Contemplar e cuidar da Casa comum, pede Papa na catequese

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“Curar o mundo. Cuidar da Casa comum e atitude contemplativa” foi o tema da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 16, no Pátio São Dâmaso. Falando sobre a dimensão do cuidado – “regra de ouro na condição humana” – o Papa falou da necessidade desse cuidado também para com a casa comum.

 “Todas as formas de vida estão interligadas, e a nossa saúde depende daquela dos ecossistemas que Deus criou e dos quais nos encarregou de cuidar. Por outro lado, abusar deles é um pecado grave que nos prejudica e nos faz adoecer. O melhor antídoto contra este uso impróprio da nossa Casa comum é a contemplação”, afirmou.

Segundo o Pontífice, quando não se aprende a admirar e apreciar o que é belo, não surpreende que tudo se transforme em objeto de uso e abuso sem escrúpulos. Porém, a Casa comum, a criação, não é um mero ‘recurso’. “As criaturas têm um valor em si e ‘refletem, cada uma à sua maneira, um raio da infinita sabedoria e bondade de Deus’. Este valor e este raio de luz divina devem ser descobertos e, para os descobrirmos, precisamos de silêncio, escuta e contemplação. A contemplação cura a alma”.

Trabalhar a terra, mas não explorar

Sem essa contemplação, acrescentou o Papa, é fácil cair num antropocentrismo desequilibrado e soberbo, colocando o ser humano como dominador absoluto de todas as outras criaturas. Mas é um pecado explorar a criação, enfatizou Francisco; pretendendo ocupar o lugar de Deus, arruina-se harmonia da criação, o homem se torna predador, esquece sua vocação de guardião da vida.

“Sem dúvida, podemos e devemos trabalhar a terra para viver e para nos desenvolvermos. Mas trabalho não é sinônimo de exploração, e é sempre acompanhado pelo cuidado: lavrar e proteger, trabalhar e cuidar. Esta é a nossa missão. Não podemos pretender continuar crescendo a um nível material, sem cuidarmos da Casa comum que nos acolhe. Os nossos irmãos mais pobres e a nossa mãe terra gemem pelos danos e injustiças que causamos, e reclamam outro rumo. Pedem uma conversão, mudança de estrada. Cuidar também da terra, da criação”.

Nesse sentido, Francisco destacou a necessidade de recuperar a dimensão contemplativa: olhar para a terra, para a Criação, como um dom, não como algo a explorar para proveito próprio. “Quando contemplamos, descobrimos nos outros e na natureza algo muito maior do que a sua utilidade. Aqui está o centro do problema. Contemplar é ir além da utilidade de uma coisa. Contemplar o belo não significa explorar. É contemplar. É gratuito. Descobrimos o valor intrínseco das coisas que lhes foram conferidas por Deus”.

Ser guardião do meio ambiente

A contemplação leva a uma atitude de cuidado, explicou o Papa. O homem está dentro da natureza, faz parte dela, mas quem não sabe contemplá-la não sabe contemplar as pessoas em suas riquezas. Nesse sentido, acrescentou que quem vive para explorar a natureza, acaba explorando as pessoas e as trata como escravas.

Ao contrário, quem sabe contemplar começará mais facilmente a trabalhar para mudar o que produz degradação e danos para a saúde. “O contemplativo em ação tornar-se guardião do meio ambiente. É bonito isso! Cada um de nós deve ser guardião do ambiente, da pureza do ambiente, procurando conjugar saberes ancestrais de culturas milenares com novos conhecimentos técnicos, a fim de que o nosso estilo de vida seja sustentável.

Contemplar e cuidar são, portanto, duas atitudes que indicam o caminho para corrigir e reequilibrar a relação do ser humano com a criação, afirmou o Papa. Mas essa relação que às vezes parece de inimizade tem um preço caro a pagar: “Não nos esqueçamos o ditado espanhol: ‘Deus perdoa sempre, nós perdoamos às vezes, a natureza não perdoa nunca’”.

Relação de fraternidade

Já uma relação fraterna com o meio ambiente leva o homem a se tornar guardião da casa comum, da vida e da esperança. “Protegemos a herança que Deus nos confiou para que as gerações futuras possam desfrutá-la. (…) Pensemos nas crianças, nos netos: o que deixaremos se exploramos a criação? Vamos proteger este caminho. Preservemos a herança que Deus nos confiou, para que as gerações futuras possam usufruir dela”.

Francisco mencionou, em especial, os povos indígenas, “com os quais todos nós temos uma dívida de gratidão, mas também de penitência, para consertar o mal que fizemos a eles”. “Mas penso também nos movimentos, associações e grupos populares que estão comprometidos em proteger o próprio território com os seus valores naturais e culturais. Estas realidades sociais nem sempre são apreciadas, às vezes são até impedidas, mas na realidade contribuem para uma revolução pacífica, a “revolução do cuidado”. Contemplar para curar. Contemplar para cuidar. Contemplar para proteger, proteger a Criação, os nossos filhos, netos e proteger o futuro. Contemplar para curar e proteger e deixar uma herança para a geração futura.

O Papa concluiu, dizendo que não é necessário delegar a alguns a tarefa que compete a cada ser humano. “Cada um de nós pode e deve se tornar um ‘guardião da Casa comum’, capaz de louvar a Deus por suas criaturas, contemplando-as e protegendo-as”.

Fonte: Site Notícias Canção Nova

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