No dia 14 de abril de 1962, a Igreja em Juiz de Fora vivia um dos momentos mais decisivos de sua história. Por determinação do Papa Papa João XXIII, através da bula Qui tanquam Petrus, a então Diocese era elevada à dignidade de Arquidiocese, tornando-se sede de uma nova Província Eclesiástica e assumindo papel de referência pastoral para toda a região.
A decisão, no entanto, não foi isolada. Ela coroava um caminho iniciado décadas antes, marcado por crescimento, organização e presença concreta da Igreja na vida do povo.

As origens: o nascimento da Diocese e os primeiros passos (1924–1958)
A história tem início em 1º de fevereiro de 1924, quando foi criada a Diocese de Juiz de Fora, desmembrada da então Arquidiocese de Mariana. A medida respondia ao crescimento urbano e à importância econômica da cidade, que já se destacava como um dos principais polos de Minas Gerais.
Pouco tempo depois, em 1925, a Diocese era oficialmente instalada com a posse de seu primeiro bispo, Dom Justino José de Sant’Ana, figura central na consolidação da Igreja local. Seu episcopado, que se estendeu por mais de três décadas, foi marcado por iniciativas estruturantes que moldaram o rosto da Diocese.
Entre os principais acontecimentos desse período, destacam-se:
- A organização da cúria diocesana e das primeiras estruturas administrativas;
- A expansão do número de paróquias, acompanhando o crescimento da população;
- A fundação do Seminário Santo Antônio, garantindo a formação do clero local;
- A criação de meios de comunicação, como o jornal O Lampadário, fortalecendo a presença da Igreja na sociedade.
Durante esse período, a Diocese não apenas cresceu numericamente, mas também se consolidou pastoralmente, tornando-se uma Igreja viva, estruturada e cada vez mais atuante.
Outro sinal desse crescimento foi a reorganização territorial: em 1942, parte de seu território foi desmembrada para a criação da Diocese de Leopoldina, evidenciando a expansão da ação evangelizadora na região.
Um momento de transição e preparação (1958–1962)

Com o falecimento de Dom Justino, a Diocese entrou em um novo momento de sua história. Assumiu o governo episcopal Dom Geraldo Maria de Morais Penido, que conduziria a Igreja local em um período decisivo.
Já naquele contexto, a Diocese de Juiz de Fora apresentava sinais claros de maturidade e relevância pastoral. O crescimento das comunidades, o fortalecimento do clero e a presença ativa da Igreja na sociedade indicavam que a estrutura existente já não era suficiente para responder às demandas da região.
Ao mesmo tempo, a Igreja no Brasil passava por um processo mais amplo de reorganização. O Núncio Apostólico e os bispos brasileiros apresentaram à Santa Sé a necessidade de criação de novas províncias eclesiásticas, buscando maior proximidade pastoral e eficiência administrativa.
1962: a elevação à Arquidiocese e a criação da Província Eclesiástica
Foi nesse contexto que, em 14 de abril de 1962, o Papa Papa João XXIII promulgou a bula Qui tanquam Petrus, documento que redesenhou a organização eclesiástica em Minas Gerais.
O texto pontifício é claro ao determinar:
“Fundamos três novas Províncias Eclesiásticas, a saber: Juiz de Fora, Pouso Alegre e Uberaba, elevadas estas mesmas Igrejas à condição de Sedes Arquiepiscopais…”
Com essa decisão:
- Juiz de Fora foi elevada à condição de Arquidiocese;
- Foi criada a Província Eclesiástica de Juiz de Fora;
- As dioceses de Leopoldina e São João del-Rei passaram a ser suas sufragâneas;
- Dom Geraldo Maria de Morais tornou-se o primeiro Arcebispo Metropolitano.
A partir desse momento, a Igreja em Juiz de Fora assumia uma nova responsabilidade: não apenas cuidar de sua realidade local, mas também promover a unidade e a comunhão entre as dioceses da província.
Uma nova fase em sintonia com a Igreja no mundo
A elevação da Arquidiocese coincidiu com um dos períodos mais importantes da história recente da Igreja: o início do Concílio Vaticano II, convocado pelo Papa João XXIII no mesmo ano de 1962.
As transformações propostas pelo Concílio — especialmente no campo da liturgia, da participação dos leigos e da compreensão da Igreja como Povo de Deus — influenciaram profundamente a caminhada da Arquidiocese de Juiz de Fora nas décadas seguintes.
Esse período foi marcado por:
- Renovação das práticas pastorais;
- Maior participação dos leigos na vida da Igreja;
- Reorganização das paróquias e comunidades;
- Ampliação da ação social e missionária.
Consolidação e expansão ao longo das décadas
Nas décadas seguintes, a Arquidiocese continuou a se desenvolver, acompanhando as transformações sociais e eclesiais.
A sucessão de arcebispos contribuiu para diferentes etapas desse crescimento, com destaque para a reorganização pastoral, a criação de novas paróquias e a presença cada vez mais ativa da Igreja em diversas frentes.
Já no século XXI, a Arquidiocese viveu momentos marcantes de planejamento e renovação pastoral, como a realização do I Sínodo Arquidiocesano (2009–2011), que reuniu o clero e os leigos em um amplo processo de escuta e discernimento.
Mais recentemente, o II Sínodo Arquidiocesano, concluído em 2022, reforçou o compromisso com uma Igreja missionária, sinodal e próxima das realidades do povo.
Outro momento significativo foi o Jubileu de Ouro da Arquidiocese, em 2012, que reuniu milhares de fiéis em uma grande celebração, reafirmando a identidade e a missão da Igreja local.
Linha do tempo: fatos que marcaram essa história
📍 1924 – Criação da Diocese de Juiz de Fora
A Diocese é criada em 1º de fevereiro de 1924, pela bula Ad Sacrosancti Apostolatus Officium, do Papa Pio XI, desmembrando-se da Arquidiocese de Mariana.
📍 1925 – Instalação da Diocese e início da organização pastoral
Com a chegada de Dom Justino José de Sant’Ana, primeiro bispo, inicia-se efetivamente a estruturação da Igreja local, com organização da cúria e das paróquias.
📍 1924–1958 – Um longo episcopado de consolidação
Durante 33 anos, Dom Justino conduz a Diocese, promovendo obras importantes como:
- Fundação do Seminário Santo Antônio;
- Criação do jornal O Lampadário;
- Realização de congressos e iniciativas pastorais.
📍 1942 – Expansão territorial da Igreja
A Diocese cede parte de seu território para a criação da Diocese de Leopoldina, sinal do crescimento da presença da Igreja na região.
📍 1957–1958 – Transição episcopal
Com a morte de Dom Justino, assume Dom Geraldo Maria de Morais Penido, que conduziria a Diocese em um momento decisivo de transformação.
📍 14 de abril de 1962 – Elevação à Arquidiocese
A Diocese é elevada à Arquidiocese pela bula Qui tanquam Petrus.
Neste mesmo ato:
- Cria-se a Província Eclesiástica de Juiz de Fora;
- Leopoldina e São João del-Rei tornam-se dioceses sufragâneas;
- Dom Geraldo torna-se o primeiro arcebispo metropolitano.
📍 Década de 1960 – Novo tempo na Igreja
A elevação acontece no mesmo ano do início do Concílio Vaticano II, que trouxe profundas mudanças pastorais e litúrgicas, influenciando diretamente a caminhada da Arquidiocese.
📍 1978 – Chegada de Dom Juvenal Roriz
Segundo arcebispo, conduz a Igreja local em tempos de renovação pós-conciliar e reorganização pastoral.
📍 1991 – Nova fase com Dom Clóvis Frainer
A Arquidiocese ganha novo impulso missionário e organizacional com a chegada do terceiro arcebispo.
📍2001 – Posse de Dom Eurico dos Santos Veloso
Quarto arcebispo metropolitano, seu governo é marcado pela continuidade do crescimento pastoral e fortalecimento da presença da Igreja na sociedade.

📍 2009 – Posse de Dom Gil Antônio Moreira
Quinto arcebispo metropolitano, marca uma fase de forte organização pastoral e comunicação.

📍 2009–2011 – Realização do I Sínodo Arquidiocesano
Momento histórico de escuta e planejamento pastoral, com o tema:
“Arquidiocese de Juiz de Fora: uma Igreja sempre em missão”.

📍 2011 – Criação de estruturas pastorais e comunicação
São instituídos vicariatos e lançado o jornal Folha Missionária, fortalecendo a organização da Igreja.
📍 2012 – Jubileu de Ouro da Arquidiocese
Celebração dos 50 anos de elevação, com grande missa no Estádio Municipal, reunindo milhares de fiéis.

📍 2014 – 90 anos da Diocese
Celebrações incluem ordenações, criação de novas paróquias e valorização da memória histórica.
📍 2022 – Conclusão do II Sínodo Arquidiocesano
Marco recente que promoveu reestruturações pastorais e novas diretrizes missionárias.
📍 2024 – Centenário da Diocese
A Igreja local celebra 100 anos de história com eventos, publicações e iniciativas pastorais.

📍 2026 – Posse de Dom Marco Aurélio Gubiotti
Sexto arcebispo metropolitano, marca um novo ardor para a Arquidiocese de Juiz de Fora.

📍 Hoje – 64 anos de Arquidiocese
A Arquidiocese segue presente em dezenas de cidades, com intensa atuação pastoral, social e missionária, sendo sinal vivo da presença de Deus na região.
Uma história que continua sendo escrita
Ao completar 64 anos como Arquidiocese, Juiz de Fora reafirma sua vocação de ser uma Igreja viva, missionária e comprometida com o anúncio do Evangelho.
A história iniciada em 1924, consolidada em 1962 e desenvolvida ao longo das décadas, continua sendo construída diariamente por bispos, sacerdotes, religiosos e leigos que, com fé e dedicação, mantêm viva a missão da Igreja.
Celebrar esta data é, portanto, reconhecer o caminho percorrido e renovar o compromisso com o futuro: ser cada vez mais uma Igreja em saída, sinal de esperança e instrumento de comunhão no coração da sociedade.