Entre os dias 26 e 30 de agosto, a Paróquia Nossa Senhora da Glória, no Morro da Glória, promoveu o curso “Formação de consciência”. A iniciativa reuniu fiéis, professores e especialistas em um percurso de aprofundamento da fé e de reflexão sobre temas atuais à luz da Teologia Moral.
O primeiro dia contou com uma mesa-redonda mediada pelo Padre Mikael Daibem, C.Ss.R., Doutor em Teologia Moral e Professor da Academia Alfonsiana, em Roma. O momento contou com a presença e contribuição do Vigário Paroquial, Padre Dalton Barros de Almeida, da psiquiatra Dra. Amanda Ribeiro, da jornalista e professora Janaína Nunes e do Pró-Reitor de Sistemas de Dados e Avaliação e Professor Titular do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcel Toledo Vieira.

Segundo Pe. Mikael, a proposta inicial foi oferecer um olhar multidisciplinar sobre a consciência. “Foi muito interessante porque pudemos ouvir diversas vozes e saberes. Nos dias seguintes, o curso aprofundou áreas da Teologia Moral, abordando temas como a consciência em Santo Afonso, questões de bioética e aspectos da moral social. Foi uma oportunidade de crescimento na fé e no modo de agir como cristãos”, explicou.
O professor Marcel destacou a relevância do tema para os desafios digitais. “Se somos influenciados pelas redes sociais e pelo funcionamento dos algoritmos, precisamos de uma formação sólida, que inclua o letramento digital. É necessário preparar as novas gerações – e também os mais velhos – para viver nesse mundo digital que já é realidade”, pontuou.
“Abrir os olhos para além do que vemos”
Entre os participantes, muitos testemunharam o quanto a formação contribuiu para a vida pastoral e para a caminhada de fé. Juliana Luciana da Silva, paroquiana da Igreja da Glória, avaliou o curso como uma experiência transformadora.
“Foi muito rico, com temáticas extremamente necessárias, principalmente no âmbito da nossa Igreja, porque não existe mais nada que fique de fora daquilo que está dentro dos nossos espaços de convivência. Debater a consciência com o social, com a humanidade e com o nosso processo individual foi primordial”, contou.
Para ela, a formação foi um chamado para olhar além dos limites pessoais. “Acredito que temos perdido um pouco esse nosso lado de olhar para além daquilo que nossos olhos veem. É necessário desvelar o que nos tampa os olhos e enxergar o outro com caridade e acolhimento, reconhecendo que também comunga do mesmo Deus que eu. Por que não acolhê-lo, por que não ajudá-lo naquilo que é possível?”, refletiu.
Juliana destacou ainda que a experiência ajudou em sua retomada pastoral: “Esse curso fez fomentar ainda mais o desejo de estar presente e de caminhar dentro da Igreja. Fortaleceu minhas raízes na vivência de fé e da espiritualidade, ao mesmo tempo em que trouxe um olhar mais humano e fraterno para a vida em sociedade”.
Formação para pensar e discernir
O anfitrião do curso, Pe. Carlos Viol, C.Ss.R., sublinhou que a proposta do curso foi mais do que transmitir matérias. “Nosso esforço é pensar dentro de um espaço seguro, não apenas dar conteúdo, mas fornecer ferramentas para pensar. Espero que todos tenham ouvido muitas coisas novas que os ajudem a discernir melhor em sua vida cristã”, expressou.
Concluído no sábado (30), o curso deixou como mensagem a importância de cultivar uma consciência iluminada pela fé, capaz de dialogar com os desafios da ciência e da sociedade, mas sempre enraizada no Evangelho e na tradição da Igreja. Além disso, após as avaliações, abriu-se um espaço para que os próprios participantes pudessem sugerir temas para futuras formações, de modo que esta não seja uma experiência isolada, mas um caminho de crescimento comunitário e espiritual.