Na última quinta-feira, 14 de maio, aconteceu a Missa em ação de graças pelos 15 anos de ordenação presbiteral do Pe. João Paulo Teixeira Dias, na Catedral Metropolitana de Juiz de Fora. A celebração, realizada às 19h, reuniu familiares, amigos, fiéis, e clérigos na Igreja-Mãe da Arquidiocese, local onde o sacerdote foi ordenado em 14 de maio de 2011.
A Missa foi concelebrada pelos padres Eder Pereira Luiz — que também celebrava 15 anos de ordenação diaconal — José Maurício de Paula, responsável por apresentar o então jovem João Paulo ao Seminário Arquidiocesano Santo Antônio, Danilo Castro e Everton Fernandes. Também participou da celebração o Diácono Manoel Júnior.
Celebrado no mesmo altar onde recebeu o sacramento da Ordem, o Jubileu de Cristal tornou-se também memória viva da caminhada sacerdotal construída ao longo dos últimos quinze anos, marcados pela dedicação pastoral, pela proximidade com o povo de Deus e pela fidelidade ao ministério.
“A vocação nunca nasce isolada”
A homilia foi proferida pelo Pe. Everton Esmerio Souza Fernandes, Vigário Paroquial em Mar de Espanha (MG) e Senador Cortes (MG). Mais do que um irmão no sacerdócio, Pe. Everton possui uma ligação especial com o homenageado: ele também é afilhado de Pe. João Paulo e reconhece sua própria vocação sacerdotal como fruto do testemunho e do acompanhamento recebido ao longo dos anos.
Ao longo da reflexão, o sacerdote conduziu os fiéis a um exercício de memória, recordando o dia da ordenação presbiteral de Pe. João Paulo. Em um dos momentos mais emocionantes da homilia, Pe. Everton destacou a presença dos pais do sacerdote, Geraldo de Paula Dias (in memoriam) e Maria da Conceição Dias (in memoriam), recordando que a vocação nasce dentro de uma história, de uma família e de uma experiência concreta de amor e fé.
A memória de Dona Maria, falecida no último dia 17 de abril, também esteve presente de forma marcante durante a reflexão. O pregador ressaltou que, embora a saudade permaneça, a fé permite compreender que aqueles que ajudaram a sustentar a vocação sacerdotal continuam presentes “de um modo novo, pleno e definitivo”. Ao recordar a mãe do homenageado, Pe. Everton destacou ainda sua dedicação silenciosa à missão do filho e o amor com que acompanhou toda sua caminhada sacerdotal.
“Permanecei no meu amor”
Durante a homilia, também foi recordado o lema sacerdotal do homenageado — “Alegrai-vos sempre no Senhor” — retirado da Carta de São Paulo aos Filipenses. Segundo o pregador, a frase tornou-se mais do que uma inspiração espiritual: transformou-se em expressão concreta da forma como Pe. João Paulo conduz o ministério, marcado pela serenidade, pela entrega e pela permanência fiel mesmo diante das cruzes da vida sacerdotal.
“Seu ministério, Pe. João Paulo, é marcado de uma maneira muito intensa e de muita entrega por onde passou, talvez seja esse o segredo do seu ministério ao longo desses quinze anos: uma alegria que não foge da entrega, mas nasce exatamente dela”, afirmou Pe. Everton.

Ao refletir sobre a liturgia da festa de São Matias, celebrada naquele dia, Pe. Everton destacou que a Palavra de Deus iluminava de forma especial o jubileu sacerdotal vivido por Pe. João Paulo. Recordando o trecho dos Atos dos Apóstolos que apresenta a escolha de Matias para completar o colégio apostólico, o sacerdote ressaltou que o ministério nasce da iniciativa do próprio Deus e exige, sobretudo, perseverança e fidelidade.
Na sequência, ao meditar o Evangelho de São João, especialmente o convite de Jesus — “Permanecei no meu amor” —, o pregador afirmou que a verdadeira alegria sacerdotal nasce justamente da permanência em Cristo e da entrega cotidiana da própria vida ao serviço do povo de Deus.
Segundo ele, essa fidelidade silenciosa e perseverante tornou-se uma das marcas mais visíveis do ministério do Pe. João Paulo ao longo destes quinze anos de sacerdócio.
Uma vocação fecunda
A dimensão fecunda do ministério de Pe. João Paulo tornou-se ainda mais evidente quando Pe. Everton passou a falar de sua própria história vocacional. Em um dos trechos da homilia, ele recordou o momento em que, ainda jovem, confidenciou ao então pároco o desejo de ingressar no seminário.
Segundo relatou, aquela conversa simples tornou-se decisiva para sua caminhada. Anos depois, já sacerdote, Pe. Everton reconhece que sua vocação foi sustentada e amadurecida pelo testemunho, pela amizade e pela paternidade espiritual de Pe. João Paulo.
“Há quinze anos, Deus o chamava ao altar. E talvez você não imaginasse quantas outras vocações nasceriam, cresceriam e seriam sustentadas através do seu ministério. Entre elas, a minha. […] E, na homilia da minha primeira missa, celebrada no último dia 1º de março, o senhor recordou aquele momento dizendo: ‘Naquela hora compreendi que tinha me tornado responsável por este menino… hoje como padre’. E, talvez, você nem imagine a profundidade que essas palavras carregam dentro de mim. Porque o sacerdócio também é isso: gerar vidas, sustentar vocações, ensinar alguém a ouvir a voz de Deus e ter coragem de responder”, relatou o pregador.
Para Pe. Everton, essa talvez seja uma das maiores alegrias do sacerdócio: perceber que “o amor oferecido nunca se perde; ele floresce, permanece e gera eternidade”.
Ao final da homilia, o sacerdote dirigiu palavras de gratidão ao homenageado. “Gratidão por ter cuidado da minha vocação quando ela ainda era pequena, frágil e cheia de medos […]Que nunca lhe falte a alegria do Evangelho. Que nunca lhe falte a força do altar. Que nunca lhe falte a ternura de Deus nas horas difíceis”, expressou.
O momento foi concluído com um gesto simples, mas carregado de significado: a entrega de um quadro com a foto da imposição das mãos de Pe. João Paulo sobre Pe. Everton no dia de sua ordenação presbiteral. A homenagem sintetizou, em imagem, a dimensão de continuidade do ministério sacerdotal evocada ao longo da celebração.
“Um dia, na Catedral, mãos foram impostas sobre a sua cabeça e o configuraram a Cristo Sacerdote, para sempre. Quinze anos depois, essas mesmas mãos, gastas pelo altar, pela missão e pelo povo, foram também impostas sobre mim. E, naquele momento, mais do que um rito, existia uma história que continuava: um sacerdócio recebido da Igreja e transmitido como dom”, concluiu.
Sob o colo de duas Marias
Após a celebração, os paroquianos também prestaram uma homenagem ao sacerdote. Em uma mensagem marcada pela gratidão e pelo carinho, os fiéis recordaram os quinze anos de sacerdócio como “15 anos de sim, de entrega, de mãos estendidas e coração aberto ao chamado de Deus”.
A homenagem destacou ainda a forte relação de Pe. João Paulo com sua mãe, Maria Dias. Em um dos trechos mais emocionantes, os paroquianos recordaram o papel fundamental desempenhado por ela na caminhada vocacional do filho.
“Foi ela quem te ensinou as primeiras Ave-Marias, quem segurou o terço junto com o senhor, foi força nos momentos de estudo, que chorou de alegria na sua ordenação e quem, em silêncio, ofereceu cada joelho dobrado para que o senhor nunca desistisse do altar”, dizia a mensagem.
Os fiéis também confiaram o sacerdócio do homenageado aos cuidados de Nossa Senhora, pedindo que Maria continue sustentando sua missão sacerdotal “nos dias de sol e nos dias nublados”, sendo colo nos momentos difíceis e força diante dos desafios do ministério. A mensagem definiu Pe. João Paulo como “ponte entre o Céu e a terra” para muitas pessoas ao longo destes quinze anos, especialmente através da Eucaristia, do confessionário, da escuta e do cuidado pastoral.

Ao final da Missa, Pe. João Paulo dirigiu uma mensagem de agradecimento aos presentes e a todos aqueles que acompanharam sua caminhada sacerdotal ao longo destes quinze anos.
“Quero muito agradecer a vocês pelas orações […] Recordo com muito carinho tantas pessoas que acompanharam minha caminhada vocacional desde o início do seminário, de maneira especial a minha família e a minha mãe, Maria Dias, que há poucos dias partiu para o Céu”, afirmou.
O sacerdote também agradeceu a presença dos padres, dos familiares e de todos os fiéis presentes na celebração, concluindo sua mensagem com o lema que acompanha sua caminhada desde a ordenação: “Alegrai-vos sempre no Senhor, eu repito: alegrai-vos”.