Bispos Europeus: tristeza pela votação sobre aborto no Parlamento

Foto: Volodymyr Hryshchenko na Unsplash
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Que o direito ao aborto seja um direito fundamental na UE: é isso que os eurodeputados estão pedindo após a votação desta quinta-feira, 11 de abril, em Bruxelas, por meio de uma moção aprovada com 336 votos a favor, 163 contra e 39 abstenções. A resolução tem caráter político, mas não normativo e não é vinculativa. A votação de desta quinta (11) pede ao Conselho da Europa que inclua o direito ao aborto na “Carta dos Direitos Fundamentais” da União Europeia e exorta os países aderentes a descriminalizar completamente o aborto em seus sistemas legais e a combater quaisquer obstáculos à interrupção voluntária da gravidez.

A forte oposição dos bispos europeus

O Frei Manuel Barrios Prieto, secretário-geral da Comece, a Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia, lamentou profundamente o resultado da votação. “Estamos muito tristes”, afirma ele, embora o resultado “fosse esperado porque o Parlamento Europeu, nesta legislatura, votou de forma semelhante em resoluções sobre esta questão”. Ele lembra que os bispos europeus emitiram um comunicado sobre a questão, no qual os argumentos da Igreja contra o que foi votado nesta quinta (11) são claramente declarados.

A vida é um direito fundamental, não o aborto

“O argumento principal”, explica o Fr. Barrios Prieto, “é que o aborto não pode ser considerado um direito fundamental: o direito humano fundamental é o direito à vida, e o aborto evidentemente vai contra ele”. Em particular, ele nega o direito à vida, ressalta, quando a própria visão está em uma situação vulnerável, “como o feto no ventre de sua mãe”.

A UE não pode impor uma determinada ideologia

Entre outros argumentos contra a inclusão do aborto entre os direitos fundamentais, o secretário-geral da Comece cita o respeito que a UE deve ter pelas competências nacionais e também por outras tradições culturais e legislativas. A UE “não pode impor uma determinada ideologia e uma determinada maneira de ver a pessoa humana e a sexualidade aos outros”, declara ele. Além disso, a própria “Carta dos Direitos Fundamentais” se refere aos direitos que são reconhecidos universalmente, e não àqueles sobre os quais há “diferenças de opinião e ideias”.

O apelo da Igreja à responsabilidade de políticos e eleitores

Um outro motivo de pesar para os bispos da UE, diz o Fr. Barrios Prieto, é “a posição de alguns partidos que se referem à tradição democrática cristã, como o Partido Popular Europeu, que se dividiu nessa questão”, votando amplamente a favor da moção em consideração, o que “é escandaloso”, comenta ele sem rodeios.

Diante dessa situação, de acordo com o secretário-geral, a Igreja tem o dever de lembrar os partidos e os políticos de suas responsabilidades, mas em vista das novas eleições europeias, os bispos da Comece também pedem aos eleitores que votem com a mesma responsabilidade. “Esperamos que o novo Parlamento que sairá das urnas seja um Parlamento que tenha essas questões no coração”, diz o Fr. Barrios Prieto, “e isso depende dos eleitores”. Como Igreja, é necessário, continua ele, “acompanhar e formar as pessoas, explicando bem nossos argumentos”. E isso, conclui ele, é um trabalho que todos nós devemos fazer.

Fonte: Site da Canção Nova

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