No sábado, 27 de setembro, a Catedral Metropolitana de Juiz de Fora recebeu a Missa de conclusão do tríduo em homenagem ao Monsenhor Miguel Falabella, falecido em novembro de 2020 em decorrência da Covid-19. Presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Gil Antônio Moreira, a celebração foi marcada pela emoção e pelo reconhecimento do legado pastoral e espiritual do sacerdote. Ao final da Eucaristia, seus restos mortais foram trasladados para a Capela da Ressurreição, espaço dedicado aos bispos, em um gesto excepcional que reconhece sua importância para a Arquidiocese.
Em sua homilia, o Pastor Arquidiocesano propôs uma reflexão que uniu três trajetórias: a de São Vicente de Paulo, a do Beato Frederico Ozanam e a de Monsenhor Miguel Falabella. Destacou em cada um deles o modo como a presença de Deus e o peso da cruz marcaram suas histórias.
Sobre São Vicente de Paulo, lembrado liturgicamente no dia 27 de setembro, ressaltou seu espírito de caridade incansável, que unia obras materiais e espirituais de misericórdia. Nascido na França, ordenado jovem e submetido ao cativeiro como escravo no norte da África, Vicente nunca perdeu a fé e transformou o sofrimento em serviço. Fundou a Congregação da Missão, conhecida como Lazaristas, e as Filhas da Caridade, tornando-se referência de amor aos pobres e de formação de novos sacerdotes. “Era um santo no altar e diante do Cristo que sofre na pessoa do pobre”, afirmou Dom Gil.
Ao falar do Beato Frederico Ozanam, fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo em 1833, o Arcebispo destacou sua capacidade de unir a inteligência acadêmica ao compromisso cristão. Como professor universitário, Ozanam incitava seus alunos a reconhecerem Cristo nos pobres, plantando entre os jovens a semente da caridade vicentina. “Ele sofreu humilhações e desprezos, mas permaneceu fiel ao Evangelho e hoje é lembrado como aquele que despertou gerações para o amor a Cristo nos necessitados”, disse.
Na terceira figura, Monsenhor Miguel Falabella, Dom Gil enxergou a concretização do mesmo carisma vicentino em nossa Arquidiocese. “Foi vicentino de coração, apoiava a Sociedade de São Vicente de Paulo e sabia o quanto ela podia fazer pelos pobres. Sempre sorridente, humilde e uma grande companhia, carregava no coração uma admiração profunda pela caridade vicentina”, contou.
Recordando o período da pandemia, o Arcebispo narrou o testemunho de fé do sacerdote em seus últimos momentos: consciente da gravidade da doença, pediu a absolvição, a unção dos enfermos e a indulgência plenária antes da intubação. “Sem cruz não existe Cristo, não existe cristão, não existe sacerdote. Monsenhor Falabella abraçou sua cruz com coragem e fé, e nela encontrou o passaporte para o céu”, ressaltou.
O Reitor do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio, Pe. Antônio Camilo de Paiva, reforçou a imagem de um “sacerdote completo, ombro amigo dos bispos e referência pastoral para o clero e o povo”. Já a Ministra Extraordinária da Sagrada Comunhão, Deuziana Miranda Levasseur, emocionou-se ao recordar os 39 anos de amizade com o Monsenhor: “O que eu sou hoje devo a ele. Foi maravilhoso na minha vida, um verdadeiro amigo”.

A missa, enriquecida pelo coral vicentino, transformou-se em momento de memória e gratidão, unindo o testemunho de São Vicente, Ozanam e Falabella em uma mesma mensagem: a vida cristã só encontra plenitude na aceitação da cruz. “Não é símbolo de derrota”, concluiu Dom Gil, “mas instrumento que nos leva à ressurreição e à Jerusalém celeste, onde nos encontraremos com São Vicente de Paulo, Beato Ozanam e Monsenhor Falabella”.
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