Papa Francisco, no Angelus: amor sem liberdade não é amor

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Na oração do Angelus desse domingo, 24 de janeiro, o Domingo da Palavra de Deus, o Papa Francisco recordou a “passagem de missão” de João Batista a Jesus. João Batista foi o seu precursor e preparou o terreno para Jesus iniciar a sua missão e anunciar a salvação. “A sua pregação pode ser sintetizada nestas palavras: ‘Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho’. É a mensagem que nos convida a refletir sobre dois temas essenciais: o tempo e a conversão.

Francisco explicou: “O tempo deve ser entendido como a duração da história da salvação feita por Deus; portanto, o tempo ‘cumprido’ é aquele em que esta ação salvífica atinge seu ápice, sua plena atuação: é o momento histórico em que Deus enviou seu Filho ao mundo e seu Reino se tornou mais do que nunca ‘próximo’”.

Todavia, pondera o Papa, “a salvação não é automática; a salvação é um dom de amor e como tal oferecido à liberdade humana. Quando se fala de amor, se fala de liberdade: um amor sem liberdade não é amor, pode ser interesse, pode ser medo, muitas coisas, mas o amor é sempre livre e como tal, requer uma resposta livre: requer conversão”.

Detalhando o que é conversão, acrescentou: “Trata-se de mudar a mentalidade e mudar a vida: não mais para seguir os modelos do mundo, mas o de Deus, que é Jesus. Esta é uma mudança decisiva de visão e atitude”.

O Santo Padre explicou que o pecado leva automaticamente à afirmação de si mesmo contra os outros e contra Deus, chegando até a usar a violência e o engano para este objetivo, e apresenta a alternativa: “A tudo isso se opõe a mensagem de Jesus, que nos convida a reconhecer nossa necessidade de Deus e de sua graça; a ter uma atitude equilibrada em relação aos bens terrenos; a sermos acolhedores e humilde para com todos; a conhecer e a realizar-nos no encontro e no serviço aos outros”.

Tempo da redenção: é a duração da nossa vida

“Para cada um de nós, o tempo em que podemos acolher a redenção é breve: e a duração da nossa vida neste mundo é breve”. “A vida”, afirmou ainda o Papa, “é um dom do amor infinito de Deus, mas é também um momento para verificar nosso amor por Ele. Portanto, cada momento, cada instante de nossa existência é um tempo precioso para amar a Deus e ao próximo, e assim entrar na vida eterna”.

A vida tem dois ritmos

Francisco afirmou que a história da nossa vida tem dois ritmos: “um, mensurável, composto de horas, dias, anos; e outro, composto de estações do nosso desenvolvimento: nascimento, infância, adolescência, maturidade, velhice, morte. Cada vez, cada fase tem seu próprio valor e pode ser um momento privilegiado de encontro com o Senhor”. “A fé nos ajuda a descobrir o significado espiritual destes tempos: cada um deles contém um chamado particular do Senhor, ao qual podemos dar uma resposta positiva ou negativa”.

E concluiu, desejando: “Que a Virgem Maria nos ajude a viver cada dia, cada momento como um tempo de salvação, no qual o Senhor passa e nos chama a segui-lo. E que ajude a nos converter da mentalidade do mundo para a do amor e do serviço”.

“Leiam o Evangelho todos os dias”

Após o Angelus, o Papa Francisco recordou que aquele domingo era dedicado à Palavra de Deus. Francisco disse:

“Um dos grandes dons de nosso tempo é a redescoberta da Sagrada Escritura na vida da Igreja em todos os níveis. Nunca antes a Bíblia foi tão acessível a todos: em todas as línguas e agora também em formatos audiovisuais e digitais.

São Jerônimo, cujo 16º centenário da morte comemorei recentemente, diz que aquele que ignora a Escritura ignora Cristo (cfr In Isaiam Prol.). E vice-versa é Jesus Cristo, o Verbo feito carne, que morreu e ressuscitou, que abre nossas mentes para a compreensão das Escrituras (cf. Lc 24,45). Isto acontece em particular na Liturgia, mas também quando oramos sozinhos ou em grupos, especialmente com o Evangelho e os Salmos.

Agradeço e encorajo as paróquias por seu constante compromisso de educar as pessoas na escuta da Palavra de Deus. Que nunca nos falte a alegria de semear o Evangelho! E me repito mais uma vez: tenham o hábito, tenhamos o hábito de levar sempre um pequeno Evangelho no bolso, na bolsa, para que possamos lê-lo durante o dia, pelo menos três, quatro versículos. O Evangelho sempre conosco”.

Padroeiro dos Jornalistas

Em seguida, o Papa recordou: “Hoje é também a memória de São Francisco de Sales, santo padroeiro dos jornalistas. Ontem, foi lançada a Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações, intitulada “Vem e verás”. Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são”. Exorto todos os jornalistas e comunicadores a “vir e ver”, mesmo onde ninguém quer ir, e a testemunhar a verdade”.

Famílias em dificuldade

“Saúdo a todos vocês que estão conectados através da mídia. Uma lembrança e uma oração vão para as famílias que estão lutando durante neste período. Coragem, vamos em frente! Oremos por estas famílias e, na medida do possível, estejamos próximos a elas”.

Por fim, o Papa proferiu sua habitual saudação: “Desejo a todos um bom domingo. Por favor, não se esqueça de rezar por mim. Tenha um bom almoço e adeus!”.

*Fonte: Site do Vatican News

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