tecnologia. Praticamente em todas as votações utilizamos dispositivos para que agilizasse as votações. Tivemos a aprovação muito importante de um centro de dados da Igreja Católica no Brasil, onde nós estamos elaborando esta importante plataforma para que a fonte dos dados da Igreja do Brasil seja fidedigna e a partir da realidade das dioceses”.
Dom Ricardo já lembrou que a CNBB logo vai iniciar o planejamento da edição de 2027 da Assembleia. “E assim, estamos já prevendo a próxima Assembleia, que será eletiva, trazendo o máximo de tecnologia também para agilizar os processos”.
Todos os membros da presidência fizeram questão de agradecer aos profissionais da imprensa pelo trabalho de cobertura e reverberação dos trabalhos da 62ª Assembleia Geral da CNBB.
Fonte: CNBB