“A morte de Deus e a Teologia” é tema de Aula Inaugural do Seminário Santo Antônio

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Foi realizada, na noite dessa segunda-feira, 1º de março, data em que se celebrou os 95 anos do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio, a Aula Inaugural do Curso de Teologia. O evento aconteceu de forma virtual e contou com a participação de cerca de 90 pessoas, entre padres, professores e alunos. O Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira, também acompanhou a atividade.

O tema da videoconferência foi “Um grande desafio dos novos tempos: a morte de Deus e a Teologia”, abordado pelo Prof. Me. Padre Elilio Faria Matos Júnior. Ao introduzir o assunto que seria abordado e o palestrante, o Coordenador do Curso de Teologia e Vice-Reitor do Seminário, Padre Antônio Camilo de Paiva, ressaltou que a temática é atual, desafiadora e importante na vida da Igreja. “Papa Francisco tem nos alertado que não devemos ter medo do mundo, mas nós devemos dialogar com o mundo, buscar compreendê-lo e dar respostas a ele”.

“Comumente nós ouvimos falar que vivemos novos tempos, que estamos passando por transformações; muitos até dizem que há uma mudança de época. E eu vou procurar aqui oferecer a radiografia dessa mudança. Nós vamos procurar identificar qual é a estrutura do pensamento clássico e, em contraposição a ele, o novo pensamento que surge a partir do século XIX e que constitui os novos tempos”, disse Padre Elilio no início de sua exposição.

Segundo o sacerdote, foi o filósofo Friedrich Nietzsche quem proclamou a morte de Deus. “A estrutura comum do pensamento clássico é fundamentalmente teológica. Isso quer dizer que o saber clássico tem como culminância o conhecimento do Eterno, do Absoluto, de Deus, que dá sentido ao devir, ao vir-a-ser do mundo. No entanto, a partir do século XIX, essa comum estrutura teológica do pensamento é questionada pela convicção de que o devir é a única realidade; o devir não seria compatível com o Eterno. O desafio da Teologia – e também da Filosofia que faz um discurso teológico – é de repropor o primado do Lógos eterno e criador, de modo que esse primado não tenha ares de fundamentalismo. O fundamento existe – é a Razão criadora -, e esse fundamento não sufoca o homem nem o mundo em seu movimento, mas é fator de crescimento do mesmo homem na apropriação do sentido da vida e do ser”, resumiu.

Ao final, Dom Gil apontou que a Igreja tem procurado dar respostas a esse grande desafio que se apresenta nos dias atuais. “Nós somos um grupo de pessoas que está diante desse desafio colocado pelo Padre Elílio, que é a questão da afirmação da morte de Deus, e nós devemos dar uma resposta não só aos nossos alunos, mas uma resposta ao mundo, através dos nossos alunos, que amanhã podem assumir alguma função religiosa no meio social”.

O Arcebispo também recordou o aniversário do Seminário, fundado no primeiro ano de governo do primeiro bispo diocesano, Dom Justino José de Sant’ana. “Começou no dia 1º de março de 1926 este Seminário Santo Antônio, que vem ininterruptamente formando os nossos padres, agora mais recentemente os diáconos permanentes e também tantos leigos que nos dão a alegria de estarem conosco nesses cursos de Filosofia e Teologia. É uma alegria muito grande celebrar esta efeméride da história da nossa Arquidiocese de Juiz de Fora”.

O pastor ainda falou da importância da instituição de ensino para o 2º Sínodo Arquidiocesano. “Os cursos de Filosofia e Teologia da nossa Arquidiocese, em convênio com a UniAcademia, têm sido algo bastante importante na vida da Igreja local. E agora, que estamos em Sínodo, a atividade do nosso Seminário se reveste de grande importância, já que também o nosso mundo acadêmico-formativo está vivamente presente nesta caminhada sinodal”, finalizou.

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