A Senhora do Rosário Aparecida

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Maria ocupa lugar privilegiado na obra misericordiosa da Salvação da humanidade. O Criador, ao ver sua criatura humana caída, no relato simbólico do Gênesis, condena o mal figurado na serpente, mas promete vitória à pessoa humana (Cf Gn 3, 14 ss), pondo inimizade entre a mulher e o mal, e prometendo que sua descendência haveria de esmagar a cabeça da serpente para sempre. Esta Mulher é Maria, a Mãe do Salvador, do Emanuel, Deus conosco, o Príncipe da Paz.

Desde os primeiros momentos do cristianismo, Deus demonstra predileção pela mulher escolhida, enviando-lhe, ao momento certo, o Arcanjo Gabriel para anunciar-lhe seu plano de salvação, e ele a saúda com o significativo louvor: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo… Não tenhas medo, Maria! Encontrastes graça junto de Deus.” (cf Lc 1, 26-30 ). A resposta de Maria revela sua grandeza de alma e sua entrega total a Deus: “Eis aqui a serva do Senhor, cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

As palavras proféticas de Isabel, mãe do Precursor, são indicativas da altíssima posição de Maria na história da Salvação: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe de meu Senhor me venha visitar? (Lc. 2, 42-43)

Tais mistérios tão profundos e tão ternos ficaram sempre gravados no coração dos seguidores de Jesus, o Divino Salvador. Recordam que Deus, para salvar a humanidade, não quis fazê-lo sem obter acolhida no coração da mulher predestinada desde o Gênesis. Ele a escolheu e revelou esta escolha mandando o Anjo lhe dizer: Encontrastes graça junto de Deus” (Lc 1, 30). É a forma privilegiada de acontecer em Maria, a Salvação adquirida por Cristo ao derramar seu sangue para a salvação da humanidade. Se alguém, por simplicidade ou desinformação ou preconceito, se perguntasse se o Sangue de Cristo foi suficiente também para salvar Maria, poderia ser agraciado com a resposta: sim, Maria foi salva também pelo sangue de seu Filho, porém de forma especial, já santa pela própria predileção divina, em vista da encarnação do Verbo, em previsão dos méritos deste mesmo Verbo, o Cristo na cruz. Criatura tão amada por Deus, não poderia ser esquecida, muito menos rejeitada pelos discípulos de Cristo.

Entre os louvores a Maria, no correr da história, surge o costume de repetir devotamente as palavras bíblicas ditas pelo Arcanjo Gabriel e por Isabel, cento e cinquenta vezes, em recordação dos cento e cinquenta salmos da Bíblia. Para melhor contar e melhor louvar, usou-se colocar aos pés da Virgem, uma rosa a cada Ave Maria rezada, daí o nome de Rosário. Intercaladas as dezenas pela doxologia da Trindade (Gloria ao Pai…) e pela Oração do Senhor (Pai Nosso), o Rosário foi sendo organizado como oração contemplativa dos mistérios da vida de Cristo, dividida em três grupos: os mistérios da alegria (infância do Senhor), os mistérios dolorosos (Paixão do Senhor) e os mistérios gloriosos (Ressurreição do Senhor e vitória de Maria). São João Paulo II, grande amoroso do Rosário, acrescentou os mistérios luminosos (milagres e pregação de Jesus). A oração da Santa Maria é a expressão de súplica a Maria pela sua amorosa assistência em nosso favor, diante de Deus, onde está desde sua Assunção.

Ao celebrar a Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, a oração do Terço é a grande meditação sobre a vida de Jesus, em ação de graças por tudo o que ela alcança, pelos méritos de Cristo, em favor dos fiéis brasileiros.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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