Debate sobre “Racismo na Igreja e sociedade” é promovido na internet

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Na última semana a Comunidades Eclesiais de Base (Cebs) promoveu um encontro virtual para sobre o papel dos cristãos e da igreja acerca de um tema muito frequente nos noticiários: o racismo.

A live, ocorrida no dia 30 de junho, teve como convidados Hildete Emanuele, de Salvador (BA) e Dom Zanoni Demettino, Arcebispo de Feira de Santana (BA). Uma professora, especialista em adolescências e Juventudes no mundo contemporâneo, que já atuou na Cáritas Brasileira e o Bispo referencial da Pastoral Afro Brasileira, do ecumenismo e diálogo inter-religioso da CNBB.

A transmissão aconteceu no site da CEBs do Brasil e em seu canal no Youtube, onde está disponível para acesso.

Na Arquidiocese de Juiz de Fora, uma paróquia desenvolve há mais de 20 anos um trabalho sobre o tema. Na Paróquia São Pio X existe a Pastoral Afro-brasileira Axé Criança. Em 1997, lideranças negras, como Cirene Candanga e Helena de Oliveira, iniciaram um trabalho com o então pároco local, padre Guanair dos Santos. A iniciativa contou com a participação de diversas lideranças que acreditavam ser necessário um espaço pastoral para que o povo negro, maioria na região dos bairros que compunham a paróquia, tivessem visibilidade e pudessem se expressar religiosamente.

Além disso, buscavam atuar de forma a elevar a autoestima das crianças e adolescentes e combater práticas de racismo que aconteciam nas escolas e em outros espaços. Assim sendo, o axé criança visava uma atuação pastoral e social.

Com o passar dos anos o trabalho foi se adequando a realidade da comunidade. “Não foi e não é fácil, porque o racismo faz parte das estruturas da nossa sociedade e está muito presente nas instituições. Já vivenciamos pessoas que vão embora ao saber que a missa foi preparada por nós e terá nossa participação”, explicou Bianca Barra, integrante da pastoral na paróquia.

Foto: Arquivos da Paróquia

Sua atuação vai além da vivência e participação ativa na vida da paróquia. A Pastoral realiza rodas de conversa que debatem intensivamente o tema da Campanha da Fraternidade de cada ano e, também, temáticas pertinentes à realidade do povo negro. Promovem momentos dedicados, exclusivamente, ao fortalecimento da espiritualidade com missas-afro. No ano passado, aconteceu também um encontro de resgate a caminhada e memória do grupo.

Com a pandemia as iniciativas migraram para o ambiente digital. Em grupos, partilham sobre as experiências vividas, práticas orantes, reflexões, formações, etc. Ademais, iniciaram diálogo com Pastorais-Afro presentes em outras dioceses. “É urgente e necessário que as comunidades debatam essas questões. Por isso, acreditamos fortemente que nosso trabalho faz a diferença em nossa paróquia”, afirmou Bianca.

*Com informações do Portal da CEBs

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