No terceiro dia da Assembleia Geral da CNBB, bispos analisam desafios sociais, políticos e eclesiais do Brasil atual

No terceiro dia da 62ª Assembleia Geral da CNBB, nesta sexta-feira, 17 de abril, os bispos reunidos em Aparecida (SP) participaram, pela manhã, das análises de conjuntura social e eclesial, dois momentos de reflexão voltados à compreensão dos desafios do tempo presente e de suas implicações para a missão evangelizadora da Igreja no Brasil.

análise de conjuntura social foi apresentada por dom Francisco Lima Soares, bispo de Carolina (MA) que destacou a necessidade de uma escuta atenta e responsável diante de um cenário marcado por incertezas e tensões. Segundo ele, a realidade de 2026 não pode ser compreendida de forma fragmentada, pois temas como guerras, disputas de poder, erosão democrática, crise ambiental e economia estão interligados.

O bispo ressaltou que a proposta da análise é evitar dois extremos: o alarmismo que paralisa e a ingenuidade que desarma. O texto, apresentado pela primeira vez em formato de vídeo, buscou oferecer aos bispos elementos para compreender o tempo presente sem substituir o juízo pastoral de cada um.

Entre os pontos abordados estiveram o cenário internacional, com destaque para a guerra entre Estados Unidos e Irã, a ofensiva contra Nicolás Maduro, a disputa pela hegemonia global, as questões ligadas ao petróleo e ao dólar, além do papel da América Latina como espaço de disputa geopolítica.

No contexto brasileiro, foram destacados o desgaste da democracia, o ano eleitoral, a COP 30, os conflitos em torno da regulação ambiental e a economia nacional, descrita como resiliente, mas cercada de riscos. Também foram citados temas como religião e política, além da mensagem de paz e esperança do Papa Leão XIV, recordando seu primeiro discurso.

Na sequência, os bispos acompanharam a análise de conjuntura eclesial sobre o ethos religioso brasileiro atual, conduzida por dom Joel Portella, bispo de Petrópolis (RJ). A reflexão partiu do tema “Evangelizar em tempos de pós-cristandade” e buscou relacionar a conjuntura eclesial às opções evangelizadoras presentes nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.

A apresentação destacou que a sociedade brasileira não está menos religiosa, mas mais plural, marcada por identidades fluidas, individualização e vínculos mais frágeis. Foi apontada a passagem de um contexto de cristandade, centrado em uma referência predominante e mais estável, para uma realidade de pós-cristandade, caracterizada pela pluralidade, pela momentaneidade e pela fragmentação.

Entre os desafios apontados estão as chamadas “policrises”, que atingem áreas como linguagem, vínculos, referências, transcendência, sentido e pertencimento. Segundo a reflexão, cresce o fenômeno de pessoas que creem sem necessariamente se converter, seguir ou assumir compromisso concreto com a vida comunitária.

Diante desse cenário, a análise propôs uma ação evangelizadora baseada no dom, na fraternidade, na solidariedade e na capacidade de incidir na realidade. Também foram destacados elementos como a sinodalidade, o olhar atento às separações e a necessidade de compreender quem incide sobre quem nas relações eclesiais e sociais.

As análises de conjuntura social e eclesial integram a programação da Assembleia e ajudam os bispos a discernirem os caminhos pastorais da Igreja no Brasil, especialmente no processo de elaboração e aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.

Fonte: CNBB

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