A Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP30, encerrou suas atividades no domingo (16), em Belém, com um público de 23 mil participantes de mais de 60 países. O encontro ocorreu na Universidade Federal do Pará (UFPA) e contou com a forte presença de pastorais e movimentos da Igreja Católica.
Para Dom José Valdeci Santos Mendes, Bispo de Brejo e presidente da Comissão para a Ação Sociotransformadora da CNBB, a presença da Igreja foi essencial como testemunho de compromisso com os marginalizados. No dia em que a Igreja no mundo vive a Jornada Mundial dos Pobres, ele destacou:

“Isso requer de nós um testemunho, um compromisso e uma luta pela vida. E eu diria que essa luta pela vida é luta pelo território livre dos povos, é luta pela dignidade, é luta pelo direito, é luta para que a justiça social, a justiça socioambiental seja de fato realizada no nosso meio”.
Dom Valdeci reforçou que as pastorais sociais caminham com os movimentos populares e lembrou que a COP30 desafia a Igreja a escutar os povos originários e aprender com eles:
“Precisamos assumir cada vez mais, ouvindo o grito de tantos irmãos e irmãs, que ainda hoje são torturados, são marginalizados. Precisamos dar esse passo no compromisso e fidelidade ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
A voz dos povos da floresta
A cerimônia de encerramento contou com a liderança indígena Raoni Metuktire, do povo Kayapó. Ele fez um apelo por união diante das ameaças à Casa Comum:
“Continuidade, para que possamos lutar contra aqueles que querem o mal neste universo, querem destruir esta terra”.
Raoni defendeu diálogo com autoridades e combate ao desmatamento, ao garimpo e à exploração. Alertou ainda para os riscos das mudanças climáticas caso não haja consciência coletiva.
Declarações que pedem ação
A Cúpula divulgou um documento que reforça a busca por um mundo justo, com o compromisso de que “somos a unidade na diversidade”. O texto recorda que “não há vida sem natureza” e valoriza o cuidado, o conhecimento e a solidariedade. São sete análises da realidade e 15 propostas para fortalecer a organização social.
Também foi apresentada a Carta da Infância, que denuncia o impacto da crise climática sobre as crianças. Em tese, o documento alerta que “nós somos natureza, o planeta é natureza. A natureza é tudo!” e pede um futuro bonito para viver.
As crianças reforçam a urgência de cuidar da Amazônia porque “queremos continuar vivos e vivas! Crescer num mundo bonito, num mundo que ainda respire. Com esperança e sem medo!”
Os documentos foram entregues ao presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e às ministras Sônia Guajajara e Marina Silva, além do ministro Guilherme Boulos. Corrêa do Lago destacou que a COP30 responde ao apelo do presidente Lula para colocar a sociedade civil no processo de decisões.
Sônia Guajajara reforçou que a democracia precisa do povo. Para ela, os participantes são “os maiores guardiães da vida”.
Fonte: Portal A12 e Vatican News