Santa Sé na OEA sobre Nicarágua: diálogo é instrumento da democracia

A man prays at the Metropolitan Cathedral of the Immaculate Conception of Mary as the Nicaraguan police banned a Catholic procession and pilgrimage in the capital on Saturday, citing internal security reasons, in Managua, Nicaragua August 12, 2022. REUTERS/Maynor Valenzuela
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Chegou à mesa dos delegados da Organização dos Estados Americanos (OEA) com o título de “A situação da Nicarágua“. E a partir daí passou para uma resolução votada por grande maioria, 27 votos em 34 e sobretudo com um apelo ao presidente nicaraguense Daniel Ortega: chega de “assédio” contra a Igreja Católica, com o “fechamento forçado” das ONGs, com a “perseguição” da mídia.

Pedidos que valem como uma condenação da organização pan-americana contra todas aquelas ações governamentais empreendidas de forma sistemática há várias semanas e que visam amarrar uma espécie de grande mordaça em torno daqueles que são considerados inimigos do poder atual, muitos dos quais acabam na prisão e para o qual a resolução pede a libertação.

A Santa Sé: respeito por uma civilização mais humana

Ao apelo da OEA soma-se a voz da Santa Sé por meio de seu observador permanente, monsenhor Juan Antonio Cruz Serrano, que em comunicado expressou a “preocupação” do Vaticano, convidando a encontrar “formas de entendimento, baseadas no respeito e na confiança recíproca”, visando “o bem comum e a paz”, e reiterando que a Santa Sé está “sempre pronta a colaborar com quem dialoga”, considerando-o como “instrumento indispensável da democracia e garante de uma civilização mais humana” e fraterna”.

As medidas contra a Igreja

Além dos 27 votos a favor com que foi aprovada a resolução sobre a situação na Nicarágua, apresentada por Antígua e Barbuda, foi registrado o voto contrário de São Vicente e Granadinas, além das abstenções da Bolívia, El Salvador, Honduras e México. Uma tomada de posição que vem depois de uma longa série de condenações semelhantes por parte dos Estados Unidos e da Europa e manifestações de solidariedade por parte de várias organizações católicas, como o CELAM, mas não só, que quiseram expressar sua proximidade à Igreja nicaraguense.

Entre as decisões dos últimos tempos, a última em ordem cronológica é a que viu na sexta-feira as autoridades nicaraguenses proibirem a procissão marcada para a manhã deste sábado pelas ruas da capital Manágua ao final da peregrinação mariana – uma procissão que foi transferida para se realizar às 8 horas, horário local, dentro da catedral.

Mas o que causou comoção foi a expulsão do país da Congregação das Missionárias da Caridade de Madre Teresa, o fechamento de uma dezena de emissoras católicas e, em particular, o bloqueio imposto pela polícia ao bispo de Matagalpa Rolando José Álvarez Lagos, proibido de deixar a Cúria episcopal, mesmo para celebrar a Missa, acusado de fomentar revoltas em suas homilias. Em um tweet, Dom Álvarez escreveu: “Estamos nas mãos de Deus. Queremos fazer sua vontade e tudo para sua glória”.

Fonte: Site Canção Nova

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