Na última terça-feira, 23 de junho, o Santuário do Sagrado Coração de Jesus acolheu a celebração da Páscoa dos Militares, reunindo integrantes das Forças Armadas, forças auxiliares e seus familiares em um momento de oração, comunhão e renovação da fé. A celebração foi presidida por Dom Marcony Vinícius Ferreira, Arcebispo do Ordinariado Militar do Brasil, circunscrição da Igreja Católica responsável pela assistência espiritual aos membros das Forças Armadas e Forças Auxiliares em todo o país.
Durante a homilia, Dom Marcony destacou o Evangelho da pesca milagrosa, ressaltando a importância de confiar na Palavra de Deus e reconhecer a presença de Cristo nas mais diversas circunstâncias da vida. Segundo o arcebispo, a verdadeira paz não é apenas a ausência de conflitos, mas a presença de Jesus no coração das pessoas.
“A paz é a presença de Cristo. Podemos estar em uma trincheira e estar em paz. Podemos estar no nosso dia a dia e não estar em paz. Se temos Cristo, temos paz”, afirmou.
O arcebispo também recordou as aparições de Jesus ressuscitado aos discípulos, enfatizando a misericórdia de Deus diante das fraquezas humanas. Inspirando-se na figura de São Pedro e do apóstolo João, Dom Marcony convidou os presentes a cultivarem uma fé viva, marcada pela humildade, pelo amor e pelo reconhecimento constante da ação de Deus.
Dirigindo-se especialmente aos militares, ele destacou que a missão de servir exige não apenas preparo técnico e intelectual, mas também sabedoria espiritual. “Sejam homens e mulheres inteligentes e sábios. A verdadeira sabedoria é reconhecer Jesus no irmão ao lado, colocar Cristo no centro da vida e fugir de tudo aquilo que nos afasta Dele”, exortou.
Outro ponto forte da reflexão foi o chamado à coerência de vida e ao testemunho cristão no cotidiano. O arcebispo lembrou que cada serviço prestado, desde as tarefas mais simples até as grandes responsabilidades assumidas pelos militares, pode se tornar uma verdadeira celebração da Páscoa quando realizado com dedicação, honestidade e espírito de serviço.
Tradição que nasceu após a Segunda Guerra Mundial
Ao final da celebração, Dom Marcony explicou a origem da Páscoa dos Militares. Segundo ele, a tradição surgiu após a Segunda Guerra Mundial, quando os pracinhas brasileiros que retornaram da Itália manifestaram o desejo de celebrar a Páscoa que não puderam viver durante o período de combate.
“Foi celebrada no Rio de Janeiro e, a partir daquele momento, a Igreja permitiu que a Páscoa dos Militares fosse celebrada fora do tempo litúrgico pascal. Por isso percorremos as Organizações Militares de todo o Brasil celebrando este momento tão significativo”, explicou.

O arcebispo ressaltou ainda que a celebração é uma oportunidade de reunir militares das diversas corporações para professar a fé na ressurreição de Cristo, fortalecer a fraternidade e agradecer a Deus pelos dons recebidos. Neste ano, a comemoração também foi marcada pela gratidão ao Santo Padre pela nomeação de um bispo auxiliar para o Ordinariado Militar do Brasil.
A fé como sustento da missão
Questionado sobre como os militares podem cultivar a paz interior diante dos desafios da profissão, Dom Marcony destacou a importância da oração e da intimidade com Deus.
“Quando cultivamos uma vida de oração, permanecemos na presença de Cristo e não deixamos que as dificuldades nos abatam. O soldado é preparado para a guerra, mas a guerra é sempre o último instrumento para garantir a paz. Por isso, ele precisa se apoiar em duas grandes colunas: a formação recebida e a fé em Cristo Jesus”, afirmou.
A celebração da Páscoa dos Militares renovou nos participantes a certeza de que a missão de servir ao próximo encontra em Cristo sua inspiração e força. Em um ambiente de profunda espiritualidade, os presentes foram convidados a testemunhar, em suas atividades diárias, a esperança e a alegria da Ressurreição, tornando-se sinais da paz e da presença de Deus na sociedade.
