Papa Francisco perdoa Padre Cícero Romão Batista, o “Padim Ciço”

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*Texto: Leandro Novaes (Jornal Folha Missionária)

Padre Cícero Romão Batista, popularmente conhecido como “Padim Ciço”, foi perdoado pelo Papa Francisco após mais de cem anos de punição da Igreja Católica. A reconciliação foi anunciada no último dia 13 de dezembro, pelo Bispo da Diocese de Crato (CE), Dom Fernando Panico, que recebeu uma carta do Vaticano anunciando a decisão do Santo Padre.

Padre Cícero foi afastado da Igreja Católica após um episódio ocorrido em 1889, que ficou conhecido como “o milagre da hóstia”, no qual uma hóstia dada pelo sacerdote à beata Maria de Araújo teria se transformado em sangue. Existem relatos de que este “milagre” teria se repetido mais de 200 vezes durante um ano.

Desde então, Padre Cícero foi proibido de confessar, pregar e ministrar os sacramentos, além de também não poder celebrar missas. Em 1986, o Santo Ofício determinou que ele deixasse a cidade de Juazeiro do Norte (CE), sob pena de excomunhão. As punições a Padre Cícero continuaram até 1926, quando foi suspenso pela Igreja em caráter definitivo, tendo sido retiradas as suas ordenações.

A reconciliação, solicitada há nove anos por Dom Fernando Panico, é o primeiro passo para a reabilitação de Padre Cícero. O documento assinado pelo Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, relata que a carta foi “redigida por expressa vontade de Sua Santidade o Papa Francisco, na esperança de que vossa excelência reverendíssima não deixará de apresentar à sua Diocese e aos romeiros do Padre Cícero a autêntica interpretação da mesma, procurando por todos os meios apoiar e promover a unidade de todos na mais autêntica comunhão eclesial e na dinâmica de uma evangelização que dê sempre e de maneira explicita o lugar central a Cristo”.

No resumo da carta, Pietro Parolin diz que “é inegável que o Padre Cícero Romão Batista, no arco de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo”.

“O afeto popular que cerca a figura de padre Cícero pode constituir um alicerce forte para solidificação da fé católica no ânimo do povo nordestino (…). Portanto, é necessário, nesse contexto, dirigir nossa atenção ao Senhor e agradecê-lo por todo o bem que ele suscitou por meio do Padre Cícero”, relata outro trecho do documento.

A íntegra da carta foi lida durante uma missa em Juazeiro do Norte (CE), no último dia 20 de dezembro, para uma multidão de mais de 100 mil fiéis.

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