Pe. Zezinho sobre marketing perigoso: “escutamos pessoas erradas na política e na religião”

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Faz parte de uma série de sete livros escritos sobre Comunicação das Igrejas, afirma Pe. Zezinho, sobre sua mais recente obra que contou com a colaboração de José Fernandes Oliveira e da editora Santuário. Na verdade, a cadeira universitária intitulada “Prática e Crítica de Comunicação das Igrejas”, ministrada por Pe. Zezinho por mais de 30 anos, gerou análises como o confronto entre as religiões, uma “comunicação confusa entre uma e outra”. A partir da sala de aula e agregando estudos sobre o tema no Brasil, Pe. Zezinho lançou o “livro popular” em abril, resultado de 6 anos de pesquisa.

“ Com o título ‘Meu Cristo é mais Cristo do que seu Cristo… Leituras da fé para quem mais ouve do que lê’, as pessoas estão gostando muito. Eu fui ofendido muitas vezes por causa disso, pois o meu Cristo não era tão Cristo, como o Cristo de verdade igual ao deles. Porque o Cristo deles era melhor, só que eles usavam palavrão, agrediam, ofendiam, como também acontece com partidos. Então, na política e na religião hoje, está havendo essa ideia de que ‘eu sou mais honesto que você’. ‘Eu desafio qualquer um a ser mais honesto do que eu’. Quem começa essa conversa está precisando de tratamento, de psiquiatra, porque ninguém pode sair dizendo por aí que ‘sou mais honesto do que você’. Ou ‘eu sou mais Cristo do que você’, é outro que precisa de psiquiatria. O melhor é aquele que diz assim: ‘somos irmãos e admito que você sabe mais do que eu’. Parece que isso é cristianismo, o resto é coisa de psiquiatra. ”

O marketing cristão motivado pelo Papa

O Pe. Zezinho segue sua reflexão abordando a origem do livro e desse confronto que partiu da própria imprensa com o marketing ruim. Mas o autor também oferece saídas positivas, tanto em âmbito religioso, como político, com o marketing cristão.

“Escutamos as pessoas erradas, na política e na religião. E isso foi a mídia que causou com seu aspecto perigoso que é o marketing. Ele é bom se for bem usado, se não, ele vai sempre dizer que o seu lado é melhor e o outro não presta tanto. Dá pra fazer marketing maduro na política: nossos partidos não concordam em tudo, mas dá pra gente fazer um governo de coalizão. Com as igrejas, dá pra fazer um encontro ecumênico no estádio, como o Papa faz com as outras igrejas. Isso é um marketing positivo e cristão. E depois existe o outro: minha Bíblia é melhor do que a sua. Isso é doença. Quem faz isso não entendeu nada. Igual movimento de Igreja: eles falam como se tivessem conhecido Jesus e coitado do outro, ainda não. Ele não ora em línguas. E daí? O Papa também não. Quer dizer que o Papa não tem preparo? A maioria dos bispos não faz isso. […]”

“ Você tem o direito de se expressar, mas respeite a minha maneira de expressar. Então, o marketing é perigoso porque diz ‘eu sou melhor e tenho mais Cristo do que você’. Todos nós precisamos ter a capacidade de ouvir o outro, de ver o defeito meu e do outro, e as nossas virtudes. ”

Fonte: Site Vatican News

 

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