Em celebração aos 176 anos de Juiz de Fora, a Secretaria Municipal de Turismo (Setur) realiza, ao longo do mês de junho, mais uma edição do projeto “Caminhando pela História”. A iniciativa propõe uma imersão em diferentes aspectos da identidade do município, passando por patrimônios culturais, gastronômicos e religiosos que ajudam a contar a trajetória da cidade desde sua formação.
A programação contempla quatro visitas guiadas. Após uma atividade voltada para um grupo de idosos na Queijaria Paiol Velho e uma visita à Casa D’Itália, duas importantes referências do turismo religioso local estarão abertas à participação do público: a Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, dos Arautos do Evangelho, no Bosque do Imperador, e a Catedral Metropolitana de Santo Antônio, no Centro.
Mais do que conhecer construções marcantes da paisagem urbana, os participantes terão a oportunidade de percorrer espaços que guardam parte significativa da memória religiosa de Juiz de Fora e que continuam desempenhando importante papel na vida de fé de milhares de pessoas.
O “Castelinho dos Arautos” e a experiência da beleza

A primeira visita aberta ao público acontece no dia 11 de junho, às 14h30, na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, popularmente conhecida como Castelinho dos Arautos.
Situada em meio à área verde do Bosque do Imperador, a construção chama a atenção pela arquitetura inspirada no estilo gótico medieval. Vitrais coloridos, torres, arcos em ogiva e elementos ornamentais remetem às grandes igrejas europeias, tornando o espaço uma das construções religiosas mais singulares de Juiz de Fora.
Segundo o sacerdote dos Arautos do Evangelho, Pe. Cristian Bittencourt, EP, a visita será conduzida pelos próprios religiosos da comunidade, que apresentarão aos participantes não apenas a história da igreja, mas também outros elementos presentes no complexo religioso.
“Os visitantes terão a oportunidade de conhecer a igreja dedicada à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e também o presépio som, luz e movimento instalado aqui na comunidade”, explica.
Para o sacerdote, a inclusão do local no roteiro comemorativo dos 176 anos da cidade representa o reconhecimento da importância do patrimônio religioso para a construção da identidade juiz-forana.
“Essa visita é uma iniciativa muito interessante por ressaltar aspectos importantes do nosso município, como o aspecto culinário, mas também aspectos artísticos e valores religiosos”, observa.
Entre os destaques apresentados ao público está o órgão de tubos instalado na igreja, apontado pelos Arautos como o primeiro desse tipo em uma igreja católica de Juiz de Fora.
Pe. Cristian, EP, ressalta ainda que a beleza arquitetônica possui um significado que vai além da contemplação estética. “Pelo belo se chega até Deus, porque Deus é a beleza. Percebemos que as pessoas que visitam este local sentem-se renovadas na esperança. É algo que não remete apenas ao passado, mas aponta para o futuro e desperta nos visitantes o desejo de um mundo melhor”, afirma.
A Catedral e a própria história de Juiz de Fora
A segunda visita religiosa da programação será realizada no dia 23 de junho, às 14h30, na Catedral Metropolitana de Santo Antônio.
Principal templo católico da cidade e sede da Arquidiocese de Juiz de Fora, a Catedral guarda uma história que acompanha o desenvolvimento do município desde antes de sua emancipação política.
As origens do templo remontam ao século XVIII, quando existiam as primeiras capelas dedicadas a Santo Antônio na região. Após diferentes transferências e reconstruções, a igreja passou a ocupar o local onde se encontra atualmente, tornando-se um dos marcos da formação urbana da cidade.
Quando Juiz de Fora conquistou sua emancipação, em 31 de maio de 1850, a então capela foi elevada à condição de paróquia, tornando-se a primeira da cidade. Durante décadas, foi a única paróquia existente no município, acompanhando o crescimento populacional e a expansão urbana.
Com o passar do tempo, a antiga matriz passou por sucessivas ampliações. A igreja inaugurada em 1866 deu lugar, décadas mais tarde, a novas intervenções arquitetônicas conduzidas por Dom Justino José de Sant’Ana. Na década de 1940, surgiu o projeto de transformar a matriz em uma grande catedral inspirada no estilo gótico. Embora o plano original não tenha sido executado integralmente, as reformas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960 deram origem à configuração arquitetônica conhecida atualmente.
Para o Pároco, Pe. João Paulo Teixeira Dias, a importância da inclusão da Catedral no roteiro pode ser compreendida a partir de três dimensões. “O primeiro aspecto que destaco é o histórico, porque a Catedral está profundamente ligada à própria história de Juiz de Fora. Sua trajetória se confunde com a formação da cidade, passando por tradições de fé que marcaram gerações, como a chegada da imagem de Santo Antônio”, explica.
Segundo o sacerdote, a riqueza artística também merece atenção dos visitantes. “Um segundo ponto é a beleza da Catedral, expressa em sua arquitetura e em todo o seu conjunto artístico”, destaca.
Por fim, ele ressalta a missão religiosa desempenhada pelo templo. “Em terceiro, seu papel como centro da fé católica na Arquidiocese, exercendo essa missão de acolher os fiéis como Igreja-mãe, a casa-mãe de todas as comunidades.”
Hoje, localizada em uma posição privilegiada no centro da cidade, a Catedral permanece como um dos símbolos mais reconhecidos de Juiz de Fora. Além de sua relevância arquitetônica e histórica, continua sendo um espaço de encontro, oração e celebração para os católicos da Arquidiocese.
Conhecer a cidade pela fé e pela cultura
Ao incluir dois dos mais importantes templos católicos de Juiz de Fora em sua programação comemorativa, o projeto “Caminhando pela História” evidencia a contribuição da fé para a construção da identidade local.
Seja pela imponência da Catedral Metropolitana, cuja história se entrelaça com a própria formação do município, seja pela riqueza artística da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, as visitas oferecem aos participantes a oportunidade de conhecer aspectos que vão além do patrimônio material, revelando também tradições, memórias e expressões de religiosidade que permanecem vivas na história da cidade.
Dia 11 de junho – Quinta-feira
14h30 – Visita guiada à Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Arautos do Evangelho)
*Alameda Santo Antônio, 200 – Bosque do Imperador
25 vagas disponíveis mediante inscrição (clique aqui)
Dia 23 de junho – Terça-feira
14h30 – Visita guiada à Catedral Metropolitana de Santo Antônio
*Rua Santo Antônio, 1201 – Centro
25 vagas disponíveis mediante inscrição (clique aqui)