Arquidiocese de Juiz de Fora se despede de Monsenhor Miguel Falabella

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“A todos levo no coração”. Esta foi a mensagem que Monsenhor Miguel Falabella de Castro deixou a familiares, amigos e admiradores horas antes de retornar à UTI da Santa Casa de Misericórdia, no sábado (21) à noite, de onde pressentia que não mais sairia com vida. O recado é um alento para aqueles que tanto sentiram o seu falecimento, ocorrido no final da noite da última segunda-feira, 23 de novembro, depois de 15 dias de internação. O sacerdote, que se confunde com a história de Juiz de Fora e era, até então, o segundo mais velho do Clero juiz-forano, foi vítima da Covid-19.

Embora os protocolos das autoridades sanitárias não tenham permitido um velório aberto à população e uma Missa de corpo presente, sua morte foi recordada em Celebração Eucarística na Catedral Metropolitana, onde foi pároco por quase quatro décadas. O Arcebispo de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, presidiu a Eucaristia, que foi concelebrada pelo Arcebispo Emérito de Sorocaba (SP), Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues, e por vários padres de nossa Igreja Particular.

Durante a homilia, Dom Gil lembrou os 12 anos de convivência com Monsenhor Falabella e a forma com que ele faleceu. “No domingo passado, quando a Igreja inteira celebrava Cristo Rei do Universo, a conclusão do Ano Litúrgico, e nos preparava para o fim dos tempos e também da vida de cada um de nós, o nosso irmão querido, Monsenhor Miguel Falabella de Castro, se despedia. Nos últimos momentos do dia de ontem ele partiu para o Pai, serenamente, cheio de fé e de amor, pronto e desejoso de encontrar o Pai para o abraço feliz da eternidade”.

Segundo o Arcebispo, o monsenhor tinha um grande amor a Deus, à Maria e à Igreja, sentimentos que registrou em um Testamento Espiritual, lido em parte durante a missa de terça-feira (24). “Acabamos de ouvir a homilia última que Monsenhor Falabella nos faz, através desses trechos. Sugiro que todos acompanhem, na próxima Folha Missionária, que está sendo publicada pelos meios virtuais, para ver tudo mais o que ele disse a respeito de sua vida e da sua morte”, conclamou. “Voltando ao Evangelho que nós ouvimos, quero recordar que Nosso Senhor nos deu a matéria final para o nosso ingresso na eternidade. ‘Vinde, benditos de meu Pai. Tudo o que fizestes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes’ (Cf. Mt 25, 34-40). Por isso, agradeço a Deus o exemplo deste homem, e tenho convicção plena de que já entrou na eternidade, ouvindo esta palavra de Nosso Senhor. Interceda por nós diante de Deus este santo sacerdote que passou pelo nosso meio e nos ensinou a viver e até a morrer”, finalizou Dom Gil.

Padre Leonardo Pinheiro foi quem esteve mais próximo de Monsenhor Falabella em seus últimos momentos, e pela amizade construída durante décadas, um dos que mais sentiram sua partida. “Eu o conheço desde os seis anos. Fui coroinha dele na Catedral. Cresceu uma amizade muito grande, a tal ponto que se hoje eu sou padre, digo que me espelho no exemplo dele de vida, de vocação. Agradeço e louvo a Deus por tudo o que o monsenhor representa na minha história, na minha vida, e representa na história da Igreja de Juiz de Fora”. O padre ainda deu testemunho da postura do monsenhor no tempo que passou no hospital. “Nesses últimos dias, demonstrou mais ainda a sua fé, o seu amor à Igreja, o seu amor a Deus, e acho que uma marca é a serenidade com que ele viveu toda a sua vida, mas particularmente esses últimos dias. Eu tenho a testemunhar isso: até nesse grande momento desafiador, a sua serenidade e a sua fé”.

Dom Eduardo Benes foi aluno de Monsenhor Falabella no Seminário Santo Antônio e pôde com ele conviver nos anos em que trabalhou na Catedral e também mais recentemente, no Lar Sacerdotal. O bispo ressaltou o lado cordial, afável e dinâmico do amigo. “Perdemos um companheiro, um irmão de comunidade, mas ganhamos um amigo no céu. Por isso, se de um lado sentimos a sua falta, de outro lado nos alegramos porque acreditamos na vida eterna. Eu estou muito contente de ter estado nesses momentos com ele”.

Quem também deu testemunho dos anos de convivência com Monsenhor Falabella foi o Padre Expedito Lopes de Castro, que o conheceu ainda jovem. Emocionado, o presbítero contou da relação que começou no dia do falecimento de sua avó e se fortificou após sua entrada no Seminário. “Quando eu ordenei sacerdote e fui trabalhar, no segundo ano de padre, na Paróquia Nossa Senhora das Dores em Bias Fortes, ele foi um grande irmão, um verdadeiro pai. Ele não media esforços para nos ajudar, inclusive fez para a paróquia a doação de um carro, o que muito nos ajudou”. Além disso, foi o monsenhor quem o incentivou a iniciar o programa ‘Encontro com Deus’. “Há 18 anos, foi ele que me apresentou a equipe da Rádio Solar e lá eu comecei esse trabalho nos meios de comunicação aqui em Juiz de Fora, e nunca mais parei. Eu fico emocionado ao lembrar deste grande sacerdote, deste coração imenso, de um homem bom, que agora brilha no céu e de lá, sem dúvida alguma, vai interceder por todos nós”.

Outro que construiu uma forte amizade com Monsenhor Falabella foi o Padre Antônio Camilo de Paiva. “Era um padre que transitava em todas as idades do clero, sendo respeitado por todos. Tinha inteligência emocional e um humor fantásticos. Sempre com aquela palavra serena, tranquila, monsenhor foi também o homem da caridade. Ele ajudou famílias e paróquias. No período em que ele era pároco da Catedral, doou carros para muitas paróquias de Juiz de Fora, inclusive quando eu estava na cidade de Passa Vinte, nós fomos contemplados”. Por fim, o Padre José de Anchieta Moura Lima destaca o exemplo de homem e sacerdote deixado pelo monsenhor. “Eu aprendi muito com Monsenhor Falabella, com seu jeito de acolher todo mundo, seu jeito simples de viver. Ele deixou para nós esse exemplo bonito de uma devoção muito forte à Nossa Senhora, de um compromisso muito sério com o evangelho, de uma preocupação com o conjunto da Igreja”.

Apesar de ser natural de Mar de Espanha (MG), a trajetória de Monsenhor Miguel Falabella se confunde com a história de Juiz de Fora. Ordenado pelo primeiro bispo da então diocese, Dom Justino José de Santana, em 1954, sua importância foi recordada pelo Prefeito Antônio Almas. “Monsenhor Falabella, que sempre se dedicou a um grande trabalho pastoral na cidade de Juiz de Fora, com certeza, conseguiu, com isso, combater o bom combate e agora merece a coroa da justiça. Está no céu, celebrando e dando glórias a Deus”.

No início da tarde de terça-feira (24), o corpo do monsenhor foi velado e sepultado no Cemitério Parque da Saudade. Poucos familiares e amigos participaram do momento, obedecendo àquilo que pedem as autoridades sanitárias em casos de falecimentos por Covid-19. Pelo mesmo motivo, o caixão permaneceu fechado durante o velório, que durou pouco mais de uma hora. O rito exequial foi conduzido pelos padres Leonardo e José de Anchieta e, logo em seguida, ocorreu o sepultamento.

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