A Basílica do Livramento: um presente de Francisco

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O título de basílica a uma igreja só pode ser dado pelo Sumo Pontífice. A nosso pedido, o nosso tão amado Papa Francisco, através de sua Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, presidida hoje pelo Emmo. Cardeal Robert Sarah, concedeu à Igreja Matriz da Paróquia do Senhor Bom Jesus do Livramento, na cidade de Liberdade, desta nossa Arquidiocese, a nobilíssima distinção.

O mencionado privilégio destaca o templo, sobretudo em três aspectos: o litúrgico, o eclesial e o artístico. Quanto ao aspecto litúrgico, a basílica deve ser centro vivo da celebração dos Mistérios de Cristo, diferenciando-se pelo esmero na preparação das mesmas, tendo cuidado no estrito cumprimento das normas litúrgicas, evitando os exageros e desvirtuações. Importante é o aspecto penitencial da Liturgia nas basílicas. Elas se tornam um local privilegiado da misericórdia de Deus, enquanto recebem, pelo ato de sua criação, o beneplácito das indulgências plenárias em várias datas, como no aniversário da sua Dedicação, na festa litúrgica do seu titular (em nosso caso, 14 de setembro); na solenidade dos Santos Apóstolos São Pedro e São Paulo (29 de junho); no aniversário da concessão do título (para nós, 6 de agosto). Além dessas datas, a Santa Sé concede ao Bispo local o direito de escolher outro dia e assim, determinamos que, em Liberdade, seja o primeiro domingo de setembro de cada ano, quando ocorre a abertura do Jubileu, com o translado da imagem votiva do Bom Jesus, da Vargem para o Santuário. Da mesma forma, é concedido aos fiéis que, na impossibilidade de comparecer a uma dessas datas, possa escolher ele mesmo um dia para visitar a basílica e lucrar a indulgência, o que significa, na prática, que todos os dias do ano são dias de indulgência plenária nas igrejas basilicais.

Em todos estes casos, para obter o mencionado benefício espiritual, o fiel deve cumprir as costumeiras condições, que são: rezar ao menos a oração ensinada por Jesus, ou seja, o Pai Nosso, recitar o Creio, fazer a Confissão sacramental, receber a Comunhão Eucarística e rezar pelas intenções do Papa.

O segundo distintivo das basílicas é o eclesial, porquanto celebra, reforça e amplia o sentido de unidade universal da Igreja, simbolizada pela pessoa do Sucessor de Pedro na sede romana, sendo as basílicas menores como que decorrentes das quatro basílicas maiores presentes em Roma. Por isso, nas basílicas, celebram-se, com mais solenidade, os aniversários da eleição e início do ministério do Sumo Pontífice.

Não menos importante é o aspecto artístico que distingue as basílicas. Na arte se expressa o amor. A beleza que vemos na terra é um reflexo da perfeita beleza de Deus. Ele é belo em seu ser e em tudo que faz. Por isso, os cristãos o louvam também pelas artes. Oferecer o que há de melhor e de mais belo a Deus é mais que um dever, é um prazer que preenche o coração da pessoa humana e inebria a sua alma. A arte tem algo de espiritual, capaz de ir além da matéria e de enlevar os corações. Se não houvesse arte, a vida seria insuportável. A arte inspira paz, ajuda a vencer o mal e faz compreender, com serenidade, até mesmo a morte. Quando vemos uma igreja feita com arte, ornamentada condignamente, bem cuidada, enobrecida com boa música sacra, o nosso coração encontra um ambiente propício para a oração e a experiência de autêntica comunhão com Deus e com os irmãos. Por isso a Igreja enaltece com o título de basílica aqueles templos construídos com especiais cuidados artísticos e, com isso, ela presta seu louvor às comunidades que investiram neste item.

O presente do Santo Padre Francisco à nossa Arquidiocese nos será entregue no dia 14 setembro próximo, às 16h30min, na cidade de Liberdade, que passará a ser a única paróquia com este privilégio em nossa Igreja Local.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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