Devoções marianas ajudam a contar a história dos 176 anos de Juiz de Fora

No último domingo, 31 de maio, Juiz de Fora celebrou seus 176 anos de fundação. Coincidentemente, a data encerra o Mês de Maria e reúne no calendário litúrgico as celebrações de Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora da Visitação, uma convergência que ajuda a compreender um dos traços mais marcantes da identidade do município: a profunda presença da devoção mariana em sua história.

Ao longo de quase dois séculos, a fé em Nossa Senhora acompanhou o crescimento da cidade, inspirou comunidades, acolheu imigrantes e fortaleceu a esperança dos moradores diante dos desafios. Em um ano especialmente marcado pelas consequências das enchentes de fevereiro, a figura materna de Maria voltou a ser sinal de consolo, solidariedade e reconstrução para milhares de famílias.

A Mãe do Perpétuo Socorro e a solidariedade em tempos difíceis

Na Zona Sudeste da cidade, a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma das expressões mais vivas da presença mariana entre os juiz-foranos. Difundida pelos missionários redentoristas, dos quais ela é padroeira, a devoção recorda que Cristo é o verdadeiro socorro permanente da humanidade e que Maria conduz os fiéis ao encontro de seu Filho.

Neste ano, a intercessão da Mãe do Perpétuo Socorro ganhou contornos concretos durante a tragédia provocada pelas fortes chuvas que atingiram diversas comunidades da região. Segundo o Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Pe. José Maurício de Araújo, C.Ss.R., a espiritualidade redentorista impulsionou uma ampla rede de acolhimento às famílias atingidas.

A Igreja São Sebastião, pertencente à paróquia, tornou-se ponto de referência para a arrecadação e distribuição de donativos, enquanto agentes pastorais e voluntários realizaram visitas às famílias afetadas. Para o sacerdote, a mobilização revelou a ação de Maria inspirando gestos concretos de fraternidade e cuidado com os mais necessitados.

“Vemos a presença de Nossa Senhora que protege, intercede por nós e nos ajuda a viver a solidariedade no amor e na fraternidade”, destacou.

Nossa Senhora Aparecida e a esperança que ajuda a reconstruir

Também na Zona Leste, a devoção à Padroeira do Brasil ocupa lugar especial na vida da cidade. Bairro, rua e paróquia levam o nome de Nossa Senhora Aparecida, testemunhando a força dessa devoção entre os moradores.

Para o Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Pe. Tarcísio Monay, Maria continua sendo uma referência de amparo e consolo para os juiz-foranos, especialmente diante das dificuldades enfrentadas neste ano.

Inspirando-se nas palavras de Nossa Senhora nas Bodas de Caná — “Fazei tudo o que Ele vos disser” — o sacerdote recorda que a confiança em Deus se torna luz para o caminho e força para superar os desafios.

Ao refletir sobre as enchentes que atingiram a cidade, Pe. Tarcísio destacou a solidariedade demonstrada pelos moradores e afirmou que Maria continua conduzindo o povo ao encontro de Cristo e ao serviço dos irmãos.

“Maria atravessa o tempo, atravessa as histórias e os lugares para estar conosco e nos recordar que, cumprindo aquilo que Jesus nos ensina, poderemos vencer. Ela é amparo e consolo que nos ajuda a viver a nossa fé e o nosso amor”, refletiu.

Nossa Senhora do Líbano e a vocação acolhedora da cidade

A história de Juiz de Fora também se encontra com a devoção a Nossa Senhora do Líbano, trazida pelos imigrantes sírios e libaneses que se estabeleceram na cidade ao longo do século XX.

No bairro Grajaú, a igreja matriz dedicada à padroeira nasceu do desejo de uma família libanesa que doou o terreno para sua construção. A condição era simples: que a nova igreja recebesse o nome da protetora de sua terra natal.

Hoje, a devoção preserva a memória dos imigrantes que ajudaram a construir a cidade e recorda uma das características mais marcantes de Juiz de Fora: a capacidade de acolher pessoas vindas de diferentes lugares.

O Pároco, Pe. José Sávio Ricardo, destaca que a cidade se tornou uma verdadeira “cidade-mãe”, recebendo estudantes, trabalhadores, famílias e pessoas em busca de tratamento de saúde ou de novas oportunidades.

“A mãe da cidade-mãe é celebrada como Mãe de Juiz de Fora. A ela confiamos nossa cidade, especialmente aqueles que ainda enfrentam as consequências das enchentes e das dificuldades que vivemos”, afirmou.

Os redentoristas e a construção da identidade religiosa de Juiz de Fora

Entre os protagonistas da história religiosa do município estão os Missionários Redentoristas, que chegaram ao Morro da Glória em 1893, estabelecendo em Juiz de Fora a primeira casa da Congregação Redentorista no Brasil.

A partir da antiga Igreja da Glória, os missionários percorreram longas distâncias para evangelizar comunidades rurais e urbanas, contribuindo para a formação de diversas paróquias que hoje compõem a Arquidiocese.

O Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Glória, Pe. Carlos Viol, C.Ss.R., recorda que a presença redentorista está profundamente ligada à história dos imigrantes alemães e italianos que ajudaram a moldar a cidade.

Segundo ele, três características marcaram essa trajetória: o espírito missionário, o diálogo ecumênico e a promoção da cultura.

Os redentoristas atenderam os imigrantes católicos de origem alemã, convivendo harmoniosamente com a comunidade luterana que também se estabeleceu na região. Essa convivência tornou-se um dos primeiros exemplos de diálogo ecumênico na cidade.

Ao mesmo tempo, a Congregação contribuiu para a criação de comunidades, preservação da memória histórica e difusão da cultura, tornando o Morro da Glória um dos principais marcos religiosos e culturais de Juiz de Fora.

“Esse olhar sobre a cidade a partir do Morro da Glória testemunha uma espiritualidade mais que centenária, que ajudou a formar comunidades, preservar a cultura e construir a história de Juiz de Fora”, ressaltou o sacerdote.

Caminhando pela História

Como parte das comemorações pelos 176 anos de Juiz de Fora, a Secretaria Municipal de Turismo promoverá novas edições do projeto “Caminhando pela História”, que oferece visitas guiadas a importantes patrimônios da cidade.

No dia 11 de junho, às 14h30, a atividade será realizada na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro dos Arautos do Evangelho, conhecida como “Castelinho dos Arautos”, localizada na Alameda Santo Antônio, 200, no Bosque do Imperador. Inspirada na arquitetura gótica medieval, a construção chama a atenção pelos vitrais coloridos, arcos em ogiva e riqueza de detalhes.

Já no dia 23 de junho, também às 14h30, a visita será à Catedral Metropolitana de Juiz de Fora, situada na Rua Santo Antônio, 1.201, no Centro. Resultado de diversas reformas realizadas desde a década de 1940, a Catedral ocupa posição de destaque na história religiosa e na paisagem urbana do município.

As visitas são gratuitas e possuem vagas limitadas, mediante inscrição prévia.

*Com informações da Rádio Catedral e da Rádio Itatiaia

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