Campanha faz convite à Igreja e à sociedade a “Amazonizarem-se”

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Nesta segunda-feira, 27 de julho, aconteceu a live de lançamento da Campanha “Amazoniza-te”, que propõe ações concretas no cuidado com os povos da Amazônia. Na oportunidade, foi divulgado o hotsite com materiais de apoio, manifestos políticos das organizações e um compilado de estudos sobre a realidade da Amazônia para fundamentar ações e posicionamentos.

A campanha traz uma série de vídeos com depoimentos das populações tradicionais da Amazônia que dialogam com o alerta assumido também por artistas de expressão nacional e internacional. O bispo da Prelazia do Xingu, Dom Erwin Krautler, abriu a live e falou sobre o tema da Campanha. “Amazoniza-te é sinônimo de sensibiliza-te, tomar consciência, acordar antes que seja tarde demais. A responsabilidade é de todos nós, e ultrapassa as fronteiras do Brasil (…) é a súplica insistente para a responsabilidade. (…) Em nome da Comissão Episcopal para a Amazônia, agradeço de coração a todas as entidades nacionais e internacionais que colaboram com essa campanha e se mostram sensíveis à causa da Amazônia. Vamos juntos lutar pela Amazônia. Seus povos merecem nosso empenho e nosso engajamento.”

Várias entidades estão unidas na Campanha, orientadas pela escuta dos clamores e esperanças. Além da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), atuam o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), Mídia Ninja e Movimento Humanos Direitos (MHuD).

A secretária executiva da Repam – Brasil, Irmã Maria Irene Lopes, falou sobre o Sínodo da Amazônia, lembrando que o próprio Papa Francisco fez ecoar a necessidade dos povos da Amazônia. “Agora é a hora de dar atenção à Amazônia e a seus povos”, lembrou.

A secretária frisou que a Amazoniza-te se estrutura a partir de três eixos: “a vulnerabilidade dos Povos Indígenas e comunidades tradicionais à contaminação pelo novo coronavírus, com destaque para a debilidade no atendimento e estrutura dos equipamentos públicos de saúde nos estados e municípios da região, aquém das condições de outras regiões do país; a aceleração da destruição do Bioma pelo aumento descontrolado do desmatamento, das queimadas, a invasão de territórios indígenas e das Comunidades Tradicionais pela grilagem, mineração, garimpo, pecuária e plantio de monoculturas, e pelos efeitos das hidrelétricas sobre as populações ribeirinhas; e a violação sistemática da legislação de proteção ambiental”.

Em sua participação, o presidente da CNBB, Dom Walmor Azevedo, falou da alegria de participar do lançamento da Campanha, e reforçou a importância da Amazônia por seus povos tradicionais, seus biomas, e pela fé cristã nela plantada. “Quando nós dizemos ‘Amazoniza-te’, colocamos no coração e na cabeça um novo verbo, e isso me reporta a um conceito que quero retomar, de alteridade – o outro.”

Dom Walmor lembrou que, mesmo estando no Sudeste, é possível se “amazonizar’ através de um caminho dinâmico de alteridade em que se contracena com o outro. “O sentido de alteridade me dá a possibilidade de, não sendo da Amazônia, não estando lá, amazonizar-me. E assim para qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, especialmente no Brasil, fica esse convite. É importante pensar em alteridade, porque a comunidade só existe, a sociedade só se constrói quando há a participação do outro, e de todos. (…) O convite ‘Amazoniza-te’ é para abrir o coração, para não passar por cima da comunhão e do diálogo.” Foram apresentados números e dados sobre as questões da Amazônia, referentes aos desmatamentos, incêndios, e ao contágio do coronavírus na região.

Ao final, o assessor da Repam, Padre Dário Bosi, falou sobre os materiais que estarão disponíveis no site. “Os materiais principais que utilizaremos serão pequenos vídeos, curtos, em várias línguas, que porão em diálogo os povos da Amazônia com o Papa Francisco e a Igreja, e também como vimos hoje, com o mundo dos artistas, dos pesquisadores e dos cientistas. Para dizer que este verbo tem a ver com todos nós.”

O sacerdote frisou que no site amazonizate.org os usuários poderão encontrar os vídeos, carta dos bispos, estudos científicos e propostas de ação, inclusive com um calendário que será atualizado periodicamente, com a continuidade das propostas para os fieis e pastorais.

Amazoniza-te

O neologismo ‘amazonizar’ foi usado, pela primeira vez, em 1986, em uma carta pastoral do então bispo da Diocese de Rio Branco, no Acre, Dom Moacyr Grechi. Na ocasião, o bispo convocava o povo a assumir a causa da Amazônia e a defesa de seus povos. O verbo tem sido utilizado amplamente quando se pretende tratar da defesa da Amazônia.

Durante o processo do Sínodo para a Amazônia, a expressão Amazonizar também foi muito utilizada e popularizada. É esse o sentido que a campanha propõe, mais do que conjugar o verbo amazonizar, torná-lo uma expressão pessoal, um chamado a todas as pessoas a se amazonizarem.

A live pode ser acessada na íntegra no link abaixo:

*Fontes: Sites da Canção Nova e da CNBB

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