Intervenção urbana realizada em Juiz de Fora é alvo de questionamentos

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No dia 5 de fevereiro, o Parque Halfeld, localizado no Centro de Juiz de Fora, sediou uma intervenção urbana intitulada “Praia”, em que vários personagens simulavam estar à beira-mar, vestindo roupas de banho. O evento, cuja reapresentação foi suspensa, fez parte de uma série de eventos culturais em lembrança à Semana de Arte Moderna de 1922, que completa 100 anos neste mês.

A ação causou polêmica nas redes sociais e também na Câmara Municipal; alguns vereadores questionaram o uso de recursos públicos e pediram o cancelamento ou adiamento da segunda intervenção.

O escritor Luís Eugênio Sanábio e Souza escreveu um artigo a respeito do evento. Confira:

A arte e o pudor

A verdadeira arte, enquanto manifestação do belo, não é algo irracional e nem incontrolável como erroneamente pensam alguns que promoveram as abusivas manifestações licenciosas no Parque Halfeld. Em Nota, a Comissão Municipal de Incentivo à Cultura (Comic) criticou aqueles que querem “aprisionar a cultura e a arte nos grilhões do pudor”. Ora, tal afirmação é injusta porque o pudor não é escravizante, mas libertador. Não se deve ignorá-lo.

O pudor é uma parte integrante da virtude da temperança. Existe um pudor dos sentimentos, como existe o do corpo. O pudor, por exemplo, protesta contra a exploração do corpo humano em função de uma curiosidade doentia (como em certo tipo de publicidade).  Inspira o modo de vestir e de falar. O pudor inspira um modo de viver que permite resistir às solicitações da moda e à pressão das ideologias dominantes. Orienta os olhares e os gestos em conformidade com a dignidade das pessoas. Ensinar o pudor a crianças e adolescentes é despertá-los para o respeito à pessoa humana.

Diante da difundida e frequente banalização da sexualidade, a sociedade necessita de uma purificação do clima social. Por isso, é justo esperar dos artistas uma manifestação que não ofenda o respeito e a modéstia. Um coração puro liberta a pessoa do erotismo tão difuso e afasta-a dos espetáculos que favorecem o voyeurismo e a ilusão. Na verdade, o que se costuma chamar permissividade dos costumes se apoia numa concepção errônea da liberdade humana; para se edificar, esta última tem necessidade de se deixar educar previamente pela lei moral. Convém exigir dos responsáveis pela educação que deem à juventude um ensino respeitoso da verdade, das qualidades do coração e da dignidade moral e espiritual do homem.

A arte não existe para dividir a sociedade ou para provocar controvérsias, mas sim para unir as pessoas diante do verdadeiro e do belo. É claro que todos devem defender a primazia da ordem moral objetiva, pois é a única que supera e harmoniza todas as demais ordens de atividades humanas, por mais respeitáveis que sejam, não excluindo a da arte. Sou pianista, gosto de pintar e, portanto, sempre valorizei a justa liberdade de expressão artística. Contudo, não se deve confundir liberdade com libertinagem.

Por fim, lembro aqui da seguinte consideração do memorável Papa Montini: “Tudo aquilo que nos modernos meios de comunicação social leva à excitação dos sentidos, ao desregramento dos costumes, bem como todas as formas de pornografia ou de espetáculos licenciosos, devem suscitar a reação franca e unânime de todas as pessoas solícitas pelo progresso da civilização e pela defesa dos bens do espírito humano. Em vão se procurará justificar estas depravações, com pretensas exigências artísticas ou científicas, ou tirar partido, para argumentar, da liberdade deixada neste campo por parte das autoridades públicas” (São Paulo VI: encíclica Humanae vitae nº 22).

*Por: Luís Eugênio Sanábio e Souza – escritor

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