Sermão do Encontro marca Terça-feira Santa na Catedral

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Na região da Juiz de Fora, tradicionalmente, às Terças-feiras Santas é celebrada a Procissão do Encontro, que recorda o momento em que Jesus, na via crucis, encontra com sua mãe. Neste ano, devido a pandemia, não é possível realizar esses cortejos, nem celebrar com a presença de fiéis. No entanto, na Catedral Metropolitana a data não passou em branco.

Nesta terça-feira (30) foi realizada uma cerimônia silenciosa e de caráter meditativo. Presidida por Dom Gil Antônio Moreira, Arcebispo Metropolitano, a Celebração da Palavra contou com a participação dos padres da Catedral e teve o Padre Edson o Padre Edson Alves da Costa, CSsR, administrador paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Glória, como pregador do Sermão do Encontro.

Após as leituras, o Pe. Edson iniciou o sermão falando de sua alegria e responsabilidade de conduzir as palavras neste momento, que pode ser acompanhado apenas através dos meios de comunicação. Ele buscou descrever a cena como um todo, o caminho, objetivo, o significado da cruz, o momento do encontro, os olhares, a dor de Maria, a fim de orientar a contemplação da cena e meditação de todos.

O sacerdote nos leva a refletir sobre o que nos provoca a cena, meditada também na IV Estação da Via-Sacra. “Apenas encontros dos olhares da mãe e do filho permanecem. Em volta muitos gritam, acusam, caluniam, blasfemam, provocam. Todos! Menos Maria. Somente Maria, silenciosa, com sua presença e suas lágrimas, confirma, fortalece e participa deste momento. Não basta Jesus sofrer no corpo, ele é convidado a sofrer no afeto mais sagrado do seu íntimo: naquele que devotamos a nossa mãe. O Pai pede tudo do Filho, até mesmo sua própria mãe. Ele vê sua mãe humilhada e condenada, porque toda mãe sofre duplamente, a sua dor e a do filho”.

Padre Edson Alves, CSsR durante o sermão

Foi destacada a compreensão, conformação e apoio daquela mulher que continuou até o fim. Padre Edson, frisou também que ela também sofre por nós, ao ver nossas cruzes do cotidiano. “Ela é virgem das Dores porque ela sabe fazer sua as nossas tribulações”.

“Ele não está insensível as nossas dores”, uma frase dita algumas vezes pelo padre e que ele fez questão de repetir ao tocar na questão da pandemia. “Onde está Deus nesta circunstância avassaladora da covid? Em cada um daquele que foi ceifado, em cada um que se desdobra para poder guardar a vida de quem está implorando por um pouquinho de oxigênio. Deus está conosco!”.

Pensando ainda no encontro da mãe com o filho, Pe. Edson convida a todos para pensarem nos encontros de suas casas, promovermos encontros com infinita dose de amor e reciprocidade, levar às pessoas palavras de conforto e incentivo nesse tempo em que somos chamados a viver a fé de maneira mais doméstica. “Desejo que todo esse caminho feito na semana Santa possibilite ao nosso coração esse compromisso: esvaziar das nossas vontades para entender melhor o que é a vontade de Deus. (Fazermos) um caminho, de fato apaixonado, com Jesus que, assume a nossa condição e mais é para todos nós sinal de salvação, é salvação”.

Após o sermão, foi feito um momento de silêncio e breve oração. Ao final, Dom Gil convidou a todos para as Missas e meditações da Catedral durante toda Semana Santa.

Em entrevista, Dom Gil explicou o objetivo da celebração. “Que nós possamos refletir sobre os nossos encontros com Jesus, sobretudo, o encontro com Cristo sofredor. Nós associamos os sofrimentos do nosso coração ao grande sofrimento de Cristo. As nossas pequenas cruzes têm sentido na grande cruz de Cristo. Também nos sentimos representados por Maria, pois ela foi escolhida para ser mãe do Salvador. Toda a humanidade se encontra em Maria no momento do Encontro.”

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