Papa Francisco chega à Bulgária como mensageiro da paz

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Teve início, na manhã desse domingo (5), a viagem do Papa à Bulgária e à Macedônia. Francisco saiu de Roma em um vôo às 7h da manhã (1h em Brasília) e chegou ao Aeroporto Internacional de Sófia, a capital do país, às 9h50 (3h50 em Brasília)

Ainda a bordo da aeronave, o Santo Padre recebeu saudação do chefe do protocolo e do núncio apostólico na Bulgária, Dom Anselmo Guido Pecorari. Ao descer do avião, foi recebido pelo primeiro-ministro de República da Bulgária, Boyko Borisov. Em seguida, quatro crianças em vestes tradicionais ofereceram flores ao Pontífice, dando-lhe as boas-vindas ao país das rosas.

*Papa Francisco, em visita ao presidente da Bulgária, Rumen Radev. Foto: Vatican Media

Acompanhado pelo primeiro-ministro e ladeado por duas fileiras da guarda de honra, o Papa seguiu até o salão governamental do aeroporto de Sófia (Sala Vip) para um primeiro breve colóquio privado com Borisov, transferindo-se em seguida de automóvel fechado para o Palácio Presidencial, a quase 10Km, para a cerimônia de boas-vindas.

Na Bulgária, diversidade é vista como riqueza

Após as palavras de boas-vindas do Presidente búlgaro ao Papa, Francisco pronunciou seu discurso expressando sua alegria por encontrar-se na Bulgária, para confirmar seus irmãos na fé e encorajá-los no seu caminho e testemunho de vida cristã. E, ao agradecer as autoridades civis e religiosas presentes, Francisco disse:

“[A Bulgária] é um lugar de encontro entre múltiplas culturas e civilizações, ponte entre o leste e o sul da Europa, porta para o Oriente Médio; uma terra de antigas raízes cristãs, que favorecem o encontro seja entre a comunidade local como a internacional. Aqui, a diversidade, no respeito pelas peculiaridades específicas, é vista como uma oportunidade e uma riqueza, não como contraste”.

Verdadeiros ensinamentos das religiões promovem a paz

Neste sentido, o Papa cumprimentou, cordialmente, Sua Santidade o Patriarca Neofit, os Metropolitas e Bispos do Santo Sínodo, os fiéis da Igreja Ortodoxa, os cristãos das outras Comunidades eclesiais, os membros da Comunidade judaica e os fiéis muçulmanos. E recordou: “Reafirmo com vocês a forte convicção de que os verdadeiros ensinamentos das religiões convidam a permanecer ancorados nos valores da paz; apoiar os valores do conhecimento mútuo, da fraternidade humana e da convivência comum”.

Assim, Francisco convidou a aproveitar da hospitalidade que o povo búlgaro oferece, para que cada religião, chamada a promover harmonia e concórdia, possa contribuir para o crescimento de uma cultura e um ambiente, no respeito da pessoa humana e da sua dignidade, das civilizações e tradições diferentes rejeitando toda a violência e coação.

Visita na esteira de João Paulo II e memória de João XXIII

Neste contexto, o Pontífice explicou que a sua visita à Bulgária se realiza na esteira de São João Paulo II, que visitou o país em maio de 2002, e na memória de Dom Angelo Roncalli, futuro Papa João XXIII, que foi Delegado Apostólico em Sófia, durante quase dez anos. Sobre ele, Francisco disse:

“São João XXIII trabalhou com afinco para promover a colaboração fraterna entre todos os cristãos e com o Concílio Vaticano II, – por ele convocado e presidido na sua primeira fase, – deu grande impulso e incisividade ao desenvolvimento das relações ecumênicas”.

Cirilo e Metódio, “Apóstolos dos Eslavos”

Em continuação a estes acontecimentos providenciais, – recordou Francisco, – há quase cinquenta anos, uma Delegação oficial Búlgara, visita anualmente o Vaticano por ocasião da festa dos Santos Cirilo e Metódio. Sobre estes dois “Apóstolos dos Eslavos” disse: “Eles evangelizaram os povos eslavos e estiveram na origem do desenvolvimento da sua língua e cultura e, sobretudo, de abundantes e duradouros frutos de testemunho cristão e de santidade. Os Santos Cirilo e Metódio, padroeiros da Europa, continuam sendo exemplo, por mais de um milênio, e inspiradores de diálogo fecundo, harmonia e encontro fraterno entre as Igrejas, os Estados e os povos!”.

Na atual conjuntura histórica, trinta anos depois do fim do regime totalitário, que dificultava a liberdade e as iniciativas, – afirmou Francisco, – a Bulgária arca, hoje, com as consequências da emigração de mais de dois milhões de seus cidadãos que vão à busca de novas oportunidades de vida e de trabalho em outros países. Por outro lado, defronta-se com o fenômeno dos que fogem das guerras, dos conflitos ou da miséria, em busca de uma vida melhor no rico Continente europeu.

Não fechar os olhos aos que batem à porta

Por fim, o Santo Padre encorajou os governantes da Bulgária a continuarem a criar condições para que, sobretudo os jovens, não sejam obrigados a emigrar. Por isso, fez-lhes um apelo “a não fechar os olhos, o coração e as mãos aos que batem à sua porta”. E concluiu seu discurso com a exortação:

“Este país sempre se distinguiu como ponte entre Oriente e Ocidente, favorecendo o encontro entre diferentes culturas, etnias, civilizações e religiões, que há séculos vivem em paz aqui. Esta terra fértil pelo trabalho humilde de tantas gerações e aberta aos intercâmbios culturais e comerciais, integrada à União Europeia e com sólidos laços com a Rússia e a Turquia – possa oferecer aos seus filhos um futuro de esperança! Que Deus abençoe a Bulgária e a mantenha sempre pacífica, acolhedora, próspera e feliz!”.

*Fonte: Site da Canção Nova

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