“É um dever sagrado ser vacinado”, afirma Arcebispo de Juiz de Fora

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A Pascom Brasil (Pastoral da Comunicação) e a Assessoria de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgaram um vídeo gravado com integrantes da presidência da CNBB promovendo o apoio e a adesão à campanha de imunização contra a Covid-19 em curso no Brasil. Com 30 segundos, o material, que está sendo divulgado no intervalos da programação das emissoras e canais de inspiração católicos do Brasil, tem o mote: “Quando chegar a sua vez, vacine-se!”.

No vídeo, o Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro e Secretário-Geral da CNBB, Dom Joel Portella Amado, o Arcebispo de Porto Alegre (RS) e Primeiro Vice-Presidente da entidade, Dom Jaime Spengler, e o Bispo de Roraima (RR) e Segundo Vice-Presidente, Dom Mário Antônio da Silva, engrossam a fila dos que apoiam e celebram a ciência e a produção de vacinas para a imunização como forma de enfrentar o novo coronavírus.

No mesmo sentido, o Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, gravou um vídeo sobre o assunto. Em sua fala, o pastor ressalta que vacinar-se é um dever sagrado. “Vacinar é um ato de fé e é um ato de caridade, porque nós estamos protegendo toda a nossa comunidade para que o mundo possa voltar a se abraçar, a se cumprimentar, a ter reuniões mais próximas, [para] as nossas igrejas poderem estar cheias”.

Dom Gil ainda alerta sobre aquelas pessoas que, fora dos grupos prioritários, estão furando a fila de vacinação. “Vamos pedir a Deus que não haja nenhum problema na vacinação, vamos pedir a Deus que todos sejam vacinados a seu tempo. Um problema sério é querer correr na frente, furar a fila; isso não é próprio de um cristão. O cristão deve olhar com muita piedade para aqueles que mais precisam da vacina”.

Confira a íntegra do vídeo:

Como os cristãos devem se posicionar diante do cenário da vacinação contra a Covid-19?

Esta é a pergunta que buscou responder a live “Ciência e Fé Católica: Moralidade das vacinas anticovid-19”, promovida pelo Setor Universidades da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da CNBB e pela Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC). O debate e as reflexões buscaram apresentar os posicionamentos da Igreja Católica sobre as vacinas.

O Bispo da Diocese de Rubiataba-Mozarlândia (GO), Dom Francisco Agamenilton, que é membro do Comitê Teológico da SBCC, apresentou sua reflexão a partir da nota “Vacina para Todos: 20 pontos para um mundo mais justo e saudável”, publicada no dia 29 de dezembro de 2020 pela Comissão Vaticana Covid-19 e pela Pontifícia Academia para a Vida.

Quando a comissão do Vaticano fala de vacina para todos, segundo o bispo, ela se baseia nos princípios básicos da Doutrina Social da Igreja: dignidade humana, bem comum, justiça, solidariedade, destinação universal de um bem público, proteção da Casa Comum e a opção da Igreja pelos pobres. “Quando falamos de vacina, estamos falando de vida. E a vida sempre foi objeto de cuidado e atenção da Igreja. Todas as formas de vida e principalmente a vida humana desde a concepção até a morte natural”, disse.

Segundo o bispo, falar de vacina é também falar da vida comunitária, aspecto essencial da vida cristã. “Infelizmente a vacina chegou num contexto em que as pessoas estão demasiadamente individualistas, vivendo cada uma no seu quadrado”, advertiu. “Vacinar-se ou não é uma escolha. Portanto, uma questão ética que nos coloca diante do bem e do mal. O cristão deve tomar a vacina ou não? É moralmente obrigatório ou não? Estas são questões éticas e morais com as quais os cristãos encontram-se envolvidos nestes dias”. De acordo com Dom Francisco, a nota do Vaticano não obriga ninguém a se vacinar, mas suscita um sério questionamento sobre a responsabilidade de cada ser humano na colaboração para promover o bem comum.

O bispo ainda apontou o posicionamento da Congregação para a Doutrina da Fé, que, no dia 21 de dezembro de 2020, disse que é moralmente aceitável utilizar as vacinas contra a Covid-19 que utilizaram linhas celulares de fetos abortados espontaneamente em seu processo de investigação e produção. “Tomar a vacina, para a Doutrina da Fé da Igreja, não significa cometer um pecado e aprovar o aborto”, ressaltou o prelado.

O padre Aníbal Lopes, doutor e membro da pontifícia Academia Pro Vita e da Academia Brasileira de Ciências, salientou ser difícil tratar de casuísmos sem ter a visão ampla do quadro que contém todas as situações. “Se nós somos contra o aborto é porque a vida humana é um bem absoluto. Na questão das vacinas, segundo ele, é preciso se perguntar qual é o mal menor. A vacina não é remédio para pessoas doentes. É um remédio para uma doença que ataca e agride indistintamente a população com graves consequências econômicas”.

*Com informações do site da CNBB

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