Jubileu 2025 e enchentes no Rio Grande do Sul são temas de reunião da Província Eclesiástica

Na manhã dessa terça-feira, 28 de maio, o Seminário Nossa Senhora de Guadalupe, localizado no Bairro Granbery, em Juiz de Fora, pertencente à Diocese de Leopoldina, recebeu a segunda reunião da Província Eclesiástica em 2024. O encontro foi conduzido pelo Arcebispo de Juiz de Fora e Metropolita, Dom Gil Antônio Moreira, pelo Bispo anfitrião, Dom Edson José Oriolo dos Santos, e pelo Bispo de São João del-Rei, Dom José Eudes Campos do Nascimento. Participaram, na ocasião, os padres que auxiliam os prelados na condução das três dioceses.

Após a oração inicial, o tema que abriu os trabalhos foi o Jubileu Extraordinário de 2025, cujo tema principal será a esperança. O tópico foi abordado pelo Vigário Episcopal para a Educação da Arquidiocese de Juiz de Fora, Padre Everaldo José Sales Borges. “A proposta do Jubileu nos indica que esperança é alguma coisa que está adiante ou nos projeta para adiante. É claro que no Jubileu da Esperança nós temos como primeira missão, num tempo de desânimo, de descrença, às vezes de desespero, de cansaço, suscitar no coração das pessoas, a partir dos preceitos da fé, a esperança para continuar o caminho. A proposta do Jubileu é que sejamos peregrinos constituídos da esperança, formados a partir da esperança que nos foi entregue por Jesus Cristo”, apontou o sacerdote.

Padre Everaldo também falou sobre a vivência do Ano Santo nas (arqui)dioceses. “Para as igrejas particulares, o que se espera é que durante o Jubileu nós tenhamos uma série de reflexões, ensinamentos e aprofundamentos sobre as razões da nossa esperança; que se promovam peregrinações de cidade em cidade, até a alguns santuários; a busca do sacramento da reconciliação. E que as igrejas particulares ajudem a reavivar no coração das pessoas, sobretudo as mais sofridas, o sentimento da esperança, para não desanimarem de viver, mas para acreditarem mais na vida”, pontuou.

Em entrevista, o Arcebispo de Juiz de Fora também falou sobre o Ano Jubilar, celebrado pela Igreja a cada 25 anos. “O Papa abre a Porta Santa na Basílica de São Pedro, mas todas as dioceses do mundo se organizam para fazer a celebração interna. Em nível de Província, há uma ideia de reunir romarias das três dioceses a Juiz de Fora, para celebrarmos aqui o Jubileu do Ano Santo. Também vamos nos organizar para uma romaria às Basílicas Romanas”, contou Dom Gil. O Jubileu 2025 ainda será abordado em um curso de extensão oferecido pelo Seminário Santo Antônio. O tema será a Indulgência Plenária que poderá ser obtida pelos fiéis por ocasião do Ano Santo.

Solidariedade com o Sul do Brasil

O momento mais emocionante da reunião da Província Eclesiástica foi a conversa, através de videoconferência, com Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre (RS) e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O prelado compartilhou com os bispos e padres a situação do estado com as enchentes que começaram há três semanas e ainda atingem muitas cidades.

A palavra inicial de Dom Jaime, contudo, foi de gratidão. “Nesse tempo – já são três semanas -, nós temos experimentado uma solidariedade muito grande de tantos lugares do nosso Brasil. Realmente essa tragédia que se abateu sobre o Rio Grande do Sul fez surgir um sentimento de solidariedade muito bonito em tantos. No estado, são mais de 300 cidades que sofreram as consequências das chuvas”, comentou. De acordo com o presidente da CNBB, algumas cidades foram completamente destruídas e, em outras, a água chegou a oito metros de altura. Ele também falou de paróquias atingidas na Arquidiocese de Porto Alegre. “Nós temos aqui, atualmente, 16 paróquias, sem contar as comunidades, capelas, que ficaram dentro da água. Casas paroquiais, igrejas, capelas, automóveis… porque tudo foi tão rápido!”

Dom Jaime ressaltou, ainda, a atual necessidade dos gaúchos. “Roupas eu diria que não é uma necessidade urgente. Hoje o que nós mais estamos necessitados, sem dúvida nenhuma, é alimentação e kits de higiene e limpeza. Alimentos é uma necessidade muito grande. Daqui a pouco, quando as pessoas puderem retornar para as suas casas, serão colchões, roupas de cama, esse tipo de material.”

Depois de escutar os relatos do Arcebispo de Porto Alegre, Dom Gil, Dom José Eudes e José Edson Oriolo manifestaram sua solidariedade com a Igreja do Rio Grande do Sul e disseram de que forma suas respectivas dioceses procuraram ajudar o Sul do país. “Eu mandei uma carta para todos os sacerdotes da Diocese de Leopoldina para que tanto a paróquia fizesse uma doação quanto os sacerdotes pudessem ajudar em questão de espécie”, contou Dom Edson Oriolo. “O Fundo de Solidariedade, do qual 60% fica na diocese, com a aprovação do clero, nós destinamos toda a quantia para a conta do Regional Sul 3”, compartilhou Dom José Eudes. De Juiz de Fora, segundo Dom Gil, saíram oito caminhões de doações de roupas, água mineral, alimentos, produtos de higiene e limpeza e colchões.

“Muito, muito obrigado por essa proximidade, por esse espírito de comunhão. Eu acho que isso é ser Igreja. E num momento onde nós, às vezes, sentimos um individualismo muito grande, também na prática religiosa, eu acho que essa oportunidade é um sinal de comunhão e de unidade entre nós. Muito, muito obrigado. E não é pela só pela colaboração que tem chegado não! Um momento como este traz alento para nós”, expressou o Arcebispo de Porto Alegre. “Eu deixo duas frases. Primeiro: depois de Deus, o maior dom são os irmãos. Segundo ponto: que nós tenhamos a força, a determinação de cuidar uns dos outros, mas também de nos deixar cuidar uns pelos outros”, finalizou Dom Jaime Spengler.

Após este momento, bispos e padres da Província Eclesiástica partilharam eventos e realizações das três dioceses na vida pastoral e litúrgica. A próxima reunião está agendada para o dia 27 de agosto, no Seminário São Tiago, pertencente à Diocese de São João del-Rei e localizado no Bairro Novo Horizonte, em Juiz de Fora.

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