No último sábado, 11 de abril, representantes e educadores das escolas católicas da Arquidiocese de Juiz de Fora se reuniram para a tradicional manhã de espiritualidade, realizada no Colégio Santa Catarina.
A programação teve início com a Santa Missa presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Marco Aurélio Gubiotti, e contou com a participação de sacerdotes ligados às instituições de ensino. Ao longo do dia, os educadores também vivenciaram momentos de convivência fraterna e participaram de uma formação conduzida por Klésio Rodrigues Ramadha, voltada à reflexão sobre a identidade e a missão da educação católica.
Na homilia, o Arcebispo aprofundou o significado da Ressurreição, destacando seu caráter central para a vida cristã. “O dia da Ressurreição é o oitavo e definitivo dia, o dia que não tem fim, porque é o dia em que chega a eternidade”, afirmou. Em sua reflexão, ele ressaltou que a experiência vivida por Cristo e testemunhada pelos discípulos inaugura uma nova realidade, da qual todos os batizados são chamados a participar. Ao comentar o Evangelho de São Marcos, chamou atenção para a dificuldade inicial dos discípulos em reconhecer o Ressuscitado, sublinhando que esse processo revela um caminho pedagógico da fé, marcado por resistência, aprendizado e abertura ao novo.
Segundo ele, essa experiência também se torna um convite para os cristãos de hoje, que são chamados a crer a partir do testemunho apostólico. Dom Marco recordou que a Igreja é apostólica justamente por estar alicerçada na experiência daqueles que conviveram com Jesus e anunciaram sua Ressurreição. “Depois que aqueles que foram os primeiros servidores de Jesus fazem a experiência do encontro com o Ressuscitado, eles recebem a missão”, explicou, destacando que fé e missão são inseparáveis.
Ao relacionar essa realidade com o contexto educacional, o Pastor Arquidiocesano dirigiu-se de modo especial aos professores, enfatizando que o trabalho nas escolas católicas vai além da transmissão de conteúdos. “O Evangelho é luz para essa realidade de ensino-aprendizagem […] os educadores são chamados a oferecer, junto ao conhecimento científico, um testemunho concreto de fé e uma visão cristã sobre a realidade”, afirmou. Em outro momento, reforçou de forma direta: “Ser Igreja nos leva naturalmente e necessariamente ao compromisso do testemunho, do anúncio do Evangelho”.
Testemunho que transforma
Ao aprofundar sua reflexão, Dom Marco relacionou a experiência pascal com o testemunho concreto da fé, destacando a passagem dos Atos dos Apóstolos em que Pedro cura um paralítico. Ele explicou que o gesto vai além da cura física, representando a libertação da exclusão e da marginalização. Ao refletir sobre a atitude dos discípulos, destacou que eles não apenas enxergaram a necessidade do outro, mas se deixaram conduzir pelo Espírito Santo para agir concretamente. Segundo o Arcebispo, é essa coerência entre fé e prática que dá credibilidade ao anúncio cristão e que deve inspirar também a missão dos educadores.
Em tom pessoal, Dom Marco Aurélio recordou sua própria experiência no magistério, ressaltando a importância do educador como presença significativa na vida dos alunos. Ele observou que, mais do que conteúdos, são os gestos, a atenção e o testemunho que permanecem na memória afetiva dos estudantes. Nesse sentido, incentivou os professores a viverem sua vocação com ousadia, sendo não apenas profissionais competentes, mas verdadeiros testemunhos vivos do Evangelho no ambiente escolar.
Formação, partilha e esperança
A importância do encontro também foi destacada pelo Diretor do Colégio Resgate, Daniel Ribeiro, que ressaltou o tema central da formação: a reflexão sobre documentos recentes da Igreja relacionados à educação. Ele explicou que a proposta está em sintonia com as orientações do Papa Leão XIV, que propõe um olhar atento à missão educativa da Igreja no mundo contemporâneo. De acordo com Ribeiro, a iniciativa busca promover fidelidade ao magistério e aprofundamento na identidade das escolas católicas.
Ele também enfatizou o valor da partilha entre as instituições, destacando que o encontro proporciona um espaço de aprendizado mútuo. Em sua avaliação, o contato entre educadores permite reconhecer virtudes, identificar desafios e crescer em conjunto, fortalecendo a missão comum. Para ele, esse processo exige humildade e abertura, características fundamentais para quem deseja educar à luz dos valores cristãos.
O Coordenador de Pastoral Rian Felipe Rodrigues Pérez explicou que a manhã de espiritualidade é fruto de um trabalho conjunto entre pastoralistas e diretores das escolas católicas, que vêm se articulando desde o ano passado para promover iniciativas formativas. Segundo ele, o encontro foi estruturado em diferentes momentos, incluindo a celebração eucarística, o café da manhã partilhado e a formação temática. Ele destacou que o objetivo principal é fortalecer a dimensão humana e cristã dos educadores, preparando-os para serem presença de Cristo junto aos alunos, famílias e comunidades escolares.
Já o vigário episcopal para a Educação, Pe. Everaldo Sales Borges, ressaltou que investir na espiritualidade dos educadores impacta diretamente a qualidade da formação oferecida nas escolas. Ele explicou que a missão da Igreja é oferecer suporte para que esses profissionais transmitam, em suas práticas, os valores do Evangelho. Ao abordar o tema da esperança, central no encontro, destacou que ela deve ser vivida como atitude concreta, capaz de renovar o olhar sobre a realidade e inspirar a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Encerrando a programação formativa, Klésio Rodrigues Ramadha aprofundou a temática do cultivo da espiritualidade no contexto educacional. Ele explicou que a reflexão foi baseada no Pacto Educativo Global e em documentos recentes do magistério, que orientam a atuação das escolas católicas diante dos desafios contemporâneos. Segundo ele, conhecer esses conteúdos é essencial para que os educadores possam vivê-los e transmiti-los com autenticidade. “Não podemos amar nem divulgar aquilo que não conhecemos”, afirmou.
Klésio também destacou que, em um mundo cada vez mais complexo, o testemunho de vida coerente se torna ainda mais necessário. Para ele, o educador católico é chamado a unir formação sólida e vivência concreta da fé, tornando-se referência para aqueles que acompanha no cotidiano escolar.