Em live sobre prevenção ao suicídio, Pastoral Familiar é motivada a “exercitar o ver com amor”

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“Viu, sentiu compaixão e cuidou”. O versículo do Evangelho de São Lucas que animou a Campanha da Fraternidade 2020 resume o convite aos agentes da Pastoral Familiar na live sobre prevenção ao suicídio, promovida pelo Setor Casos Especiais da Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF), na noite desta quinta-feira, 17 de setembro. Irmã Maria Couto, religiosa da Congregação das Missionárias do Santo Nome de Maria e psicóloga, foi a convidada para aprofundar a temática na perspectiva da campanha Setembro Amarelo, voltada para chamar atenção sobre saúde mental e prevenção ao suicídio.

Para a religiosa, o trabalho de prevenção, mostrando às pessoas que elas não estão sozinhas, consiste em “ver com amor”. “O olhar de amor não precisa de tantas palavras. Se a pessoa se sentir que foi vista com amor, é o primeiro passo. O amor cura. Quem ama não desiste, encontra caminhos de dizer ‘estou aqui’. Devemos exercitar o nosso ver com amor. Quando Jesus tocava, é porque ele via com amor”, explicou irmã Maria Couto.

A religiosa explicou que o “olhar” é diferente do “ver”. Para ela, à luz da Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10), as pessoas devem não simplesmente olhar para a família, mas vê-la. “Quando a gente olha para essa dinâmica família, qual é o nosso tempo para ver, debruçar?”, questiona. E continua: “quando se trata de relações, devemos ver”, que é uma observação mais focada, próxima.

Olhar Pastoral

A realidade do suicídio, destacada durante este mês de setembro, é uma das cinco principais preocupações do Setor Casos Especiais da Pastoral Familiar. No Brasil, são mais de 12 mil casos, mas sabe-se que esse número é bem maior devido à subnotificação, de acordo com Associação Brasileira de Psiquiatria. A maioria dos casos tem sido entre homens de 15 a 24 anos. Mas, segundo irmã Maria Couto, tem chamado atenção de especialistas a realidade de idosos que não têm suportado a solidão, com aumento nos casos entre 70 e 80 anos de idade.

Neste contexto, a atuação da Pastoral Familiar deve se dar atenta a diferentes questões. Os agentes devem primeiro olhar para suas casas, uma vez que se observa a ação pastoral somente voltada para a família do outro. “Enquanto se olha a do outro, nego a minha. Transfiro para a família do outro aquilo que não consigo resolver na minha”, exemplifica irmã Maria Couto, falando do equilíbrio entre “servir na Igreja Eclesial e na Igreja doméstica”.

Tanto para tratar da temática, quanto para atuar na prevenção ao suicídio, é necessário compreender que não é uma escolha, mas uma doença. “Suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado, com múltiplas determinações, não dá para determinar se é isso ou aquilo. É por isso que requer o ver refinado”, salientou irmã Maria.

A religiosa ressalta que a atuação deve ter preparação prévia e estar livre de preconceitos. “Se não tem o que falar, chegue lá e apenas abrace e não fale nada. Diga somente ‘Estou aqui, você não está sozinho, conte conosco’”, orientou irmã Maria Couto.

“Nós precisamos preparar os nossos agentes e aí não é só em caso do suicídio, em todos os casos de perdas, ausências, de visita ao hospital, precisamos ser força e nunca um peso”, exortou.

A pessoa que comete suicídio ou tem a tendência em atentar contra a própria vida está passando por uma doença e apresenta sinais, os quais devem ser identificados e observados antes de que algo aconteça. Há também que se observar que não é possível saber “a intensidade da dor e do motivo de quem tirou a própria vida”.

“Aí está uma grande responsabilidade para a Pastoral Familiar: como ser presença, mesmo online, para dizer, a gente está aqui, o que a gente pode fazer? Sejam presença, mesmo que silenciosa”, motivou.

Confira a live na íntegra:

Fonte: Site da CNBB

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