Na manhã do último sábado (15), representantes da Pastoral do Menor reuniram-se no Centro de Pastoral São João Paulo II, no Edifício Christus Lumen Gentium, para definir as prioridades para a Arquidiocese de Juiz de Fora, no âmbito de atuação do grupo, para os próximos três anos. A Assembleia Arquidiocesana é a primeira etapa indicada pela coordenação nacional da pastoral, seguida da fase regional, prevista para agosto. As indicações (arqui)diocesanas e regionais serão levadas para a etapa nacional, em novembro.
Os desafios apontados na reunião local foram: fortalecer o projeto Escola da Cidadania Dom Luciano Mendes de Almeida; fortalecer o trabalho com as famílias; implantar novos núcleos e formar novos agentes da Pamen na perspectiva do Plano Nacional de Formação. Durante o encontro, ainda foi escolhida a nova coordenação colegiada da Pastoral do Menor Arquidiocesana para o triênio 2024-2026: Alessandra Cristina de Castro retorna ao posto de coordenadora, contando com o auxílio de Claudinei dos Santos Lima e Danilo José Viturino Soares. Os Assessores Eclesiásticos da pastoral continuam sendo o Padre José de Anchieta Moura Lima e o Diácono Admilson Renato da Silva.
A assembleia arquidiocesana também foi momento de reflexão. A mística inicial foi conduzida por Diácono Admilson, inspirado pelo tema “Fome de pão, fome de justiça… você tem fome de quê?” e o lema “Dai-lhes vós mesmos de comer” (cf. Mt 14,16). “Quando nós olhamos para o conjunto de possibilidades que nós temos, que são muito limitadas, isso nos dá uma visão também limitada da ação e do poder de Deus. Foi necessário nós refletirmos e desmistificarmos isso: nós não podemos limitar Deus a partir da nossa realidade, mas, a partir da nossa realidade, enxergar um Deus que age na história e, principalmente, naqueles que são vulneráveis. Deus conta profundamente com a nossa força, com a força de todos aqueles que inclinam a sua alma para promover o próximo.”
Em seguida, Marcel de Toledo Vieira, professor de Estatística e coordenador do Movimento dos Focolares na Arquidiocese de Juiz de Fora, falou aos presentes sobre “A pobreza e a fome como sintomas da falta de justiça social no Brasil”, tema sobre o qual escreveu para o texto-base da Assembleia Nacional da Pastoral do Menor. “A pobreza, a fome, elas têm raízes históricas no Brasil; estão relacionadas à má distribuição de renda, à má distribuição de terras, à falta de acesso à saúde, à educação e a outras políticas públicas. Nós, como sociedade, temos que ficar atentos e cobrarmos do Estado que ele preste os serviços necessários para a população, aquilo que está previsto na Constituição. Todas as pessoas têm direito à moradia, têm direito à saúde, têm direito à alimentação digna, têm direito à educação. Então, nós temos que cobrar dos nossos governantes que essas medidas sejam tomadas”, afirmou o professor.
O Arcebispo Metropolitano, Dom Gil Antônio Moreira, também marcou presença no encontro de sábado. “Essa assembleia representa a vitalidade da Pastoral do Menor em nossa Arquidiocese. Essa pastoral é de suma importância na vida da Igreja, porque ela cuida das crianças e dos adolescentes, sobretudo os desamparados, os que estão sofrendo o resultado de uma sociedade injusta, que precisa olhar de maneira especial para aqueles que são o presente e o futuro. A Pastoral do Menor também os evangeliza, dá a eles Jesus Cristo; sem isso, não teria sentido ser uma pastoral”, ressaltou o Pastor Arquidiocesano.
O Padre José de Anchieta, assessor da pastoral, destacou documentos da Igreja e trechos bíblicos que embasam o trabalho da Pamen. O sacerdote ainda refletiu sobre os diversos tipos de fome aos quais crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social são submetidos. “Eu penso que essa fome é muito abrangente. Não é só a fome do alimento em si, mas, principalmente, de afeto, carinho, solidariedade e da busca de esperança, de expectativas novas. Que a Pastoral do Menor, enquanto instituição da Igreja, possa favorecer e ajudar a dar mais vida, mais cidadania, mais dignidade para essas crianças, para esses adolescentes e jovens.”
De acordo com Claudinei dos Santos Lima, Vice-Coordenador da Pamen Arquidiocesana, ainda são poucos os voluntários que se dedicam a essa difícil tarefa. “Os desafios estão em atuar naqueles lugares onde, muitas vezes, as pessoas nem imaginam: por exemplo, a assistência religiosa no Centro Socioeducativo, junto aos adolescentes que estão cumprindo medida socioeducativa por determinação judicial. É um grande desafio. A gente tem ido lá duas vezes no mês, sempre aos domingos, fazendo essa assistência. Também os núcleos de base, que estamos retomando, e a Escola de Cidadania, trabalhando os adolescentes e as famílias.” Claudinei apontou que, para atuar na pastoral, basta ter a formação humana. “Desejar trabalhar com as pessoas, em especial, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Esses são aqueles que têm que estar aqui para olhar para crianças e adolescentes e suas famílias com um olhar diferenciado, o olhar do bom pastor, o olhar de Jesus Cristo.”
A Assembleia Regional da Pastoral do Menor, reunindo representantes de todas as (arqui)dioceses de Minas Gerais, será realizada em Juiz de Fora, entre os dias 25 e 27 de agosto. A data foi escolhida para recordar os 17 anos da Páscoa definitiva de Dom Luciano Mendes de Almeida.