Novo bispo dos católicos armênios da América Latina toma posse em São Paulo

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Os fiéis do Exarcado Apostólico Armênio da América Latina acolheram seu novo bispo, Dom Paulo León Hakimian, que tomou posse do ofício no domingo (21), em celebração solene na Catedral São Gregório Iluminador, em São Paulo. 

Dom Paulo é o segundo bispo católico armênio para América Latina e foi nomeado pelo Papa Francisco em 4 de julho deste ano, sendo ordenado em 29 de setembro pelo Patriarca dos católicos armênios, Gregório Pedro XX, em Roma. O novo Exarca sucede a Dom Vartan Waldir Boghossian, que esteve à frente da Igreja Católica Armênia no continente por 37 anos e teve seu pedido de renúncia por limite de idade aceito pelo Papa Francisco em julho deste ano. O novo bispo também foi nomeado para a Eparquia dos Católicos Armênios da Argentina, com sede em Buenos Aires. 

A missa, celebrada em rito armênio, contou com a presença de autoridades eclesiásticas, como o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, e Dom Sérgio de Deus Borges, Bispo Auxiliar de São Paulo e Administrador Apostólico da Eparquia Greco-Melquita Nossa Senhora do Paraíso. Também participaram da celebração representantes da comunidade armênia na América Latina, dentre os quais, a Cônsul-Geral Honorária da Armênia em São Paulo, Hilda Diruhy Burmaian. 

Cristãos armênios

A Armênia foi a primeira nação do mundo a adotar o Cristianismo como religião oficial, em 301. Um século depois, os armênios se separaram da Igreja Católica, por não aceitarem as definições do Concílio de Calcedônia, em 401, tornando-se a Igreja Apostólica Armênia.

Em 1742, um grupo de armênios se uniu novamente ao Papa, dando origem à Igreja Católica Armênia, que, desde 1749, tem sua sede em Bzoummar, no Líbano. O patriarca dos católicos armênios é Gregório Pedro XX Gabroyan, responsável por cerca de 540 mil fiéis.

O Exarcado Apostólico Armênio da América Latina foi criado em 1981 por São João Paulo II, com sede em Buenos Aires, na Argentina, tendo Dom Vartan Boghossian como primeiro bispo. Nas igrejas católicas de rito oriental, o exarcado é equivalente ao que na Igreja ocidental é chamado de prelazia, isto é, uma diocese em formação.

Em 1989, a Argentina se tornou uma eparquia (diocese) à parte, separando-se do restante da América Latina, tendo também Dom Vartan como bispo. Com a criação da nova Eparquia, o Exarcado ficou sem uma sede própria. Mas a paróquia brasileira se tornou um local de referência, embora não oficialmente. Em 22 de novembro de 2016, o prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri, emitiu um decreto constituindo a sede do Exarcado na capital paulista.

O Exarcado Armênio possui comunidades no México, Venezuela, Brasil, Uruguai e Chile. Estima-se que na América Latina haja 30 mil fiéis católicos armênios, sendo 16 mil na eparquia argentina e os 14 mil restantes no Exarcado Apostólico da América Latina. Destes, 7 mil vivem no Brasil, concentrados especialmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Rito

A liturgia dos armênios tem um rito próprio, utilizado tanto pela Igreja Católica Armênia como pela Igreja Apostólica Armênia. O rito foi modelado a partir das diretrizes de São Gregório, fundador e padroeiro dos cristãos armênios.

A ordem da celebração da Eucaristia foi inicialmente influenciada pelos siríacos e pelos cristãos da Capadócia. Em seguida, a partir do século V, pela liturgia de São Tiago; após o século X, pelos bizantinos; e, finalmente, pelos latinos nas Cruzadas. Os armênios são a única Igreja oriental que utiliza o vinho sem adição de água e, como os ocidentais, usam pão sem fermento para a Eucaristia.

Novo bispo

Nascido no Cairo, Egito, em 11 de novembro de 1953, Dom Paulo mudou-se para a Argentina com a Família em 1967. Em 1976, ingressouno Pontifício Seminário Armênio Levonian em Roma, onde realizou seus estudos de Patrologia e Liturgia Armênia. Na Universidade São Tomás de Aquino de Roma concluiu o bacharelado em Filosofia e Teologia com especialização em Pastoral Social. Foi ordenado sacerdote em 14 de agosto de 1981, na Catedral Armênia Católica Nossa Senhora de Narek, em Buenos Aires, onde permaneceu como pároco até sua nomeação episcopal. Em 1985, serviu por dois anos a paróquia armênia em São Paulo. Durante esse tempo, acompanhou o bispo Dom Vartan em visitas às comunidades armênias na Venezuela, México, Chile e Uruguai.

Para o novo Exarca Apostólico, o maior desafio de sua missão é chegar às famílias que estão longes da Igreja. “No início, quando as famílias armênias chegaram à América Latina se concentravam próximas da Igreja. Com o tempo, o povo se dispersou e vão à Igreja só em ocasiões festivas ou para batizar uma criança ou se casarem. Precisamos criar ocasiões para que essas pessoas vivam sua identidade, liturgia e tradição”, afirmou o Dom Paulo.

Outro desafio é formar comunidades em todos os países abrangidos pelo Exarcado. Para isso, Dom Paulo salientou a necessidade de vocações sacerdotais para que haja padres que acompenhem os fiéis. Atualmente, o Exarcado conta com dois padres seculares, além de um padre religioso e um do Caminho Neocatecumenal como colaboradores.

Dom Paulo também revelou que quando recebeu a notícia de sua nomeação episcopal sentiu alegria e, ao mesmo tempo, medo. “Humanamente, qualquer padre fica feliz. É como um dom que Deus nos dá para continuar a nossa missão. Mas, depois, refleti que os bispos são sucessores dos apóstolos e, historicamente, quase todos os apóstolos acabaram sendo mártires. Então, também senti medo, pois começo a viver um martírio. Mas cofio em Deus que nos dará forças para servir o nosso povo, mantendo viva a milenar identidade armênia”, afirmou.

Bispo emérito

Aos 78 anos, dom Vartan conclui sua missão à frente dos católicos armênios da américa Latina com gratidão. “Foram 37 anos de ministério episcopal desde quando São João Paulo II criou o Exarcado. Aos 75 anos, eu tive que renunciar, como exige o Direito Canônico, mas o Papa Francisco, que me conhece desde Buenos Aires, sabendo de minhas boas condições de saúde, pediu que eu continuasse e somente agora, três anos depois, aceitou a minha renúncia”, disse o agora Exarca Emérito.

“Procurei servir aos dois pilares da identidade armênia na América Latina: a fé e a cultura, que são quase sinônimos. Procuramos alimentar essa chama de ‘armenidade’ no continente, nós que já estamos na terceira geração”, acrescentou, recordando que no período de seu episcopado aconteceram celebrações importantes, como o centenário do massacre de 1,5 milhão de armênios por parte dos turcos-otomanos em 1915, reconhecido pelo Papa Franisco como o primeiro genocídio século XX.

*Fonte: Site “O São Paulo”
(Arquidiocese de SP)

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