Igreja: termo rico em significados

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O vocábulo Igreja é utilizado em vários aspectos. Em sua origem etimológica, significa reunião, assembleia. No mundo cristão, Igreja significa a união e a reunião de todos os batizados conforme a ordem de Cristo: “Ide e fazei discípulos em todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19).

Cristo usa o termo para significar a organização comunitária dos seus seguidores, quando dá a Pedro a função de coordenar, reger, unificá-la, proclamando: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja…” (Mt 16, 18).

Comumente, chamamos também de igreja, o edifício onde os cristãos se reúnem para as celebrações de suas liturgias. A estes edifícios, na maioria dos casos, empregam-se elementos artísticos que possam ajudar à compreensão da Palavra de Deus, à piedade dos fiéis, a tornar o ambiente espiritualmente agradável e apropriado para a oração e as demais coisas sagradas. Neste sentido, no âmbito cristão católico e também de algumas correntes protestantes e ortodoxas, o emprego da arte varia entre pinturas, ícones, entalhes, estátuas, vitrais e outros elementos simbólicos, incluído, às vezes, o som-ambiente com fundo musical sacro em baixo volume.

Tais elementos pretendem, de alguma maneira, traduzir a beleza de Deus em formas sensíveis, numa tentativa de possibilitar a percepção das maravilhas da vida eterna, onde tudo é perfeitamente belo e bom na presença perpétua de Deus. Para descrever esta perfeição muito acima das capacidades humanas, São Paulo escreve aos coríntios, citando inclusive outros textos da Sagrada Escritura, dizendo que: “o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu” (I Cor 2, 9).  Esta beleza da eternidade pode ser, ainda que palidamente, já experimentada aqui na Terra.

A expressão latina Visibilia ad invisiblilia traduz este movimento da alma humana que, partindo das coisas visíveis, pode chegar às realidades invisíveis. São Paulo ensina aos coríntios que a comunidade dos fiéis e também a pessoa de cada cristão são templos, onde habita o Espírito Santo de Deus (cf. I Cor 3, 16-17). O Concilio Vaticano 2º, celebrado de 1962 a 1965, chama a família cristã de Igreja doméstica, significando que também nos lares fiéis habita Deus.

Em todos estes sentidos, os elementos espirituais se encontram. Se nas construções arquitetônicas empregamos elementos belos é também porque temos aspiração de formar uma comunidade bela, agradável aos olhos de Deus, vencendo os desafios que possam impedir a vivência da genuína fraternidade.

Também cada pessoa que crê em Cristo, e segue o caminho indicado por Ele, tem nestes elementos inspiração para corrigir-se dos defeitos, converter-se de seus pecados para estar purificado diante de Deus, com vida agradável à vontade de Cristo que deseja que todos tenham o amor mútuo como principal elemento de sua existência.

Por fim, a Igreja é imagem da Jerusalém celeste, para onde caminhamos, como lemos no Apocalipse: “Esta é a morada de Deus entre os homens. Deus vai morar no meio deles. Eles serão o seu povo e o próprio Deus estará com eles. Não vi tempo na cidade, pois o seu Templo é o próprio Senhor, o Deus todo poderoso e o Cordeiro” (Ap. 21, 1 ss).

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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