Artigo: Errônea ideologia

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Por: Luís Eugênio Sanábio e Souza, escritor

Tendo como base o errôneo princípio da permissividade dos costumes que ignora os valores naturais e universais que sustentam o sentido e a dignidade da sexualidade humana, parece crescer a nociva ideia de “ideologia de gênero”, que pode ser entendida como uma “ideologia de ausência de sexo”, segundo a qual os dois sexos (masculino e feminino) seriam apenas construções culturais, sociais e religiosas e que por isso podem ser ignorados e substituídos por outros gêneros de acordo com a liberdade de cada um e isso sem dar importância àquilo que a natureza estabelece biologicamente. É óbvio que tal ideologia gera confusão, sobretudo na mente das crianças, distorce o autêntico conceito de família e impõe um conceito arbitrário de autonomia absoluta sobre o corpo humano.

Dito isso, parece-me importante alertar aos educadores, começando pelos pais, para o fato de que o que se costuma chamar permissividade dos costumes se apoia numa concepção errônea da liberdade humana; para se edificar, esta última tem necessidade de se deixar educar previamente pela lei moral natural que permanece como uma regra que liga entre si as pessoas e lhes impõe, para além das inevitáveis diferenças, princípios comuns.

Acontece que, em nome de uma liberdade ilimitada, tem aparecido aqui e ali uma espécie de ditadura do relativismo moral em detrimento dos valores da família. Segundo tal ditadura, as pessoas ou instituições que condenam a chamada “ideologia de gênero” e defendem a estrutura natural da família devem ser consideradas intolerantes e antiquadas. Há, portanto, uma vontade orquestrada de querer calar sobretudo as religiões cristãs que defendem a família para depois impor uma ideologia relativista que destrói os fundamentos naturais da sexualidade humana.

A Igreja Católica, sobretudo através dos papas, tem se pronunciado sobre o tema, chamando a atenção para o fato de que erroneamente o homem está contestando o fato de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Se, porém, não há a dualidade de homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade preestabelecida pela criação. Percebe-se então o homem querendo ser Deus, querendo sair da condição de criatura para ser o criador de si próprio.

Em relação aos compromissos da Igreja Católica com a educação familiar, vale lembrar que os estabelecimentos de ensino mantidos pela Igreja não podem difundir ideologias que contrariam os valores familiares, e sobre isso compete aos bispos, “em comunhão com a Santa Sé, a tarefa de reconhecer, ou de retirar em casos de grave incoerência, a denominação de “católico” a escolas, universidades, clínicas e serviços sociossanitários, que se dizem da Igreja” (Papa João Paulo II: Encíclica Veritatis Splendor n° 116).

Aqui em Juiz de Fora, o excelentíssimo arcebispo dom Gil Antônio Moreira tem manifestado, de maneira justa e honesta, suas preocupações diante da referida nociva ideologia.

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