58ª AG CNBB: Pacto pela Vida e pelo Brasil e CF 2022 são temas de coletiva

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A terceira Coletiva de Imprensa da 58ª Assembleia Geral da Conferência Geral dos Bispos do Brasil (AGCNBB), realizada nesta quarta-feira (14), trouxe como temática o Pacto pela Vida e pelo Brasil e a Campanha da Fraternidade de 2022.

O bate-papo com os jornalistas contou com a participação do Arcebispo de Montes Claros (MG) e presidente da Comissão para a Cultura e Educação da CNBB, Dom João Justino de Medeiros Silva; o Bispo Auxiliar de Porto Alegre (RS), Dom Leomar Antônio Brustolin, e o Bispo de Lages (SC) e presidente do Grupo de Trabalho do Pacto pela Vida e pelo Brasil, Dom Guilherme Werlang.

O primeiro assunto discutido foi o Pacto pela Vida e pelo Brasil, lançado no dia 7 de abril e assinado por dezenas de entidades do país, tem a finalidade principal de motivar o conjunto da sociedade brasileira numa união de cidadãos, governos e poderes constituídos da República para formar uma ampla aliança e enfrentar a grave crise sanitária, econômica, social e política que vive o Brasil.

São seis as entidades que organizam esta iniciativa: A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns, a Academia Brasileira de Ciência (ABC), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Sociedade Brasileira para o progresso da Ciência (SBPC).

Na coletiva, Dom Guilherme opinou que, infelizmente, nos últimos anos as políticas públicas estão sendo desmanteladas.

Ele frisou que é impressionante como o Brasil havia saído do mapa mundial da pobreza, mas hoje a situação cresce assustadoramente. “É um quadro triste, pois milhões de brasileiros passam fome”, relata.

Ele também discute a polarização da sociedade e diz que aqueles que assumem a verdade do Evangelho, que está na justiça, no clamor aos pobres é chamado de comunista e cita o Papa Francisco, que recentemente disse que quando a Igreja fala do amor aos pobres não tem nada a ver com comunismo, é sim com o puro cristianismo.

Para Dom Guilherme é preciso retomar com radicalidade o seguimento de Jesus, aquele de Nazaré, que nasceu na periferia do mundo. “Temos de lutar, não por partido, não por ideologia, mas em nome da nossa fé”.

De acordo com o Bispo, na Conferência Episcopal Latino-americana de Medelín, em 1968, já se dizia que um dos maiores pecados era a omissão, que muitas vezes acontece porque é mais cômoda. “Precisamos descer da arquibancada e entrar em campo na prática da fé. São Tiago escreve que a fé sem obras é morta. Não adianta rezar para Deus e não colocar as mãos à serviço. Vamos deixar de sermos cristãos assistentes para nos tornar ativos e em ação”.

Sobre a próxima Campanha da Fraternidade, Dom João Justino explicou que é preciso pensar a educação com a sua relação mais ampla da sociedade, a começar pela família, e sem dúvida, também com as instituições de ensino e a sociedade como o todo.

A proposta é promover o diálogo sobre a realidade educativa no Brasil. O tema de 2022 é: “Fraternidade e Educação” e como lema “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr 31, 26).

Dom João citou os objetivos:

– Analisar o contexto da educação, bem como os desafios potencializados pela pandemia;

– Verificar o impacto das políticas públicas na educação;

– Identificar valores e referências da Palavra de Deus e da Tradição Cristã em vista de uma educação humanizadora;

– Refletir sobre o papel da família, da comunidade de fé e da sociedade no processo educativo com a colaboração das instituições de ensino;

– Incentivar propostas educativas que, enraizadas no Evangelho, promovam a dignidade humana, a experiência do transcendente, a cultura do encontro e o cuidado com a casa comum;

– Estimular a organização do serviço pastoral junto às escolas, universidades, centros comunitários e outros espaços educativos;

– Promover uma educação comprometida com novas formas de economia, de política e de progresso verdadeiramente a serviço da vida humana, em especial, dos mais pobres.

Em 2022, o ver, julgar e agir da Campanha se dará da seguinte forma: o “Ver” será na perspectiva de escutar; o “Agir” seguirá no caminho do propor; e o “Julgar” voltará o olhar para o discernimento.

Dom Leomar falou da transversalidade da Campanha e lembrou problemas como, 20 milhões sem escola em 2020, então lembrou o Pacto Educativo Global, a Laudato Si, de 2015, e a menção do Papa Francisco sobre uma educação ineficaz, quando não se preocupa com um modelo que perpassa pelo ser humano, a vida, a fraternidade e a natureza.

De acordo com o Bispo, é preciso coragem e recolocar no centro a pessoa humana, um estilo de vida que não inclua a cultura do descarte. Também lembrou que é necessário coragem de investir nos talentos de nosso país, que muitas vezes são mais valorizados lá fora.

Além disso, relembrou de frutos da Campanha da Fraternidade, que em 1982, quando tratou pela primeira vez de educação, gerou a Pastoral da Educação.

Dom Leomar respondeu a jornalistas que a educação também pode contribuir para melhorar aspectos de polarização da sociedade. “Estamos anestesiados, nos habituando com violência, com a corrupção, as situações de morte”.

Dom João Justino lembrou que as desigualdades afrontam a própria dignidade da pessoa humana, de crescer e amadurecer. “A CF acontece no tempo da Quaresma, para fazer apelo de construir um mundo mais humano”.

Na avaliação de Dom Leomar, “como dizia Edith Stein, ‘educar é guiar os outros seres humanos de modo que eles se tornem o que devem ser’. E isto não acontece de forma isolada; requer escola, família, igreja e sociedade”.

Neste sentido, ele entende que há uma grande lacuna. “Quem está educando as nossas crianças ao transcendente?” Deixou o questionamento.

Fonte: Site A12

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