Romaria Provincial reúne devotos e celebra trajetória missionária dos MSC

O Seminário Nossa Senhora do Sagrado Coração, em Juiz de Fora, acolheu no último domingo, 3 de maio, a 15ª Romaria de Nossa Senhora do Sagrado Coração. Neste ano, a tradicional manifestação de fé ganhou um significado ainda mais especial ao celebrar os 80 anos da presença da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração (MSC) na Zona da Mata Mineira e no Rio de Janeiro.

Vindos de diversas cidades dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás e também de outras regiões do país, centenas de fiéis participaram da programação que uniu espiritualidade, devoção mariana, confraternização e ação de graças pela caminhada missionária da congregação ao longo de oito décadas.

A Missa foi presidida pelo Provincial dos Missionários do Sagrado Coração, Pe. Ronnie Diniz, MSC, e concelebrada por diversos sacerdotes da província. A programação teve início ainda na madrugada, com café e acolhida dos romeiros entre 5h e 7h. Em seguida, aconteceram momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento, procissão da corda com a imagem de Nossa Senhora do Sagrado Coração, Terço Mariano, coroação de Nossa Senhora, Evangeliza Show com o ministério Art e Louvor e, ao final da tarde, bênção e envio dos peregrinos.

Romaria marcada pela gratidão e reencontro

Após alguns anos sem a realização da romaria em sua forma tradicional, especialmente em razão da pandemia, o reencontro dos devotos foi marcado por emoção e sentimento de pertença. Em sua fala, o Provincial Pe. Ronnie Diniz destacou a alegria pela retomada do evento e pelo jubileu de 80 anos da presença missionária da congregação na região.

“Nós estamos celebrando a 15ª Romaria e, em especial neste ano de 2026, temos a alegria de celebrar também os 80 anos da chegada dos Missionários do Sagrado Coração às terras do Rio de Janeiro e Minas Gerais, especialmente aqui na Zona da Mata. É um marco histórico que nos leva a agradecer a Deus e também às arquidioceses e paróquias onde participamos e servimos”, afirmou.

O sacerdote recordou ainda a expansão missionária da província ao longo das décadas. Atualmente, os Missionários do Sagrado Coração da Província do Rio de Janeiro estão presentes em quatro estados brasileiros e seguem discernindo novas possibilidades missionárias.

Pe. Ronnie também explicou a origem do título mariano “Nossa Senhora do Sagrado Coração”, profundamente ligado ao carisma da congregação fundada pelo Pe. Júlio Chevalier, na França, em 1854.

“Nosso fundador, ao discernir a criação da congregação missionária, fez uma novena a Maria e prometeu lhe dar um título especial caso a obra fosse aprovada pela Igreja. Assim nasceu a devoção a Nossa Senhora do Sagrado Coração. Hoje, estamos presentes em mais de 50 países e essa devoção acompanha a missão dos Missionários do Sagrado Coração pelo mundo”, destacou.

Segundo ele, Maria é contemplada como aquela que aponta constantemente para o Coração de Cristo, fonte da misericórdia, da esperança e da salvação.

“Só Deus é capaz de pacificar um coração perturbado”

A homilia da celebração foi conduzida pelo Pe. Luiz Deivys da Silva, MSC, da Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração, em Contagem (MG). Em uma reflexão profunda e marcada pelo tom pastoral, o sacerdote meditou sobre o Evangelho do dia a partir de três olhares: o Evangelho, o tema da romaria e a espiritualidade mariana. Logo no início da pregação, o missionário destacou a passagem em que Jesus diz aos discípulos: “Não se perturbe o vosso coração”.

“O coração humano se perturba diante das crises, das dores, das perdas e das situações impossíveis. Mas se Jesus reconhece a dor, Ele também oferece a cura. E a cura é a fé. Só uma experiência verdadeira com Deus é capaz de pacificar um coração perturbado”, afirmou.

Pe. Luiz Deivys recordou ainda que Jesus revela o verdadeiro rosto do Pai e que Maria conduz os fiéis até Cristo. “Se Jesus aponta para o Pai, Maria aponta para o Filho. E o verdadeiro rosto de Deus é o rosto misericordioso revelado em Jesus Cristo”, destacou.

Durante a reflexão, o sacerdote também relacionou o tema da romaria — “Por Maria, Ele veio morar entre nós” — com a necessidade de uma fé comprometida com a realidade social e com os mais vulneráveis.

“Uma festa como essa precisa recordar o nosso compromisso social. Na escola de Maria, o nosso olhar deve estar voltado para Deus, mas também para os irmãos, especialmente os mais fragilizados da história”, afirmou.

Ao concluir a homilia, Pe. Luiz Deivys incentivou os fiéis a renovarem diariamente o seu “sim” a Deus, mesmo diante das dificuldades e incertezas da vida. “Na escola de Nossa Senhora aprendemos a dizer: ‘Eis-me aqui, Senhor’. Só um coração que encontrou Deus não se deixa perturbar jamais”, concluiu.

Devoção, espiritualidade e acolhida

O Vigário Paroquial da Paróquia São Pio X, em Juiz de Fora, Pe. Rafael Lima Coelho, MSC, ressaltou o valor afetivo e espiritual do Seminário Nossa Senhora do Sagrado Coração para a congregação e para os romeiros.

“Juiz de Fora se tornou um espaço muito afetivo para a nossa província. Além da boa infraestrutura para acolher os peregrinos, essa casa carrega uma história importante para os Missionários do Sagrado Coração”, afirmou.

O sacerdote destacou que o tema deste ano buscou refletir sobre a espiritualidade do lar, da acolhida e da presença de Cristo nas famílias. “Maria é o tabernáculo que acolhe o Senhor. Por isso, rezamos neste ano a espiritualidade do lar, da segurança e da afetividade”, explicou.

Pe. Rafael também anunciou as próximas ordenações diaconais da congregação, que acontecerão ao longo do mês de maio nas cidades de Muriaé, Rio de Janeiro e Juiz de Fora.

Revista Missionária

Durante a romaria, os fiéis também puderam conhecer mais sobre a “Revista Missionária”, publicação trimestral produzida pela Província do Rio de Janeiro dos Missionários do Sagrado Coração.

O religioso João Pedro Costa explicou que o material busca divulgar o carisma da congregação, apresentar as ações missionárias e oferecer conteúdos de espiritualidade e catequese. “Nesta edição especial, nós contamos um pouco da missão em Moçambique, na África, onde temos missionários da nossa província atuando”, explicou.

A revista é produzida por uma equipe formada por religiosos e leigos e pode ser adquirida nas secretarias paroquiais ou pelas redes sociais da congregação, ao custo anual de R$80, referente às quatro edições publicadas ao longo do ano.

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