Papa Francisco em Chipre e na Grécia: Peregrinação às fontes por fraternidade e comunhão

Papa Francisco na Catedral Ortodoxa de Nicósia/Foto: Vatican Media
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O Papa Francisco concluiu nesta segunda-feira a sua 35ª viagem apostólica. Na quinta-feira, o Papa iniciou a jornada rumo à cidade de Larnaca, no Chipre, seguindo para a capital Nicósia. No sábado, Francisco viajou para a Grécia, onde esteve na capital, Atenas, e também em Lesbos. Nesses cinco dias, vários compromissos marcaram a “peregrinação às fontes” da fraternidade e da Europa, uma vez que Chipre representa “um ramo da Terra Santa no continente”, enquanto “a Grécia é a pátria da cultura clássica”. Além da fonte da humanidade, no encontro com migrantes em Lesbos.

Nas pegadas de Barnabé

Após acolhida oficial no aeroporto de Lanarca, o primeiro compromisso do Papa foi um encontro com sacerdotes, religiosos e religiosas, diáconos, catequistas, associações e movimentos eclesiais de Chipre na Catedral Maronita de Nossa Senhora das Graças, em Nicósia. Na ocasião, agradeceu pelo ministério e serviço desses agentes eclesiais, e de forma particular às irmãs pela obra educativa nas escolas “lugar de encontro, de diálogo, de aprendizagem da arte de construir pontes”. Também agradeceu pela proximidade às pessoas, “especialmente nos contextos sociais e laborais onde é mais difícil”.

O Papa manifestou alegria em caminhar como peregrino pelas pegadas “do grande apóstolo Barnabé, filho deste povo, discípulo enamorado de Jesus, intrépido arauto do Evangelho que, ao passar pelas comunidades cristãs recém-nascidas, se regozijou vendo a graça de Deus em ação «e exortou-os a todos a que se conservassem unidos ao Senhor, de coração firme» (At 11, 23).

Francisco ressaltou a diversidade que há na Igreja no Chipre e partiu da história e missão de Barnabé para uma partilha sobre a paciência e a fraternidade.

“Queridos irmãos e irmãs, temos necessidade duma Igreja fraterna, que seja instrumento de fraternidade para o mundo. Aqui, em Chipre, existem muitas sensibilidades espirituais e eclesiais, histórias de proveniência diversas, de diferentes ritos, de várias tradições. Mas não devemos sentir a diversidade como uma ameaça à identidade, nem devemos tornar-nos ciumentos e apoquentar-nos com os respetivos espaços”, disse o Papa.

Mais tarde, Francisco encontrou-se com autoridades, representantes da sociedade civil e o corpo diplomático, no Palácio Presidencial de Nicósia. Na oportunidade, falou do país como “encruzilhada de civilizações” que traz em si “a vocação inata ao encontro, favorecida pelo caráter acolhedor dos cipriotas”. No Chipre, “uma pérola de grande valor no coração do Mediterrâneo”, é onde se encontram Europa e Oriente, e onde “começou a primeira grande inculturação do Evangelho no continente”.

Fraternidade que descende do mesmo ardo apostólico

Na sexta-feira, ocorreu o encontro com o Santo Sínodo, na catedral Ortodoxa em Nicósia. Francisco recordou a origem apostólica comum entre católicos e ortodoxos, uma vez que Paulo passou por Chipre e, depois, chegou a Roma. “Por isso descendemos do mesmo ardor apostólico e interliga-nos um único caminho: o do Evangelho. Por isso, me comprazo em ver-nos caminhar na mesma estrada, à procura duma fraternidade cada vez maior e da plena unidade”.

Francisco destacou a comunhão apostólica entre as duas Igrejas Cristãs no trabalho conjunto na caridade, na educação, na promoção da dignidade humana, e ainda na partilha de lugares de culto, como a igreja da «Toda Santa da Cidade de Ouro».

“A nossa Igreja é mãe, e uma mãe sempre reúne os seus filhos com ternura. Tenhamos confiança nesta Mãe Igreja, que a todos nos reúne e, com paciência, ternura e coragem, faz-nos avançar no caminho do Senhor”, motivou o Papa.

 Francisco também recebeu uma visita cortesia do arcebispo ortodoxo de Chipre, Sua Beatitude Chrysostomos II e participou de uma oração ecumênica com migrantes na Igreja paroquial de Santa Cruz em Nicósia. O Papa presidiu a missa no “GSP Stadium”.

Grécia, memória da Europa

No sábado, o Papa partiu para Atenas, na Grécia, para a segunda etapa de sua viagem. Depois da cerimônia de boas-vindas no Palácio Presidencial de Atenas, o Pontífice se dirigiu às Autoridades para manifestar sua alegria de visitar “estes lugares que superabundam de espiritualidade, cultura e civilização”. “Sem Atenas e sem a Grécia, a Europa e o mundo não seriam o que são”, disse Francisco, citando autores clássicos, como Aristóteles, Sócrates e Homero.

Encontro com autoridades, sociedade civil e corpo diplomático em Atenas/ Foto: Vatican Media

Da Grécia, afirmou o Papa, dilataram-se os horizontes da humanidade rumo ao Alto: do Monte Olimpo à Acrópole e ao Monte Athos, partiu o convite ao ser humano de cada tempo a orientar a viagem da vida para Deus. Por ali passaram as vias do Evangelho, que foi escrito em grego, língua imortal usada pela Palavra – pelo Logos – para se expressar. Em seu discurso, Francisco também falou de compromissos frente às mudanças climáticas e definiu a Grécia como memória da Europa.

Renovar a comunhão apostólica

Seguindo o roteiro, Francisco visitou Sua Beatitude Ieronymos II, arcebispo de Atenas e de toda a Grécia, no Arcebispado Ortodoxo da Grécia, em Atenas. Ele é a máxima autoridade religiosa do país, de maioria ortodoxa e com apenas 10% da população católica.

“Venho como peregrino com grande respeito e humildade, para renovar a comunhão apostólica e alimentar a caridade fraterna”, disse Francisco, que propôs o desenvolvimento conjunto de “formas de cooperação na caridade” e abertura e colaboração “em questões de caráter ético e social para servir as pessoas do nosso tempo e levar-lhes a consolação do Evangelho”.

Francisco ainda se encontrou com bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, seminaristas e catequistas na catedral de São Dionísio, em Atenas, e teve um encontro privado com membros da Companhia de Jesus na Nunciatura Apostólica da capital grega.

Refugiados

Na manhã de domingo, o Papa Francisco visitou os refugiados no “Centro de Recepção e Identificação” de Mitilene, capital da ilha grega de Lesbos. Ele esteve na ilha em 2016, quando o drama da travessia do mar tinha o trágico fim para vários migrantes.

Durante o encontro com os refugiados em Lesbos, Francisco disse que, “com amargura, temos de admitir” que a Grécia, “à semelhança de outros, continua sob pressão e que, na Europa, há quem persista em tratar o problema como um assunto que não lhe diz respeito”. “Se queremos recomeçar, olhemos sobretudo os rostos das crianças. Tenhamos a coragem de nos envergonhar à vista delas, que são inocentes e constituem o futuro”, frisou o pontífice.

Na Grécia, o Papa presidiu uma única missa, celebrada no domingo para cerca de dois mil fiéis, na “Megaron Concert Hall”, em Atenas. Ainda no domingo, Francisco recebeu a visita do arcebispo de Atenas Ieronymos II. Ao final deste encontro, com os respectivos séquitos presentes, os dois escreveram breves frases no Livro de Honra. Ieronymos II chamou o Papa de “Santíssimo Irmão de Roma” e o Pontífice agradeceu a ele pela “bondade fraterna, mansidão e paciência”.

Jovens

Nesta segunda-feira, o Papa Francisco teve um encontro com os jovens na Escola das Irmãs Ursulinas São Dionísio em Maroussi, em Atenas. Respondendo a uma jovem que partilhou sobre suas frequentes dúvidas de fé, Francisco a encorajou a não ter medo das dúvidas, as quais não representam falta de fé, mas são vitaminas que ajudam a robustecê-la, tornando-a mais forte, ou seja, mais consciente, mais livre, mais madura.

A fé é precisamente isto: um caminho quotidiano com Jesus, que nos leva pela mão, acompanha, encoraja e, quando caímos, nos levanta. É como uma história de amor, onde se avança sempre juntos, a cada dia; e contudo sobrevêm, como numa história de amor, momentos em que há necessidade de se interrogar, de superar as dúvidas. E é útil, faz subir o nível do relacionamento.

Francisco ainda falou do perdão, um tesouro que a preguiça, o medo ou a vergonha não podem ter permissão de o roubar; chamou atenção para as “mensagens sedutoras e insistentes das sereis de hoje “que apostam em lucros fáceis, nas ilusórias necessidades do consumismo, no culto do bem-estar físico, da diversão a todo o custo.

E salientou sobre a realidade das mídias sociais. “Há tantos hoje que são muito ‘social’, mas pouco sociais: fechados em si mesmos, prisioneiros do celular que trazem na mão, mas no visor falta o outro, faltam os seus olhos, a sua respiração, as suas mãos. Ao invés, como é bom estar com os outros, descobrir as novidades do outro; cultivar a mística do todo, a alegria de compartilhar, o ardor de servir!”

Francisco voltou à Itália, chegando ao final da manhã em Roma.

Fonte: Site da CNBB

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