Papa encoraja Canossianas a voltar pra ‘escola de Maria’, doando-se a Deus e aos pobres

Foto: Site das Filhas da Caridade Canossianas

“Mulheres da Palavra. Como Maria. Porque as mulheres falam sempre, mas é preciso falar como Maria, que é outra coisa. Ela é a mulher da Palavra, é a discípula.”

Com o exemplo da Mãe de Deus e do tema do XVII Capítulo Geral das Filhas da Caridade Canossianas “Mulheres da Palavra que ‘amam sem medida'”, o Papa Francisco abriu o discurso às religiosas do Instituto durante audiência no Vaticano realizada na manhã desta sexta-feira (26). Elas estão em Roma para o encontro que termina em 30 de agosto.

Mulheres da Palavra

“Olhando para ela (Maria), e também conversando com ela na oração, vocês podem aprender sempre de novo o que significa ser ‘mulheres da Palavra’, o que não tem nada a ver com ‘mulheres da fofoca’: por favor, não confundam isto, que não haja a fofoca entre vocês”.

O Pontífice, assim, continuou encorajando as seguidoras de Madalena de Canossa (1774-1835) a acolher a Palavra como Maria e em diferentes fases da vida: quando idosas, ao testemunhar às jovens que, da sua parte, podem compartilhar o entusiasmo das descobertas ressoadas com o Evangelho. Já as mulheres da meia-idade, alertou o Papa, “estão mais em risco, tenham cuidado, heim!”, porque é uma idade de passagem e com algumas armadilhas, inclusive com a facilidade de se “cair no ativismo, mesmo sem se dar conta”:

“Então, não são mais mulheres da Palavra, mas mulheres do computador, mulheres do telefone, mulheres da agenda, e assim por diante. Então, bem-vindo esse lema para todas! Entrar de novo na escola de Maria, para se refocar-se na Palavra e ser mulheres ‘que amam sem medida’. A Palavra, não o ativismo, não … no centro.”

Amar sem medida

Esse ‘amar sem medida’, refletiu o Papa, que “vem do Espírito Santo, não vem de nós, do nosso esforço; vem de Deus, que sempre ama sem medida”. E abrir os corações para a sua ação em nossas vidas, acrescentou Francisco, é a própria santidade – que também faz parte do tema de discussão do encontro das Canossianas. Assim, santidade e missão, “duas dimensões constitutivas da vida cristã e inseparáveis uma da outra”.

Madalena de Canossa

Como fez Madalena de Canossa, guiada pela “docilidade do Espírito” a se doar a Deus, e também aos pobres com o estilo do Senhor que pede “proximidade, compaixão e ternura”: uma missão que começou nas periferias da cidade italiana de Verona, lembrou o Papa. Esse é o segredo da caridade de Cristo que moldou o coração dela segundo o modelo de Maria, uma inspiração que hoje atravessa oceanos já que são cerca de 4 mil Filhas da Caridade em missão pelo mundo:

“Gostei do número de noviças que vocês têm: isso indica fecundidade, fecundidade da congregação. É uma taxa da fecundidade. É uma pena que aqui na Europa haja pouca gente, mas é o inverno demográfico europeu, que em vez de filhos preferem ter cães, gatos, que é um pouco como afeto programado: eu programo o afeto, me dão o afeto sem problemas. E se houver dor? Bem, o veterinário que vem, ponto. E isso é uma coisa ruim: por favor, ajudem as famílias a terem filhos. É um problema humano, e também um problema patriótico.”

O perigo das “Irmãs Reclamonas”

Francisco também lembrou da importância da alegria na missão, um dos frutos do Espírito e sinal do Evangelho, que deve ser testemunhada junto aos mais vulneráveis, mas também dentro da própria comunidade para não se transformar em “Irmãs Reclamonas”:

“Isto não é um bom sinal, porque reclamam: ‘Esta superiora…’, aquilo, aquele problema … Na diocese antiga havia uma irmã que tinha esse hábito de reclamar, e todos a chamavam de ‘Irmã Reclamona’. Nenhuma de vocês é Irmã Reclamona, mas a tentação de reclamar, de criticar… isso fere o corpo, fere. […] A fofoca dói tanto e faz a Palavra de Deus morrer. ‘É difícil, Padre, resolver o problema da tagarelice, porque chega a você, o comentário’. Sim, é como o doce, que vem até você… Mas há um belo remédio, contra a fofoca, e é muito simples: se você tem a tentação de fofocar sobre os outros, morda a sua língua, assim ela se incha bem e você não vai conseguir falar. Entenderam? Por favor, nada de fofoca, isso mata a vida comunitária.”

Assim, o Papa seguiu para o fim do discurso enaltecendo a atenção que se deve ter com a vida comunitária, cuidando “uma da outra, e sem fofoca”. Além disso, Francisco encorajou a praticar a “oração de adoração” que “sabemos o que é, mas não praticamos tanto”, por isso, “não tenham medo de adorar”, enfatizou ele:

“Adorar. Adorar. Em silêncio, diante do Senhor, diante do Santíssimo Sacramento: adorar. Oração de adoração: e aqui novamente vocês podem seguir o testemunho da fundadora.”

Ao final do encontro e depois da bênção às religiosas da congregação de todas as partes do mundo, o Papa inclusive brincou com o tradicional pedido de oração por ele, ao dizer: “por favor não se esqueçam de rezar por mim: rezem a favor, não contra, eh!”.

Fonte: Site Vatican News

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