Que a Igreja na Guiné Equatorial siga com alegria a missão dos primeiros discípulos de Jesus, exortou o Papa Leão XIV na missa presidida por ele nesta quinta-feira, 23, último compromisso de sua viagem ao país. A celebração reuniu cerca de 30 mil fiéis no Estádio de Malabo.
Em sua homilia, o Papa comentou o diálogo entre o eunuco etíope e Filipe que, ao ouvir o eunuco ler a passagem do Profeta Isaías sobre o servo sofredor, pergunta-lhe se compreende o que está lendo. O eunuco responde imediatamente: “Como poderei compreender, sem alguém que me oriente?”.
“Observemos com atenção quem está falando: é um homem rico, tal como a sua terra, mas escravo. Todos os tesouros que administra não são seus: suas são as canseiras, que beneficiam outros. Este homem tem inteligência e cultura, e demonstra-o tanto no trabalho como na oração, mas não é plenamente livre”.
Quando está para voltar à África, sua terra natal, o anúncio do Evangelho o liberta. A Palavra de Deus produz um fruto surpreendente na sua vida: quando encontra Filipe, testemunha de Cristo crucificado e ressuscitado, o eunuco torna-se não apenas um leitor da Bíblia, mas protagonista de uma narrativa que o envolve, porque diz respeito precisamente a ele. O texto sagrado fala-lhe e suscita a sua busca da verdade.
“Ao texto escrito corresponde agora o gesto vivido: recebendo o Batismo, ele já não é um estranho, mas torna-se filho de Deus, nosso irmão na fé. Escravo e sem descendência, este homem renasce para uma vida nova e livre em nome do Senhor Jesus: é do seu resgate que ainda hoje falamos, precisamente ao lermos as Escrituras”, sublinhou. O Papa trouxe esta passagem para a realidade de hoje, lembrando que os fiéis também se tornam cristãos através do Batismo, herdando a mesma luz para ler a Palavra de Deus.
Luz que ilumina a vida
O Papa disse ainda que, na companhia do Senhor, os problemas não desaparecem, mas são iluminados. “Assim como toda a cruz encontra redenção em Jesus, também no Evangelho a história da nossa vida encontra sentido. A sua palavra é para nós Evangelho, e nada temos de melhor para anunciar ao mundo. (…) Como ensinava o Papa Francisco, realmente ‘a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus’”.
Ao mesmo tempo, o Pontífice alertou sobre o risco de uma “tristeza individualista” que brota do coração comodista e mesquinho, quando a vida interior se fecha nos próprios interesses e não há lugar para os outros. “Perante tais fechamentos, é precisamente o amor do Senhor que sustenta o nosso compromisso, sobretudo a serviço da justiça e da solidariedade.”
Por fim, o Papa encorajou todos da Igreja na Guiné Equatorial: “Celebrando juntos a Eucaristia, testemunhai com a vossa vida a fé que salva, para que a Palavra de Deus se torne pão bom para todos”.
*Fonte: Canção Nova