Na semana passada, a Arquidiocese de Juiz de Fora recebeu a graça da estreia no primeiro Orgão de Tubos em uma de suas igrejas. O sonho do fundador dos Arautos do Evangelho, Monsenhor João Clã Dias, EP, de ter este instrumento, foi conquistado na comunidade de Juiz de Fora na noite de 6 de novembro. Na ocasião, ele foi abençoado pelo Arcebispo Metropolitano e apresentado com um concerto inaugural.
A inauguração do órgão foi realizada com Santa Missa Solene, presidida por Dom Gil Antônio Moreira e concelebrada por diversos padres. O Pastor Arquidiocesano destacou a satisfação com a conquista. Para nós na arquidiocese é um dia importante por causa da música sacra. Pela primeira vez nós estamos inaugurando um órgão de tubos no recinto da nossa arquidiocese. O órgão, como nós sabemos, é o rei dos instrumentos litúrgicos. Dizem que a invenção mais complexa que tem na história da humanidade é do órgão porque ele é um conjunto de tubos que pode chegar a milhares de tubos, tocados para uma caixa, e teclados e pedaleiras e tudo. Isso tudo ajuda a comunidade a rezar intensamente, a celebrar os mistérios de Cristo”, explicou Dom Gil.
Conhecendo o instrumento
O órgão veio da Alemanha e foi fabricado no país europeu pela firma Mayer na década de 80. Possui 11 registros, dois manuais e a pedaleira. Estava em uma igreja católica em Rammelsbach, mais ao sul da Alemanha, e que foi fechada e desativada.
Ao chegar aqui no Brasil, passou por uma remodulação da fachada para se alinhar ao estilo da igreja e foi montado por dois organeiros, especialistas no instrumento, Eduardo de Oliveira e Douglas Lima. Em entrevista eles contaram que estavam trabalhando neste projeto desde julho, definindo o layont da nova caixa, tirando as medidas, e na montagem das peças.
Um dos desafios do instrumento, que possui quatro metros de altura, era realizar a afinação. “É uma dificuldade lidar com isso no Brasil. Por exemplo, esse órgão está muito acima da afinação normal, que é 440 Hz por conta [da configuração de fábrica] e da temperatura também. Por exemplo, achou a tabela de afinação dele da Alemanha, ele era afinado a 13 graus, 13 a 15 graus. A tendência é a afinação baixar”, contou Eduardo.
“A gente costuma dizer que o órgão é vivo. Esse órgão nunca vai parar afinado. Primeiro porque a demora mais de um dia para poder afinar ele inteiro; por exemplo, a começou a afinar quando a montou, duas semanas atrás, a gente terminou de montar, a colocou os tubos e afinou. Quando a gente terminou de afinar o último registro, o primeiro já estava desafinado. Houve uma variação de quase 10 graus, num curto espaço de tempo, então isso faz com que o primeiro registro, que foi afinado numa determinada temperatura, soe diferente, e aí quando você junta tudo, eles não se encontram. Aí você precisa refazer toda a afinação numa temperatura estável. Então, por isso que nós escolhemos fazer durante a madrugada”, explicou Eduardo.
Despertar do instrumento sagrado
Durante a homilia, Dom Gil ressaltou que o órgão é o rei dos instrumentos musicais da liturgia, valorizado e exaltado pelo Concílio Vaticano II, e que as artes auxiliam na evangelização atraindo fieis e os ajudando a elevar seus corações. “Com suas centenas, às vezes milhares, de tubos sonoros, é a imagem da harmonia que deve existir na igreja, Povo de Deus em marcha, onde todos têm lugar e caminham justos de forma sinodal, uns respeitando e valorizando os outros, sem preconceitos e sem agressões, pequenos ou grandes, vistos ou escondidos, todos animados pelo mesmo e poderoso sopro do Espírito Santo”, afirmou.

Após a Missa, o instrumento encantou os presentes em um belo concerto com músicas tocadas por Sandro Silva – músico paulista que veio à Juiz de Fora especialmente para este momento – e pelo Irmão Plinio Lima Goulart, organista dos Arautos. Douglas Lima comentou sobre a diferença que cativou o público. “Nós temos, desde timbres e sons mais suaves, mais amadeirados, até sons mais agressivos e brilhantes, por conta desse conjunto de tubos. As famílias de tubos fazem com que o órgão seja um instrumento tão colorido e tão especial. Então ele consegue soar tão doce e delicado como um conjunto de flautas doces de madeira e tão brilhante e impactante como um naipe de trompete, por exemplo, e instrumentos de metal”.
“Eu acredito que, para além da liturgia, esse órgão também vai ser utilizado em outros momentos mais festivos, que talvez ultrapassem a liturgia da Igreja. Acho que Juiz de Fora ganha, não só a igreja, não só a ordem dos Arautos, mas acho que Juiz de Fora tem a oportunidade agora de contemplar um instrumento de altíssimo nível”, concluiu o organeiro.

Transparecendo alegria, ao final da apresentação, Irmão Plínio confessou sua satisfação em homenagear Monsenhor João Clã, incentivador do órgão também em sua vida. “Pra nós é uma alegria muito indizível, não tem como exprimir isso. Um órgão numa igreja dele [do Monsenhor João], fazendo parte da obra, é uma dádiva muito grande, eu poder dar isso para ele. Enfim, e é realmente algo indizível, pelo órgão, ser o que é, um instrumento da Igreja, por aquilo que ele traz para nós, por aquilo que ele embeleza na liturgia, e sobretudo aquilo que ele eleva a Deus, porque a pessoa é arrebatada, sem a pessoa querer, às vezes, a pessoa já está emocionada, está chorando, porque realmente é instrumento arrebatador”.
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