Entre legado de Irmã Dulce estão um conjunto de obras socioassistenciais

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As raízes da Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) datam de 1949, quando sem ter para onde ir com 70 doentes, a religiosa pediu autorização a sua superiora para abrigar os enfermos em um galinheiro situado ao lado do Convento Santo Antônio. O episódio fez surgir a tradição de que o maior hospital da Bahia nasceu a partir de um simples galinheiro. Mais precisamente as OSID nasceram no dia 26 de maio de 195.

Atualmente, a entidade filantrópica abriga um dos maiores complexos de saúde 100% SUS do país, com cerca de 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano, na Bahia, a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), idosos, pessoas com deficiência e com deformidades craniofaciais, pessoas em situação de rua, usuários de substâncias psicoativas e crianças e adolescentes em situação de risco social.

A organização conta com 21 núcleos que prestam assistência à população de baixa renda nas áreas de Saúde, Assistência Social, Pesquisa Científica, Ensino em Saúde, Educação e na preservação e difusão da história de sua fundadora. Também conhecida como Complexo Roma, a sede das Obras em Salvador abriga, em seus 40 mil metros quadrados de área construída, incluindo 954 leitos hospitalares para o atendimento de patologias clínicas e cirúrgicas.

Dos núcleos, 19 apresentam atuação no campo da Saúde, a exemplo do Hospital Santo Antônio, Centro Geriátrico, Hospital da Criança, Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, Centro de Acolhimento à Pessoa com Deficiência e Centro Especializado em Reabilitação e do Centro de Acolhimento e Tratamento de Alcoolistas. Somente no Complexo Roma são contabilizados por ano cerca de 2,2 milhões de procedimentos ambulatoriais.

Ainda na sede das Obras Sociais, local que atende diariamente cerca de 2 mil pessoas, são realizadas por ano 12 mil cirurgias, além de 18 mil internamentos. Atualmente, mais de 4,3 mil profissionais trabalham na organização, sendo 2,8 mil funcionários somente no complexo da capital baiana, local onde atuam ainda 300 médicos e 300 voluntários. A atenção integral, multidisciplinar e humanizada é uma das características do atendimento prestado pelas Obras Sociais Irmã Dulce.

Maria Rita Pontes, sobrinha que conviveu com irmã Dulce desde seu nascimento, é hoje a Superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce. Ela lembra-se da incansável rotina de Irmã Dulce: “apesar dos problemas de saúde e da fragilidade física, acordava às 5h, comia muito pouco, visitava os doentes do hospital, conversava com os médicos, resolvia as questões administrativas e só depois saía para pedir doações. Rezava o terço diariamente.” A oração era uma constante em seu dia-a-dia, disse.

A atual superintendente das OSID descreve irmã Dulce como uma pessoa alegre, espirituosa, abnegada, perseverante e de profunda fé em Deus e na humanidade. “Para ela não existia a palavra impossível quando se tratava das necessidades dos pobres que batia à sua porta”, destacou.

Irmã Dulce, lembra-se sua sobrinha, dizia ver o próprio Cristo nas pessoas a quem se doava. “Era uma pessoa que tinha uma capacidade enorme de ouvir as pessoas, ouvir atentamente, com carinho e atenção. Até quando estava muito cansada, cheia de problemas, tinha forças para ouvir o outro”, ressalta.

Para Maria Rita, as Obras de Irmã Dulce dão o testemunho do amor, do serviço, da humanização e, sobretudo, da fé na Providência Divina. Nos momentos de grande dificuldade, segundo sua sobrinha, Irmã Dulce sempre repetia a seguinte frase: “Essa Obra não é minha. É de Deus. E o que é de Deus permanece para sempre”. “Hoje, quando nos deparamos com essas dificuldades, que inicialmente parecem intransponíveis, diante da grandeza da instituição, também nos apegamos no seu testemunho da fé na Providência Divina, e podemos atestar que ela estava certa no que dizia”, acredita.

Segundo a superitendente, o ano de 2019 será inesquecível para as Obras Sociais Irmã Dulce com a canonização da santa. “Para todos nós, colaboradores da OSID, é um momento de muita alegria, emoção e também de responsabilidade. Penso que muitas coisas boas podem vir em benefício da instituição, para acolher cada vez mais e melhor as pessoas mais necessitadas. Esse sempre foi o desejo de Irmã Dulce”.

Ela conta que a notícia da canonização fez aumentar o fluxo de visitantes, entre devotos, admiradores e curiosos. A OSID prevê que esse contingente deverá crescer com o incremento do Turismo Religioso na região. “Esse movimento já vem pouco a pouco se convertendo em ajuda para a manutenção da obra. Vem também trazendo uma boa visibilidade tanto nacional quanto internacionalmente. E também reforçando a importância da instituição junto aos órgãos federais, estaduais e municipais”, disse.

Fonte: Site da CNBB

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