Card. Parolin e o desenvolvimento sustentável: reencontrar a motivação inicial

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É preciso reencontrar a “motivação inicial” e “trabalhar com urgência” para alcançar os objetivos do desenvolvimento sustentável: neste horizonte as religiões podem dar uma grande contribuição”. São palavras do cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, ao dar abertura dos trabalhos da Conferência Internacional “As religiões e os objetivos do desenvolvimento sustentável: ouvir o grito da terra e dos pobres” que está sendo realizada no Vaticano de 7 a 9 de março. No dia de hoje (8) os participantes terão um encontro com o Santo Padre.

Pessoas, planeta, prosperidade, parcerias, paz

O propósito do encontro é valorizar a contribuição que as religiões possam dar à implementação dos objetivos do desenvolvimento sustentável, considerando cinco palavras-chave: pessoas, planeta, prosperidade, parcerias, paz. O cardeal reconhece que há um certo “desencorajamento”, mesmo porque “os passos cumpridos não são à altura das expectativas” e, indo adiante “há o perigo que se perca a motivação inicial”. Precisamos recuperar o entusiasmo perdido e “recomeçar a trabalhar seriamente, sem perder a esperança”, insiste, “juntos e com urgência podemos trabalhar para um reconhecimento da dignidade de cada pessoa, respeito pelos seus direitos e um desenvolvimento sustentável”.

Agenda 2030

A Agenda 2030 para um desenvolvimento sustentável é um programa de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade assinado em setembro de 2015 pelos governos de 193 países membros das Nações Unidas. O projeto engloba 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável – Sustainable Development Goals, SDGs – em um grande programa de ação que totaliza 169 metas, como a luta à pobreza e o contraste à mudança climática.

Diálogo e criação

Na Conferência alternam-se relações das várias religiões presentes e todos concordam sobre o respeito que o homem deve ter pela “obra de Deus”. Para o rabino David Rosen, do American Jewish Committee, “os mandamentos orientam o caminho do homem, o seu modo de se comportar e o Talmut proíbe toda a forma de destruição. O rabino fala também da necessidade de redução da exploração pecuária, “uma das maiores causas da poluição”. Seguindo a linha do respeito pela criação foi também o discurso do libanês Sheikh Mohamad Abou Zeid, do Islamic Sunni Court. Quem cultiva “uma boa relação com Deus”, esclarece, não cria “desequilíbrios na criação” não pode depredar os recursos das futuras gerações.

Cada ser humano é fundamental

O reverendo Martin Junge, secretário geral da Lutheran World Federation, coloca em relação o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos. “Cada ser humano é importante para o Senhor”, afirma, “deixar de lado alguns direitos humanos quer dizer deixar para trás milhares de pessoas, muitas das quais não resistirão”. O luterano exprime, em particular, preocupação pela condição de muitas mulheres no mundo, assim como dos jovens, espoliados por vários fatores de seu próprio futuro. Este encontro, explica também Dom Bruno Marie Duffé, secretário do Dicastério para o desenvolvimento humano integral, nos permitirá compartilhar “as riquezas das religiões” e este diálogo consentirá “a atribuição de uma dimensão ética e moral ao desenvolvimento”.

Fonte: Site do Vatican News

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